A ampliação da integração ferroviária entre os países da América Latina foi apontada como uma das principais medidas para reduzir custos logísticos, fortalecer o comércio regional e aumentar a competitividade das exportações. O tema foi debatido durante o Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), que reuniu representantes da indústria e especialistas em infraestrutura.

Segundo Jean Carlos Pejo, secretário-geral da Associação Latino-Americana de Ferrovias (Alaf) no Brasil e diretor do Departamento de Logística do Instituto de Engenharia, a expansão do transporte ferroviário depende da continuidade dos investimentos em infraestrutura e da consolidação de corredores internacionais capazes de conectar centros produtores, polos industriais e portos.

“A integração ferroviária precisa ser encarada como uma estratégia de desenvolvimento regional. Mais do que conectar trilhos, ela conecta economias, reduz custos logísticos, amplia a competitividade e cria condições para um transporte mais eficiente e sustentável”, afirmou.

Durante o encontro, Pejo destacou iniciativas como o Corredor Mercosul, o regime de autorizações ferroviárias e as short lines — ferrovias de menor extensão destinadas a conectar polos industriais, terminais logísticos e a malha principal — como instrumentos para ampliar a capilaridade da infraestrutura ferroviária e atrair investimentos privados.

O especialista também citou projetos estruturantes, como o Trem Intercidades (TIC) entre São Paulo e Campinas, avaliando que a experiência poderá servir de referência para novos empreendimentos ferroviários de passageiros e para a integração entre diferentes modais de transporte. O Trem de Alta Velocidade também foi abordado durante o debate.

Para o presidente da Abifer, Vicente Abate, o fortalecimento da infraestrutura ferroviária representa uma oportunidade para aumentar a competitividade logística da região e ampliar a participação da indústria brasileira na expansão do setor.

“A ferrovia reúne atributos fundamentais para uma logística mais competitiva e de menor impacto ambiental. O Brasil possui uma indústria capacitada para atender à expansão desse mercado e contribuir com soluções que apoiem o desenvolvimento da infraestrutura ferroviária na América Latina”, afirmou.