Barretão, monumento cultural brasileiro, ajudou também na criação da TV Pública
Fonte: brasil247.com | Data: 22/07/2026 16:35:15
Nas últimas décadas, não havia briga relacionada com a cultura e a democracia em que Luiz Carlos Barreto não estivesse. Nas mais diversas plenárias e assembleias, lá estava ele com seu volume corporal e sua potência vocal. Ora articulava nos bastidores, ora vociferava contra situações inaceitáveis que precisavam ser mudadas. E isso vem de longe, do tempo febril do Cinema Novo, das lutas contra a ditadura, das mobilizações pela adoção de políticas públicas para o cinema e o audiovisual.
Lá estava ele no Fórum da TV Pública, movimento liderado por Gilberto Gil que, em 2007, agregou artistas, jornalistas, produtores culturais, cineastas e produtores do audiovisual, acadêmicos, pensadores da comunicação e da democratização da mídia pedindo a criação de uma TV Pública independente, propiciadora de maior acesso aos bens culturais e garantidora da pluralidade na oferta de informação.
Depois veio a batalha no Congresso pela aprovação da MP 398, que gerou a lei de criação da EBC. E ele vinha o tempo todo a Brasília engrossar nossas atividades juntos aos parlamentares, primeiro na Câmara e depois na luta desesperada que travamos no Senado, para aprovar a MP no último dia de sua vigência. A rejeição ou a queda da MP por decurso de prazo seria um desastre, porque naquela altura já havíamos criado uma empresa, a EBC, e colocado no ar a TV Brasil, nossa TV Pública que fora a razão de tudo aquilo.
Criada a EBC, Barretão foi dos primeiros produtores de cinema a apresentar propostas para a co-produção de obras audiovisuais a serem exibidas pela televisão pública, antes de ganharem outros circuitos. E assim logo no início produzimos, em parceria com ele, o Amálgama, uma série de programas conduzidos por Jorge Mautner, que viajava pelos Pontos de Cultura criados em todo o país pelo então ministro Gilberto Gil. Foi um bom teste para o modelo que iríamos adotar. Ao longo de quatro anos, fizemos depois muitos outros programas em parceria com ele e diretores da produção audiovisual independente.
Infelizmente, como é sabido, já depois do meu mandato houve a intervenção destruidora de Temer, através de seu interventor Laerte Rímoli, o aparelhamento e a militarização na era Bolsonaro, e vieram também estes tempos atuais, de grande instabilidade, que impedem o avanço da EBC em direção ao papel que ela deve representar na democracia.
Da última vez que encontrei Barretão, no Festival do Rio de 2025, falamos exatamente disso. De um sonho que vai se perdendo.
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