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BTG prevê alta de 37% para a LATAM após avanço em aeroportos-chave

Fonte: brasil247.com | Data: 22/07/2026 18:58:56

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247 – A LATAM Airlines ampliou sua presença em aeroportos estratégicos da América do Sul, com destaque para Guarulhos e Brasília, e levou o BTG Pactual a manter uma avaliação positiva para as ações da companhia. Em relatório divulgado na terça-feira (21), o banco estimou potencial de valorização de 37%, embora tenha alertado para o impacto do aumento dos combustíveis sobre o balanço do segundo trimestre.

O preço-alvo foi fixado em US$ 72 para os próximos 12 meses, ante a cotação de US$ 52,56 considerada no estudo. Somado o rendimento estimado de 1,9% com dividendos, o retorno projetado alcança 38,9%.

A recomendação se refere aos recibos de ações da LATAM negociados no mercado dos Estados Unidos, conhecidos como American Depositary Receipts. Esses papéis são identificados na Bolsa de Nova York pelo código LTM.

Segundo os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, a companhia adotou uma expansão mais seletiva da malha aérea. A oferta foi direcionada principalmente aos mercados com demanda consistente, maior capacidade de conexão e posição competitiva favorável.

O desempenho, contudo, variou entre os aeroportos analisados. A empresa ganhou participação nas operações internacionais de Guarulhos e no mercado doméstico de Brasília e Santiago, mas perdeu espaço em Congonhas, Santos Dumont e nas rotas internacionais da capital chilena.

Guarulhos concentra expansão internacional

A oferta internacional da LATAM nos aeroportos de Santiago, Guarulhos e Brasília aumentou 12% em relação ao segundo trimestre de 2025. O cálculo considera os assentos disponíveis multiplicados pela distância percorrida, indicador utilizado pelo setor para medir a capacidade das companhias aéreas.

O avanço ficou alinhado ao crescimento internacional informado pela empresa, mas foi concentrado em Guarulhos. No aeroporto paulista, a capacidade aumentou 17% em um ano, enquanto o número de passageiros subiu 11%.

A participação da companhia no mercado internacional de Guarulhos chegou a 39%, alta de 2,7 pontos percentuais. O terminal respondeu pela maior ampliação absoluta da oferta e apresentou o melhor desempenho competitivo entre os aeroportos internacionais acompanhados pelo banco.

A expansão da empresa também superou o crescimento geral do mercado no local. Enquanto a capacidade da LATAM avançou 17%, a oferta conjunta das companhias que operam em Guarulhos aumentou 4%.

Em Santiago, o cenário foi menos favorável. A capacidade internacional cresceu 9% no trimestre, mas o movimento de passageiros caiu 5%. Como resultado, a participação da empresa recuou 0,7 ponto percentual, para 55%.

Os dados de junho apontaram uma deterioração mais intensa na capital chilena. A oferta de assentos caiu 7%, o volume de viajantes diminuiu 28% e a fatia da companhia perdeu 1,5 ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2025.

Brasília também registrou retração nas operações internacionais. A capacidade foi reduzida em 15%, acompanhada de uma queda de 6% no número de passageiros. Apesar disso, a participação subiu 0,4 ponto percentual, para 18%, porque o mercado do aeroporto encolheu de forma mais acentuada.

No Aeroporto Internacional Jorge Chávez, em Lima, o movimento total ficou próximo de 2 milhões de passageiros em junho. O volume permaneceu estável na comparação anual, mas caiu 9% diante de maio, sinalizando perda de ritmo no encerramento do trimestre.

Brasília lidera crescimento doméstico no Brasil

As operações domésticas apresentaram maior resistência. Nos aeroportos de Santiago, Guarulhos, Congonhas, Santos Dumont e Brasília, a capacidade da companhia cresceu 7% no segundo trimestre.

O resultado ficou próximo da expansão combinada de aproximadamente 6% divulgada pela empresa para as rotas domésticas brasileiras e dos demais países sul-americanos em que atua.

Entre os terminais brasileiros, Brasília apresentou o melhor desempenho. A oferta de assentos aumentou 14%, o fluxo de passageiros subiu 10% e a participação de mercado avançou 2,8 pontos percentuais, para 56%.

A LATAM também ampliou sua presença no mercado doméstico chileno. Em Santiago, a capacidade cresceu 10% e o número de passageiros aumentou 6%. A participação atingiu 67% no trimestre, ganho de 5,2 pontos percentuais.

O movimento continuou em junho, quando a empresa alcançou 68% do mercado doméstico da capital chilena. O percentual ficou 5,7 pontos acima do registrado no mesmo mês do ano anterior.

Guarulhos apresentou maior estabilidade nas rotas nacionais. A oferta aumentou 1%, enquanto o número de passageiros caiu 2%. A participação permaneceu próxima de 64%, embora tenha recuado 0,3 ponto percentual em junho.

Congonhas e Santos Dumont perdem participação

Em Congonhas, a ampliação da capacidade não se converteu em crescimento do número de passageiros. A oferta subiu 5%, mas o movimento caiu 2%. A participação da companhia recuou 1,5 ponto percentual, para 43%.

No Santos Dumont, a quantidade de assentos permaneceu estável, enquanto o fluxo de viajantes diminuiu 2%. A fatia da empresa caiu 1,4 ponto percentual e encerrou o trimestre em 35%.

Os dados revelam uma divisão na malha doméstica. Brasília e Santiago ganharam relevância, enquanto Congonhas e Santos Dumont enfrentaram maior dificuldade para transformar a capacidade disponível em aumento de passageiros e participação de mercado.

Diante desse cenário, a empresa concentrou sua expansão nos terminais em que conseguiu elevar simultaneamente a oferta e sua posição diante das concorrentes. Nos mercados menos favoráveis, adotou crescimento moderado ou manteve a capacidade praticamente estável.

Combustível deve pesar sobre o balanço

O segundo trimestre deverá concentrar a maior parcela do impacto provocado pelo encarecimento do querosene de aviação. Conforme o relatório, a administração da empresa indicou que as despesas adicionais com combustível podem superar US$ 700 milhões.

A elevação dos preços ganhou força após o agravamento do conflito no Oriente Médio. O movimento aumentou o custo das operações e reduziu a proteção das margens proporcionada pelos reajustes das passagens.

Até maio, a tarifa doméstica média cobrada pela LATAM no Brasil estava próxima de R$ 641, ante cerca de R$ 620 entre as concorrentes. A diferença indica capacidade de cobrança ligeiramente superior, principalmente nas rotas com maior presença de passageiros corporativos.

Esse prêmio tarifário, entretanto, foi menor do que o aumento dos custos. Na avaliação do BTG Pactual, o repasse integral da alta do combustível pode ser limitado pela sensibilidade dos consumidores aos preços das passagens.

A tentativa de compensar todo o aumento das despesas com reajustes poderia reduzir a demanda. Esse ambiente tende a pressionar a rentabilidade da companhia no curto prazo.

Parte do efeito negativo poderá ser amenizada por movimentos cambiais favoráveis e pelas correções tarifárias realizadas ao longo do período. Ainda assim, o banco espera que o balanço do segundo trimestre absorva a maior parcela do choque anual dos combustíveis.

Integração regional pode facilitar novas rotas

O relatório também analisou o acordo firmado por Brasil, Argentina, Chile e Paraguai para avançar na integração do mercado aéreo sul-americano. A iniciativa criou um grupo de trabalho com prazo de até 12 meses para apresentar propostas.

O plano pretende ampliar os direitos de tráfego, reduzir barreiras regulatórias e aproximar regras relacionadas a licenças operacionais, direitos dos passageiros e procedimentos aeroportuários.

Como medida inicial, o Brasil passou a permitir, em acordos bilaterais com Argentina e Paraguai, que uma companhia aérea transporte passageiros entre dois países estrangeiros sem precisar iniciar ou encerrar a viagem em seu mercado de origem.

Para um grupo presente em diferentes países da região, essa flexibilização pode facilitar a distribuição das aeronaves, melhorar a conexão de passageiros nos principais aeroportos e viabilizar novas ligações internacionais.

A redução das barreiras também pode atrair concorrentes para mercados anteriormente limitados por regras bilaterais. Assim, a integração amplia as possibilidades de expansão, mas aumenta a disputa por passageiros.

Os efeitos deverão aparecer apenas no médio prazo, pois os países ainda precisam compatibilizar suas normas jurídicas e operacionais. Mercados menores, como Paraguai e eventualmente Uruguai, poderão ser beneficiados pela criação de mais voos diretos.

Abra reforça concorrência nas rotas regionais

A disputa regional também deverá crescer com a encomenda de aeronaves da Embraer pelo Abra Group, controlador de Gol e Avianca. O grupo anunciou na terça-feira (21) a compra firme de 20 unidades do modelo E195-E2, além de opções e direitos que podem elevar o pedido total para 45 aviões.

As entregas estão previstas para começar no quarto trimestre de 2027. Por ter capacidade menor do que outros aviões utilizados em rotas nacionais e internacionais, o modelo permite atender mercados com menor demanda e ampliar frequências sem elevar excessivamente os custos.

A LATAM já assumiu compromissos para incorporar até 74 aeronaves do mesmo modelo. A entrada do Abra nesse segmento pode reduzir parte da vantagem inicial da companhia em sua estratégia de expansão regional.

Ao mesmo tempo, o uso do E195-E2 por diferentes grupos tende a ampliar a estrutura de manutenção, treinamento de equipes e fornecimento de peças disponível na América do Sul.

Banco mantém empresa como principal escolha do setor

Mesmo com a pressão prevista sobre o resultado trimestral, o BTG Pactual considera que a presença em diferentes países permite à LATAM deslocar aeronaves e frequências conforme as condições de cada mercado.

Essa flexibilidade, combinada aos ganhos registrados em aeroportos estratégicos, levou o banco a manter a companhia como sua principal escolha entre as empresas do setor aéreo.

Segundo o relatório, os papéis são negociados por aproximadamente cinco vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização projetado para 2026. Esse indicador, conhecido como Ebitda, é utilizado para comparar a capacidade operacional das empresas.

Para 2026, o banco estima receita de US$ 17,21 bilhões, Ebitda de US$ 4,03 bilhões e lucro líquido de US$ 1,23 bilhão.

Em 2027, as projeções apontam faturamento de US$ 19,17 bilhões, Ebitda de US$ 5,10 bilhões e resultado líquido de US$ 1,80 bilhão. Para 2028, as estimativas sobem para receita de US$ 21,15 bilhões, Ebitda de US$ 5,58 bilhões e lucro de US$ 2,10 bilhões.

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