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Idosa morre após ser submetida a cirurgia destinada a outra pessoa, em Campinas – Brasil 247

Fonte: brasil247.com | Data: 23/07/2026 07:15:10

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247 – A família de Jandira Marina Dias Braga, de 76 anos, contesta a avaliação do Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas após a idosa ser submetida, por engano, a uma cirurgia destinada a outra paciente e morrer três dias depois. A instituição afirma que o procedimento não alterou o prognóstico, enquanto os parentes relacionam a piora clínica ao período posterior à intervenção e anunciam que levarão o caso à Justiça.

Segundo reportagem do g1, Jandira estava internada desde 8 de junho de 2026 para tratar uma obstrução intestinal provocada pela recidiva de um câncer de cólon. Ela aguardava a definição da equipe médica sobre o tratamento quando foi encaminhada ao centro cirúrgico sem que a família recebesse explicações detalhadas.

Troca de pacientes foi percebida após o procedimento

Os registros do prontuário indicam que Jandira passou por uma gastrostomia endoscópica, procedimento utilizado para instalar uma sonda diretamente no estômago. A cirurgia começou às 18h45 e terminou às 19h20.

A falha teria sido identificada somente no fim da intervenção, durante a passagem de plantão. Funcionários perceberam que a paciente que deveria ter sido operada permanecia no quarto e, ao conferirem a pulseira de identificação, constataram que Jandira havia sido levada ao centro cirúrgico por engano.

Depois da descoberta, a família foi convocada para uma reunião com o diretor clínico e a diretora do centro cirúrgico. De acordo com a neta Camila Dias Barozzi, o diretor teria admitido que nunca havia enfrentado uma situação semelhante, mas sustentou que o procedimento poderia trazer um “benefício clínico” ao permitir a drenagem de líquidos associados à obstrução intestinal.

“No outro dia, ela já começou a voltar esse líquido com aspecto de fezes e vomitar. Então aquilo que ele tinha me falado que seria benéfico, não foi”, contestou Camila.

Família relata piora clínica após a cirurgia

Segundo Camila, o estado de saúde de Jandira se deteriorou nas horas seguintes. A neta afirmou que a idosa apresentou alterações cardíacas e sinais compatíveis com uma infecção generalizada.

“Ela já começou a ter taquicardia, já começou a ter sinais de sepse logo após o processo cirúrgico. Foi então que o quadro clínico dela decaiu muito”, disse.

As anotações médicas registram que, na manhã de 9 de junho, Jandira apresentou confusão mental, hipotensão, queda na saturação de oxigênio e alteração do ritmo cardíaco. Ela foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva, onde a equipe passou a investigar hipóteses como sepse e tromboembolismo pulmonar.

Diante da evolução do quadro, familiares e médicos decidiram adotar cuidados paliativos, sem a realização de medidas invasivas. Jandira morreu às 19h30 de 11 de junho, conforme registro feito no hospital.

Hospital diz que cirurgia não mudou o prognóstico

O Hospital Beneficência Portuguesa reconheceu a ocorrência de um erro assistencial, informou ter aberto uma sindicância interna e disse que adotou medidas administrativas contra os profissionais envolvidos, incluindo desligamentos. A instituição também declarou ter reforçado os protocolos e os fluxos de segurança.

Em nota, o hospital afirmou que uma avaliação médica e técnica concluiu que a cirurgia “não alterou o prognóstico da paciente”. A instituição acrescentou que comunicou os familiares, prestou assistência após a identificação do erro e encaminhou o caso aos conselhos profissionais competentes.

O hospital declarou ainda: “O Hospital lamenta profundamente o ocorrido e permanece à disposição.”

Família pretende buscar responsabilização judicial

Camila afirmou que os parentes irão recorrer à Justiça para apurar as circunstâncias do erro e responsabilizar os envolvidos. Segundo ela, a iniciativa também busca provocar mudanças nos protocolos cirúrgicos para “não deixar acontecer isso com outras pessoas”.

“Eu prometi para mim que não ia deixar isso quieto. Sempre fica aquela sensação do ‘e se?’. E se tivesse dado certo? Ela poderia estar aqui com a gente”, desabafou Camila.

Para a família, a troca de pacientes interrompeu a possibilidade de continuidade de um tratamento que ainda poderia oferecer qualidade de vida. Jandira havia enfrentado um câncer de cólon 12 anos antes e, conforme o relato da neta, a recidiva não apresentava sinais de disseminação para outros órgãos.

“A oncologista falou para a gente que não tinha metástase […] Ela faria uma quimio e teria uma vida normal”, lamentou a dentista.

Conselhos profissionais ainda analisam encaminhamentos

O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo informou que ainda não havia sido formalmente notificado sobre o caso. O órgão afirmou que situações envolvendo possível infração ética são analisadas de acordo com os procedimentos previstos na Resolução Cofen nº 706/2022.

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo declarou que não havia identificado registro da ocorrência. Questionado, o hospital explicou que as comissões internas de ética possuem prazo para produzir pareceres antes do encaminhamento aos respectivos conselhos.

De acordo com a instituição, a comissão de ética do hospital enviou o caso ao Cremesp, com agendamento para sexta-feira (24), e concluía o encaminhamento ao Coren-SP dentro do prazo de 60 dias contado a partir da ocorrência.

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