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Na comemoração do Dia da Rebeldia Cubana, Díaz-Canel denuncia impacto do bloqueio dos EUA

Fonte: brasil247.com | Data: 26/07/2026 06:45:50

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247 – O presidente Miguel Díaz-Canel denunciou o impacto do bloqueio dos Estados Unidos sobre Cuba e afirmou que as restrições agravam a mortalidade infantil, represam cirurgias e dificultam o abastecimento de energia, medicamentos e alimentos no país. As declarações foram feitas no sábado (25), durante um encontro com grupos internacionais de solidariedade em Pinar del Río, informa o jornal Granma.

A reunião ocorreu na véspera das principais cerimônias do 73º aniversário dos ataques aos quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes, marco celebrado em Cuba como Dia da Rebelião Nacional. O encontro reuniu visitantes estrangeiros e integrantes do alto escalão do governo cubano.

Diante das delegações, Díaz-Canel sustentou que o apoio internacional à ilha ultrapassa os limites da solidariedade política e representa uma defesa mais ampla da soberania dos países.

“Quando Cuba é defendida, defende-se o direito dos povos à autodeterminação, à soberania e à independência”

O presidente declarou que permanecer ao lado de Cuba, no cenário atual, significa enfrentar projetos hegemônicos e tentativas de uma potência impor suas decisões às demais nações. Para ele, a pressão exercida sobre a ilha pode futuramente atingir outros países.

“Amanhã isso pode acontecer com qualquer outra nação, se continuarmos a permitir”

Governo cubano aponta cerco ao fornecimento de energia

Díaz-Canel afirmou que as sanções estadunidenses alteraram profundamente as condições econômicas e sociais de Cuba. Segundo ele, em mais de seis meses, somente um navio-tanque conseguiu chegar à ilha, situação que compromete a geração de energia, os transportes e serviços essenciais.

O dirigente também disse que equipamentos capazes de acrescentar quase 300 megawatts ao sistema elétrico cubano permanecem retidos em contêineres localizados em diferentes portos do mundo. O material integra o programa de transição energética do país para fontes renováveis.

De acordo com o presidente, empresas de navegação se recusam a transportar os equipamentos por receio de represálias dos Estados Unidos. O mesmo problema, acrescentou, afeta milhares de toneladas de alimentos comprados por Cuba ou enviados como ajuda humanitária por organismos ligados às Nações Unidas.

Mortalidade infantil e tratamentos afetados

Na área da saúde, Díaz-Canel declarou que a mortalidade infantil cubana dobrou em meio ao agravamento das restrições. Ele associou o aumento à dificuldade de importar insumos, medicamentos e equipamentos necessários ao atendimento da população.

“Somente esse dado demonstra que a política mantida por Washington durante décadas, e intensificada exponencialmente nos últimos anos, tem caráter genocida”

O presidente destacou o trabalho dos profissionais de saúde que, segundo ele, continuam atendendo pacientes apesar dos apagões, dos problemas de transporte e das dificuldades para descansar durante a madrugada.

Díaz-Canel reconheceu, porém, que milhares de gestantes em situação de risco não têm acesso a todos os medicamentos necessários. Também afirmou que pacientes com câncer enfrentam interrupções ou prejuízos nos tratamentos e que mais de 100 mil pessoas aguardam por cirurgias.

“Digam-me se isso não é um castigo coletivo, um crime, se não estão condenando um povo com o propósito sádico, perverso, de fazer com que essa asfixia econômica provoque uma explosão social”

O governo cubano classifica as medidas impostas por Washington como o principal obstáculo à recuperação econômica do país. Díaz-Canel afirmou que, apesar das dificuldades, a pressão externa não conseguiu submeter a população nem interromper os esforços internos para enfrentar a crise.

“Em meio a circunstâncias tão complexas, nós, cubanos, não estamos de braços cruzados nem vamos nos render”

Delegações estrangeiras criticam política dos EUA

O encontro também contou com a presença do primeiro-ministro Manuel Marrero Cruz; do secretário de Organização do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, Roberto Morales Ojeda; e do ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla. Autoridades políticas e governamentais de Pinar del Río igualmente participaram da reunião.

Diretora-executiva da organização Pastores pela Paz, Claudia de la Cruz afirmou que os movimentos internacionais continuarão apoiando a soberania cubana.

“Cuba não está sozinha e nunca estará”

“Estamos aqui porque entendemos que a palavra nos chama a defender a vida e a estar ao lado daqueles que estão sendo oprimidos. Temos a responsabilidade de apoiar a soberania e a dignidade do povo cubano”

A ativista estadunidense Rosemarie Mealy, também presente no encontro, classificou o bloqueio mantido pelo governo de seu país como ilegal. Ela relatou ainda um aumento da pressão contra organizações e movimentos internacionais de solidariedade a Cuba.

“Não seremos silenciados, nem pararemos de lutar”

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