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Relatório do Cenipa: Voepass trocava peças com pane para seguir voando

Fonte: 93noticias.com.br | Data: 26/07/2026 19:06:44

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Relatório do Cenipa revela que Voepass trocava peças com defeito em aeronaves.

O relatório final do Cenipa conclui que a Voepass instalou componentes já sabidamente com pane para manter voos em operação. A apuração foi motivada pelo acidente do voo 2283, em agosto de 2024, com 62 mortos.

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A Voepass foi apontada por realizar a troca de peças de aeronaves com defeito por outras que estavam “sabidamente com pane”, segundo o relatório final da investigação conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). O acidente envolvendo o voo 2283, que ocorreu em agosto de 2024 e resultou na morte de 62 pessoas, motivou essa apuração.

De acordo com o documento, a prática da empresa visava a “continuidade temporária e excepcional do voo”. O relatório esclarece que a substituição de um componente inoperante por outro com problemas não corrigidos permitiu que a aeronave fosse despachada para o voo. Como resultado, um novo registro de pane ocorria no voo seguinte, possibilitando mais um despacho baseado na lista de manutenção mínima (MEL) e assim, a continuidade da operação sem a devida correção das falhas.

“Essa conduta permitia a renovação sucessiva do item MEL sem que houvesse a efetiva correção da pane”, aponta o relatório.

O voo 2283 partiu de Cascavel, no Paraná, com destino ao aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, e caiu em Vinhedo, no interior paulista, na tarde do dia 9 de agosto de 2024.

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Outro ponto destacado na investigação foi que a Voepass aparentava realizar consertos nas aeronaves com defeito, mas na verdade burlava as normas de segurança aérea. O Cenipa identificou que a empresa estava colocando aviões com problemas técnicos para voar sem resolver efetivamente as panes, mascarando a gravidade da situação.

“Esse modelo, por si só, não configurava violação, desde que respeitados os limites de validade e os critérios da MEL”, esclareceu o relatório.

Entretanto, situações recorrentes foram observadas, nas quais os prazos da MEL expiravam em bases secundárias durante a noite. Para contornar isso, a empresa realizava testes operacionais que, muitas vezes, não restabeleciam a funcionalidade do sistema, resultando na liberação das aeronaves sem as devidas correções. A falha era então registrada novamente, estabelecendo um novo prazo para retificação, sem que a pane fosse realmente solucionada.

Além disso, o relatório concluiu que a aeronave envolvida no acidente não deveria ter decolado, uma vez que o sistema Airframe De-Icing, que protege contra o acúmulo de gelo, estava inoperante. Essa condição, juntamente com a possibilidade de formação de gelo durante o voo, indicava que a autorização para a decolagem não deveria ter sido concedida.

A aeronave ATR-72, de matrícula PS-VPB, enfrentou condições severas para formação de gelo durante o cruzeiro, o que comprometeu seu desempenho, levando à queda sobre uma área residencial em Vinhedo. O acidente resultou na morte de 58 passageiros e quatro tripulantes.

A Voepass, por sua vez, se manifestou afirmando que desde o início das apurações, a empresa tem colaborado de forma transparente com o Cenipa e as autoridades competentes, expressando solidariedade às famílias das vítimas do acidente.