Com greve contra Tarcísio e mais de 1.000 km de congestionamento, São Paulo vive novo dia de caos
Fonte: brasil247.com | Data: 04/08/2026 10:08:39
247 – A cidade de São Paulo registrou mais de 1.000 quilômetros de congestionamento ao longo da manhã desta terça-feira (4), em decorrência da greve nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). A paralisação dos ferroviários motivou a suspensão do rodízio municipal de veículos na tentativa de amenizar os impactos no trânsito da capital, segundo informações do monitoramento da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) reportadas pela Folha de São Paulo.
De acordo com os dados da CET, às 9h a capital paulista contabilizava 1.143 km de filas de trânsito. Para efeito de comparação, na primeira terça-feira de junho (2), a lentidão havia atingido 501 km no mesmo horário. A zona sul foi a mais afetada do município, somando 348 km de lentidão, seguida pela zona leste, com 323 km. A zona norte registrou 226 km, a zona oeste teve 199 km e o centro contabilizou 47 km de engarrafamento.
Operação parcial, trechos paralisados e transtornos
A paralisação dos trabalhadores teve início na madrugada desta terça-feira (4). As três linhas atingidas são vias fundamentais para a ligação entre o centro e a zona leste, a região mais populosa de São Paulo. Por volta das 5h47, as linhas 11-Coral e 12-Safira funcionavam de forma parcial: a linha 11-Coral operava entre as estações Barra Funda e Guaianases, enquanto a linha 12-Safira mantinha a circulação de trens entre Brás e Engenheiro Goulart.
A linha 13-Jade estava completamente parada no início da manhã, e o Expresso Aeroporto também não operou. Diante do cenário, os passageiros enfrentaram superlotação, atrasos e escassez de informações para chegar ao trabalho. Por outro lado, as demais linhas de trens (7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda e 10-Turquesa) e as linhas do Metrô não foram afetadas pela paralisação e mantiveram o funcionamento normal.
Em resposta à paralisação, o governo do estado de São Paulo adotou um plano de contingência para reforçar o transporte sobre trilhos. O Metrô antecipou o início da operação para as 4h e aumentou a oferta na linha 3-Vermelha. Já a CPTM acionou o Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência), mobilizando 128 ônibus. No entanto, o contingente de veículos foi insuficiente para atender à alta demanda, gerando longas filas e superlotação nas paradas dos coletivos.
Relatos de trabalhadores evidenciam gargalos no Paese
Muitos trabalhadores que encerraram o turno de madrugada não conseguiram embarcar de volta para casa. Na estação Engenheiro Goulart, na zona leste — ponto de integração entre as linhas 12-Safira e 13-Jade —, os ônibus do sistema Paese seguiam apenas para Guarulhos, Cecap e o Aeroporto Internacional de Guarulhos, partindo lotados. Passageiros que precisavam seguir no sentido Calmon Viana ficaram sem opção, sendo informados por funcionários de que os veículos para esse destino não haviam chegado.
O vigilante Jonathan Lopes Martins, de 28 anos, trabalhou durante a noite e a madrugada e tentava chegar à estação Aracaré, na linha 12. “Vim de Guaianases até aqui para pegar sentido Calmon Viana, mas não tem ônibus para lá ainda. Falaram que está sem prazo. Está indo só até Manuel Feio”, afirmou.
O também vigilante Wagner Batista, de 52 anos, morador de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, tentava um trajeto alternativo após sair do trabalho na estação Santa Cruz. “Normalmente chego em casa entre 9h30 e 10h. Hoje vai demorar bem mais. Da outra vez que queimou o trem, saí às 6h e só cheguei em casa às 14h”, relatou.
O vigia Marcos Antônio Vieira, de 54 anos, criticou a falha na cobertura do sistema emergencial ao chegar a Engenheiro Goulart após trabalhar durante a noite no Tucuruvi. “Está tendo transtorno porque está funcionando pela metade. Ou faz completo ou não faz, porque assim fica difícil para a gente voltar para casa”, desabafou. Questionada sobre a escassez de coletivos do Paese, a CPTM ainda não havia se manifestado.
Reivindicações da categoria, negociações e decisão judicial
A greve por tempo indeterminado foi aprovada na segunda-feira em votação promovida pelo STEFZCB (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil), na região do Brás. A categoria protesta contra o processo de concessão das linhas à iniciativa privada e aponta falhas operacionais apresentadas pela concessionária Trivia Trens após assumir a operação de trechos anteriormente geridos pela CPTM. Os ferroviários alegam risco de demissões, cobram garantias de estabilidade profissional e defendem a reestatização do serviço.
A CPTM e o governo estadual lamentaram a paralisação “mesmo após a apresentação de compromissos concretos e da disposição expressa da gestão estadual para avançar nas negociações”. Em nota conjunta, ressaltaram que, em reunião no dia anterior, o Estado reiterou a intenção de preservar postos de trabalho e analisar projetos de lei de interesse da categoria. Entre as propostas apresentadas estão a absorção de empregados por outros órgãos públicos estaduais, a discussão sobre a incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão pela CPTM e a inclusão dos trabalhadores no Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual).
No âmbito jurídico, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou a manutenção de 80% do efetivo de funcionários nos horários de pico e de 60% nos demais períodos. A decisão prevê multa diária de R$ 400 mil em caso de descumprimento por parte do sindicato. Para conter os reflexos do movimento nas vias da capital, a Prefeitura de São Paulo manteve a suspensão do rodízio municipal de veículos ao longo do dia.
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