Greve dos ferroviários afeta 1 milhão de pessoas em São Paulo
Fonte: correiobraziliense.com.br | Data: 04/08/2026 14:08:04
Um milhão de passageiros que utilizam o transporte ferroviário para se locomover em São Paulo tiveram que arranjar outras formas para se deslocar ao trabalho nesta terça-feira (4/8). Isto porque o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil aprovou uma greve que afetou diretamente as operações de três linhas do mapa de transporte metropolitano da capital paulista.
De acordo com uma última atualização do Governo de São Paulo, as linhas 11-Coral e 12-Safira voltaram a operar no fim da manhã, mas ainda não totalmente. Enquanto a primeira conecta a Estação da Luz à cidade de Mogi das Cruzes, passando pela Zona Leste da capital, a segunda liga a Estação do Brás à cidade de Poá, também na região metropolitana.
Por outro lado, a Linha 13-Jade segue totalmente paralisada, segundo o Palácio dos Bandeirantes. Esta última é responsável pela ligação entre o Aeroporto de Guarulhos e a Estação Engenheiro Goulart, também na Zona Leste da capital.
Descumprimento de ordem judicial
Na véspera da paralisação, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) determinou que a operação nas três linhas afetadas ocupasse ao mínimo 80% do efeito nos horários de pico e de 60% dos demais períodos.
O governo paulista, no entanto, alega que a decisão foi descumprida pelo sindicato e que, de acordo com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), responsável pela operação das linhas, todas elas operam abaixo do limite mínimo previsto pela ordem judicial.
Segundo a CPTM, no horário de pico desta terça-feira, no início da manhã, apenas 67% do efeito ferroviário nos três ramais operavam efetivamente, abaixo dos 80% previstos pelo TRT-2. A companhia ainda informou que apenas três dos 126 maquinistas escalados para o período da manhã compareceram ao trabalho, o que levou com que fossem escalados 21 supervisores para conduzir os trens.
Entre as medidas de contingência adotadas pelo governo de São Paulo e a Prefeitura, está o reforço de novos ônibus para as regiões afetadas. Ao todo, 128 veículos foram acionados para auxiliar no deslocamento dos passageiros. Além disso, a prefeitura determinou a suspensão do rodízio de carros no centro expandido para esta terça-feira.
Motivação da greve
A greve dos ferroviários foi aprovada em assembleia-geral da categoria na véspera da paralisação. Ela teve início às 00h e a motivação principal, de acordo com o sindicato, é a privatização das linhas operadas pela CPTM. Eles alegam que a mudança trouxe prejuízos para os passageiros, devido a falhas nas operações em algumas linhas, além da falta de investimentos por parte das concessionárias.
Em nota publicada no último dia 27 de julho, o sindicato Central do Brasil destacou que busca diálogo com o governo do estado para “garantir a manutenção dos empregos e preservar a experiência de quem dedicou a vida ao transporte ferroviário”.
“A greve é a última medida a ser usada pelos trabalhadores(as), que seguem unidos na defesa dos empregos, da valorização profissional e da continuidade de um serviço ferroviário de qualidade para a população paulista”, destacou, em nota, a entidade sindical.
Reação de Tarcísio
Em meio à tentativa de negociação com a categoria, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, usou as redes sociais para criticar o movimento e escreveu no X que considera a greve desta terça-feira como o resultado de uma “instrumentalização política para prejudicar o passageiro e o cidadão de bem”.
“A aposta na baderna e na paralisia dos serviços não vai intimidar o governo, que esteve e seguirá aberto ao diálogo. Uma concessão é feita para melhorar os serviços, eliminar problemas de via permanente, trazer trens novos, garantir estações mais acessíveis, eliminar falhas na via aérea de alimentação e nas subestações, estender as linhas até Bonsucesso ou até César de Souza e dar mais confiança ao sistema”, destacou Tarcísio, no X.
O governador ainda associou o movimento grevista à proximidade das eleições e defendeu que as linhas concedidas à iniciativa privada estão em operação “normalmente”. “Negociações aconteceram, garantias de manutenção de emprego foram dadas e descartadas pelo sindicato, que não só ignorou a proposta do governo, como também, mais uma vez, ignora a decisão da Justiça do Trabalho”, acrescentou.
Sobre a declaração de Tarcísio, o sindicato redigiu uma outra nota no qual afirma que “em nenhum momento”, teria se oposto a “investimentos, modernização ou melhorias” no transporte público. Por outro lado, a categoria voltou a manifestar que não recebeu garantias suficientes do governo estadual para os trabalhadores.
“Nossa luta nunca foi contra a população. Nossa luta é por um transporte público de qualidade, a valorização dos Ferroviários e pela preservação dos empregos de milhares de famílias que ajudaram a construir a qualidade do transporte ferroviário em São Paulo”, frisou.
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