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Brasileiro vive mais, mas não necessariamente melhor; os hábitos que podem definir como será sua velhice

Fonte: correio24horas.com.br | Data: 04/08/2026 13:50:53

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Com a população envelhecendo rapidamente, especialistas alertam que muitas doenças crônicas começam a se desenvolver décadas antes dos primeiros sintomas

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  • Perla Ribeiro

Publicado em 4 de agosto de 2026 às 13:47

Cuidado
Brasileiro vive mais, mas não necessariamente melhor; os hábitos que podem definir como será sua velhice Crédito: Reprodução

Os brasileiros nunca viveram tanto. Segundo o IBGE, a expectativa de vida ao nascer chegou a 76,6 anos, o maior índice da série histórica. Mas esse avanço traz um desafio cada vez mais evidente: viver mais não significa, necessariamente, envelhecer com saúde.
A preocupação ganha ainda mais força diante das projeções demográficas. Até 2070, pessoas com 60 anos ou mais deverão representar 37,8% da população brasileira, transformando o envelhecimento em uma das principais questões de saúde pública do país.

No Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto, especialistas defendem que é preciso mudar a forma de encarar a prevenção. Em vez de agir apenas quando surgem doenças como diabetes, hipertensão ou problemas cardiovasculares, o foco deve ser preservar a capacidade física, mental e metabólica ao longo de toda a vida.

São quatro chalés para quatro casais. por Imagem: Divulgação

“O objetivo não deve ser apenas aumentar a quantidade de anos vividos, mas garantir que esses anos sejam acompanhados de independência, disposição e qualidade de vida. Muitas doenças que aparecem depois dos 60 anos começam a se desenvolver silenciosamente décadas antes”, afirma Alexandre Duarte, médico, professor, pesquisador em fisiologia metabólica e hormonal e fundador do Instituto Avantgarde.

A visão está alinhada ao Relatório Mundial sobre Envelhecimento e Saúde, da Organização Mundial da Saúde (OMS), que destaca que envelhecer de forma saudável depende principalmente da manutenção da capacidade funcional — conceito que engloba mobilidade, cognição, autonomia e bem-estar —, e não apenas da ausência de doenças.

O envelhecimento começa muito antes da velhice

Segundo Alexandre Duarte, um dos maiores equívocos é acreditar que prevenção significa apenas fazer exames periódicos ou iniciar um tratamento após um diagnóstico.
Na prática, o desgaste do organismo costuma ocorrer lentamente, impulsionado por hábitos repetidos durante anos.

“A perda de massa muscular, a resistência à insulina, o excesso de gordura visceral e o processo inflamatório não surgem de uma hora para outra. São alterações que podem permanecer silenciosas durante décadas. Quando aparecem limitações físicas ou doenças crônicas, recuperar plenamente a capacidade funcional se torna muito mais difícil”, explica.

Os hábitos que fazem diferença no futuro
Embora não exista uma fórmula capaz de impedir o envelhecimento, especialistas afirmam que algumas escolhas cotidianas podem aumentar significativamente as chances de chegar à terceira idade com autonomia e qualidade de vida.

Hábitos que ajudam a envelhecer melhor

  • Priorizar alimentos naturais e reduzir o consumo de ultraprocessados;
  • Praticar atividade física regularmente, combinando caminhadas e fortalecimento muscular;
  • Dormir entre sete e nove horas por noite;
  • Controlar o estresse;
  • Evitar cigarro e consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
  • Fazer consultas e exames preventivos regularmente;
  • Manter o cérebro ativo por meio da leitura, do aprendizado contínuo e da convivência social.

“São hábitos simples, mas que influenciam diretamente a saúde metabólica e aumentam as chances de chegar ao envelhecimento com autonomia”, afirma o especialista.

Doenças crônicas desafiam o sistema de saúde

A mudança de comportamento também é vista como uma necessidade para o sistema público de saúde.
Dados do Ministério da Saúde mostram que doenças crônicas não transmissíveis — como enfermidades cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas — continuam entre as principais causas de morte no Brasil e respondem pela maior parte da demanda por atendimento no SUS.

Para Alexandre Duarte, esperar o surgimento da doença para mudar de vida significa desperdiçar uma oportunidade importante de prevenção.
“Esperar o aparecimento da hipertensão, do diabetes ou das primeiras limitações para mudar hábitos significa perder uma parte importante da oportunidade de prevenção. O envelhecimento saudável não começa aos 60 anos. Ele é resultado das escolhas feitas diariamente ao longo da vida”, destaca.

Em um país que envelhece cada vez mais rápido, a discussão proposta pelo Dia Nacional da Saúde vai além do aumento da expectativa de vida. A grande questão passa a ser como viver esses anos a mais — com independência, mobilidade e qualidade de vida.
“O maior patrimônio que uma pessoa pode construir ao longo da vida é a capacidade de continuar independente. Envelhecer com saúde não acontece por acaso. É resultado das escolhas feitas diariamente muito antes da velhice chegar”, ressalta Alexandre Duarte.