Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Quanto vale uma hora do corretor de seguros? Essa startup aposta que ela não deve ser gasta procurando documentos

Fonte: sulseguro.com | Data: 04/08/2026 21:30:16

🔗 Ler matéria original

Em um mercado onde cada minuto pode significar uma nova venda, uma renovação bem conduzida ou a fidelização de um cliente, o maior desperdício talvez não esteja na falta de oportunidades, mas no excesso de tarefas que afastam o corretor de seguros daquilo que realmente importa. Localizar uma apólice, conferir uma cobertura, procurar uma conversa antiga no WhatsApp, responder às mesmas dúvidas dezenas de vezes ou navegar entre diferentes sistemas ainda faz parte da rotina de milhares de profissionais no mercado de seguros

É justamente nesse cenário que a Segura vem construindo sua proposta de valor. Em vez de desenvolver uma inteligência artificial para substituir o corretor, a startup brasileira aposta em uma tecnologia capaz de assumir o trabalho operacional dos bastidores, devolvendo tempo para que o profissional concentre sua energia no relacionamento, na consultoria e na construção de confiança com os clientes. 

“A inteligência artificial não deve substituir o relacionamento. Ela deve preparar o corretor para se relacionar melhor”, resume Luis Alberto (Bebeto) Nogueira, CEO e cofundador da Segura. “Nosso objetivo não é afastar o corretor do cliente, mas retirar da frente dele as tarefas que hoje dificultam esse contato.” 

Na prática, a tecnologia desenvolvida pela empresa funciona como uma assistente inteligente integrada ao ambiente em que boa parte dos corretores já trabalha diariamente: o WhatsApp. Por meio da Helena, inteligência artificial criada pela startup, o profissional pode consultar rapidamente informações de apólices, verificar coberturas, localizar condições gerais, recuperar históricos de atendimento e esclarecer dúvidas recorrentes sem precisar navegar por diversos sistemas ou arquivos espalhados em diferentes plataformas. Tudo acontece de forma natural, reduzindo o tempo gasto em atividades administrativas. 

Segundo a Segura, esse apoio representa uma economia média de até duas horas por semana, aproximadamente oito horas por mês, além de reduzir entre 25% e 50% do retrabalho em determinadas operações. Mais do que números, a percepção dos próprios usuários reforça esse resultado: a plataforma registra NPS de 94 entre os corretores que utilizam a solução. 

“A tecnologia devolve aos corretores tempo para as atividades em que eles realmente geram valor: entender o cliente, recomendar a proteção adequada, negociar e construir relações de confiança”, afirma Bebeto. 

A experiência adquirida junto às mais de 5 mil corretoras que utilizam a plataforma também permitiu à startup identificar um problema comum em praticamente todas elas: a fragmentação das informações. Dados espalhados entre sistemas de gestão, planilhas, documentos, portais de seguradoras e conversas no WhatsApp tornam a operação mais lenta, aumentam o retrabalho e dificultam o acompanhamento de oportunidades comerciais e das demandas dos clientes. 

“A operação do mercado ainda é muito fragmentada. A inteligência artificial organiza essas informações, integra processos e transforma dados dispersos em uma operação muito mais eficiente”, explica o CEO. 

Essa atuação, porém, vai além do ganho de eficiência para os corretores. A Segura está construindo uma infraestrutura de inteligência artificial capaz de conectar as diferentes pontas do mercado de seguros, integrando corretoras, seguradoras e clientes em uma jornada mais inteligente, eficiente e conectada.

Hoje, a empresa também atua ao lado de algumas das principais seguradoras do país, apoiando a criação de jornadas mais simples e eficientes para os corretores. Por meio da inteligência artificial, conecta informações, produtos e processos, reduzindo atritos na distribuição de seguros e fortalecendo a relação entre todos os participantes do ecossistema.

Na avaliação da empresa, um dos grandes desafios para ampliar a penetração do seguro no Brasil não está apenas na criação de novos produtos, mas na capacidade de fazer com que o corretor consiga atender mais clientes com qualidade, identificar oportunidades dentro da carteira e responder de forma mais rápida às demandas do mercado.

“A inteligência artificial não aumenta a penetração do seguro sozinha. Ela cria a infraestrutura para que o mercado opere melhor e para que o corretor consiga exercer seu papel em uma escala muito maior”, afirma Bebeto. 

O momento vivido pela startup reforça essa estratégia. Recentemente, a Segura recebeu um aporte de R$ 45 milhões, em uma rodada liderada pelos fundos Andreessen Horowitz (a16z) e Kaszek, com participação da big_bets. Os recursos serão direcionados ao desenvolvimento de novas funcionalidades da Helena, à ampliação das integrações com seguradoras e parceiros do ecossistema e ao fortalecimento da plataforma como uma infraestrutura tecnológica para o mercado de seguros

Apesar do avanço acelerado da inteligência artificial, Bebeto acredita que o diferencial competitivo do corretor continuará sendo essencial.

“Daqui a cinco anos, imagino um corretor muito menos sobrecarregado por atividades administrativas e muito mais estratégico. A tecnologia deverá organizar informações e apoiar decisões, enquanto o profissional continuará responsável por compreender riscos, orientar clientes e construir relações de confiança”, afirma. 

Para ele, quanto mais automatizado se tornar o mercado, maior será o valor das competências exclusivamente humanas.

“Em um mercado com mais automação, a confiança humana fica mais escassa e, justamente por isso, mais valiosa.” 

Essa talvez seja a principal mensagem da Segura em um momento em que a inteligência artificial desperta entusiasmo e, ao mesmo tempo, receios no mercado de seguros. A tecnologia não chega para substituir o corretor. Ela chega para retirar do caminho tudo aquilo que impede esse profissional de fazer aquilo que nenhuma máquina consegue reproduzir: ouvir, orientar, interpretar necessidades e construir relações de confiança que continuam sendo a base do negócio de seguros