Os critérios médicos da síndrome metabólica
Fonte: revistaadnormas.com.br | Data: 04/08/2026 22:02:09
A síndrome metabólica (SM) é um conjunto de fatores de risco metabólicos que incluem hipertensão arterial sistêmica (HAS), obesidade central, disglicemia e dislipidemia aterogênica, todos intimamente associados à resistência à insulina. Esses fatores aumentam o risco de desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e doença cardiovascular (DCV) aterosclerótica e não aterosclerótica.
A resistência à insulina é o elo fisiopatológico central da SM, associada a um estado inflamatório crônico de baixo grau, com produção de citocinas inflamatórias pelo tecido adiposo visceral, como TNF-a e IL-6, que contribuem para a disfunção metabólica e aumento do risco cardiovascular. A obesidade, especialmente a obesidade visceral, é um fator determinante, pois o tecido adiposo visceral tem maior atividade lipolítica e secreção de peptídeos que promovem resistência à insulina e inflamação.
O diagnóstico da síndrome metabólica é baseado na presença de pelo menos três dos cinco critérios a seguir, conforme consenso internacional (IDF, NIH, AHA, Federação Mundial do Coração, Associação Internacional para o Estudo da Obesidade): aumento da circunferência abdominal (=102 cm em homens e =88 cm em mulheres. Pacientes em uso de medicação para controle de hipertrigliceridemia, HDL baixo, hipertensão ou hiperglicemia também são considerados portadores dos fatores de risco.
Na avaliação clínica, além da medição da circunferência abdominal, pode-se observar sinais como acantose nigricans, que indica hiperinsulinemia e resistência à insulina. A silhueta corporal em “maçã” sugere maior adiposidade visceral, associada a maior risco metabólico.
A prevalência da síndrome metabólica tem aumentado globalmente, acompanhando o crescimento da obesidade e do sedentarismo. A SM está associada a um aumento significativo da mortalidade, com risco de falecimento por doença cardiovascular até três vezes maior que a população geral.
A base do tratamento da síndrome metabólica é a modificação do estilo de vida, incluindo: dieta hipocalórica com baixo teor de gordura saturada e açúcares simples, aumento do consumo de frutas, vegetais e grãos integrais, atividade física regular, com pelo menos 150 minutos semanais de exercício moderado e cessação do tabagismo.
Quando as medidas não farmacológicas não forem suficientes, pode-se considerar a farmacoterapia para os componentes específicos da síndrome, como hipertensão, dislipidemia, obesidade e resistência à insulina, com metas individualizadas e acompanhamento periódico. O CRM-MG: Parecer 151 descreve que, em uma sociedade em que os valores e questões estéticas são tão valorizados, acredita-se que esse possa ser o fator determinante que leva os pacientes a buscarem ajuda de médico, nutricionista, ou educador físico com o intuito de promover a perda peso.
Por se tratar de uma enfermidade crônica, existe nesse grupo de pacientes um sério comprometimento emocional e mesmo uma perturbação da identidade dissociativa. Esses indivíduos reportam inúmeras tentativas prévias como o intuito de perda ponderal, relatando o uso de dietas hipocalóricas, ora orientada por profissionais e ora não, com vários nomes pomposos, prática de exercícios físicos e do uso de medicamentos que não promoveram os efeitos desejados da tão almejada perda ponderal.
Há atualmente diversas abordagens terapêuticas, cirúrgicas ou não, que objetivam promover a perda de peso, auxiliando no emagrecimento, baseadas em princípios científicos e que promoveriam de forma prolongada a manutenção do restabelecimento da saúde em seu mais amplo sentido. Diversas são as técnicas propostas que teriam o objetivo de diminuição da cavidade gástrica como fator determinante para proporcionar a perda de peso.
Entre as técnicas não cirúrgicas temos o balão intragástrico, que foi desenvolvido para ser um método temporário cujo primeiro objetivo é tratar pacientes que estão 40% acima do peso ideal, que não tenham apresentado resposta satisfatória a tratamentos clínicos prévios. Outra indicação seria para pacientes com obesidade mórbida e alto risco cirúrgico, que necessitam perder peso para estarem aptos a realizarem a cirurgia bariátrica metabólica, ou seja, uma ponte para propiciar a esse grupo de pacientes superobesos um pós-operatório com menor índice de morbimortalidade.
O balão reduz capacidade de reserva gástrica, o volume do balão a ser utilizado é calculado para cada paciente, promovendo uma sensação de saciedade precoce, fazendo com que haja a ingestão de menores quantidades de alimentos. É um auxiliar do processo de emagrecimento, visto que, por si só, não garante perda de peso, mas é extremamente eficiente quando combinado com mudanças de hábitos alimentares, por meio de uma dieta hipocalórica, e a uma rotina de exercícios físicos regulares.
Há de se ressaltar a necessidade de acompanhamento psicológico, de uma nutricionista e de um educador físico. O paciente obeso deverá ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar para garantir a manutenção de seus resultados em longo prazo.
A colocação e retirada do balão intragástrico é realizada por meio de um procedimento endoscópico com duração média de 40 a 60 minutos. Tal procedimento realiza-se sob anestesia geral inalatória.
Com alta hospitalar realizada no mesmo dia. Após seis meses de tratamento, os pacientes apresentaram, em média, perda de 48% do excesso de peso inicial e uma redução de 5,3% do seu IMC.
Cerca de 40% dos pacientes apresentam náuseas e vômitos nos primeiros três dias após a colocação, sintomas que podem ser controlados com o uso de antieméticos e antiespasmódicos. (Brazilian multicentric study of the intragastric balloon, uma pesquisa Sallet J. A. et al.) O monitoramento dos pacientes por cerca de dois anos após retirada do balão intragástrico apresentou resultados de quatro a cinco vezes mais eficiente
Artigo atualizado em 22/07/2026 03:26.