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Azeite volta a ser ameaçado por calor extremo e incêndios na Europa | G1

Fonte: g1.globo.com | Data: 05/08/2026 02:17:19

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Produtores alertam que a combinação desses fatores tem reduzido a produtividade das lavouras, comprometido a qualidade dos frutos e elevado os custos de produção, o que pode resultar em novos aumentos nos preços de alimentos como o azeite de oliva.

Estudos climáticos mostram que o número de dias de verão com condições extremas favoráveis à propagação de incêndios, combinação de calor, seca e vento, dobrou desde 1981, reforçando a vulnerabilidade estrutural dos olivais e de outras culturas mediterrâneas.

A preocupação é compartilhada por instituições e entidades do setor agrícola. No início de julho, a Comissão Europeia apontava uma redução dos preços do azeite de oliva desde abril, devido ao excesso da produção italiana.

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Contudo, revisou sua previsão para a produção de azeite do bloco, que deve recuar 5% no ciclo 2025/26. A queda é puxada sobretudo pela Grécia, onde a produção deve encolher 18%.

O relatório alertava que as perspectivas para a próxima safra dependiam da ausência de novos eventos climáticos extremos, devido à vulnerabilidade dos olivais.

Poucas semanas depois, esse cenário de risco começou a se concretizar. Segundo o jornal britânico The Guardian, a associação agrícola espanhola ASAJA afirma que os incêndios florestais que se intensificaram no país a partir de meados de julho atingiram pomares, vinhedos, áreas agrícolas, estufas e olivais, afetando produtos como frutas cítricas, abacates, amêndoas, hortaliças e azeitonas. Milhares de hectares foram devastados.

Para a entidade, a principal preocupação não é a redução das exportações, mas o aumento dos custos de produção, que tende a ser repassado aos consumidores.

A Espanha também segue enfrentando restrições hídricas que reduzem a umidade do solo e aumentam o risco de queda prematura das azeitonas.

Além disso, antes mesmo dos incêndios de julho, a colheita de cereais no país já havia sido revista para baixo, de 24 milhões para cerca de 18,5 milhões de toneladas, ampliando a pressão sobre os preços agrícolas.

Por ser a maior produtora mundial de azeite, a Espanha tem papel central na formação dos preços globais. O portal Data España ressalta que a estabilidade do mercado continua frágil após a queda recente dos custos do azeite, que sucedeu um período de valores recordes.

No início do ano, chuvas intensas provocaram alagamentos em áreas produtoras e reduziram as previsões de colheita. Agora, a seca extrema e os incêndios voltam a ameaçar a produção.

Trabalhadores usam ramos de oliveira para tentar apagar as chamas no vale de Mégara, Grécia — Foto: REUTERS/Louisa Gouliamaki

Grécia luta contra destruição de olivais

O impacto sobre o azeite é particularmente relevante na Grécia. “É uma sensação terrível quando você constrói algo com tanto esforço, e quando dinheiro não é fácil de conseguir”, disse a produtora Anastasia Hatzoglou à Reuters sobre as queimadas no país.

As chamas, que se espalharam rapidamente, destruíram florestas exuberantes e causaram grandes danos a oliveiras poucos meses antes da colheita, um ritual anual muito aguardado em muitos lares gregos.

Ela afirmou que sua casa sofreu danos extensos e que suas oliveiras foram queimadas. “Foi tanto esforço, e quando você dedica cuidado à sua propriedade, à sua terra, ao azeite que produz todos os anos, não é nada bom”, contou.

Segundo o portal grego Neakriti, o déficit hídrico, agravado pelas ondas de calor e pelos incêndios tem reduzido a produtividade dos olivais no país.

Além dos danos provocados diretamente pelo fogo, produtores relatam prejuízos causados pela fumaça, pela piora da qualidade do ar e pela maior incidência de pragas e doenças favorecidas pelas temperaturas elevadas.

O resultado pode ser a redução do tamanho dos frutos e da qualidade do azeite produzido.

O portal italiano Dissapore descreve cenário semelhante em outros países mediterrâneos. De acordo com a publicação, incêndios atingiram olivais na Grécia, Itália e Portugal. O calor prolongado facilita também o avanço de pragas.

Helicóptero de combate a incêndios florestais em ação no Monte Kitheronas, perto de Psatha, a oeste de Atenas, Grécia — Foto: REUTERS/Louisa Gouliamaki

Produção agrícola afetada

Os impactos climáticos não se limitam às oliveiras. Segundo o jornal The Guardian, a associação francesa Légumes de France estima perdas de milhares de toneladas de hortaliças, incluindo alface, cenoura, alho, cebola e alho-poró.

Em algumas regiões, a produção pode cair até 50% devido à falta de chuva e à escassez de água. O clima extremo ainda afeta vinhedos de regiões tradicionais como Champagne, Bordeaux e Borgonha, onde o amadurecimento acelerado das uvas ameaça reduzir os rendimentos da safra.

O calor extremo provocou mais de 1.300 mortes apenas na última semana de junho, além de interrupções em serviços públicos, derretimento de asfalto e cancelamento de eventos em várias cidades europeias.

Cientistas afirmam que esse tipo de evento teria sido “praticamente impossível” sem o aquecimento global, e que a Europa já aquece duas vezes mais rápido que a média mundial, com temperaturas médias 2,5 °C acima dos níveis pré-industriais.

Esse conjunto de fatores consolidou 2026 como um dos verões mais extremos do continente, agravando a pressão sobre sistemas agrícolas vulneráveis.