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Carter Center dos Estados Unidos desiste de acompanhar eleições no Brasil por falta de recursos

Fonte: gazetadopovo.com.br | Data: 05/08/2026 08:06:08

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Carter Center comunicou ao TSE que não enviará observadores para acompanhar as eleições brasileiras de 2026 por dificuldades de financiamento.

Carter Center comunicou ao TSE que não enviará observadores para acompanhar as eleições brasileiras de 2026 por dificuldades de financiamento. (Foto: Alejandro Zambrana/TSE)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não terá o acompanhamento do Carter Center no pleito de outubro. A entidade formalizou a desistência à Justiça Eleitoral e deixou o pleito no Brasil sem a presença da única organização dos Estados Unidos convidada para observar a disputa.

Fundado em 1982 pelo ex-presidente americano Jimmy Carter e por sua esposa Rosalynn Carter, o centro acumula bagagem em mais de uma centena de missões eleitorais espalhadas por quatro décadas e cerca de 40 países. Em 2022, quatro especialistas do grupo atuaram no Brasil durante dois meses para elaborar um diagnóstico detalhado do processo de votação.

Desta vez, a escassez de recursos impede a participação da equipe. De acordo com a Carter, a crise financeira da instituição decorre do enxugamento de verbas destinadas à cooperação internacional pela administração pública dos Estados Unidos.

A entidade financia suas atividades com aportes de governos, empresas, fundações, agências multilaterais e doadores individuais. Historicamente, os Estados Unidos lideravam os repasses por meio da Agência para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) e do Departamento de Estado, ao lado de países europeus (como Reino Unido, Irlanda, Alemanha e Bélgica) e da própria União Europeia.

Cortes de Trump e missão da UE dificultam retorno do Carter Center ao Brasil

A diretora executiva do Carter Center, Paige Alexander, apontou que quase 10% do orçamento anual da instituição foi comprometido com os cortes aplicados pela administração Trump, na assistência externa. Estimativas divulgadas pelo jornal Atlanta Journal-Constitution indicam prejuízo próximo a US$ 11 milhões (cerca de R$ 56,4 milhões).

A escassez de fundos globais ganhou o reforço de um obstáculo diplomático: a União Europeia estruturou, de forma inédita, uma missão própria para acompanhar a eleição no Brasil.

Como parte expressiva do caixa do Carter Center vinha de capitais europeias, diversos governos migraram seus investimentos para a iniciativa do bloco europeu. Regulamentos internos proíbem a entidade americana de aceitar dinheiro público ou privado vindo do próprio país auditado.

Carter Center apontou confiança nas urnas, mas fez ressalvas sobre combate à desinformação

No relatório referente ao pleito de 2022, o Carter Center ressaltou que a limitação orçamentária e a exiguidade de tempo barraram análises mais aprofundadas sobre o software das urnas e a apuração final. Ainda assim, a equipe examinou a polarização política, a transparência institucional e o combate às notícias falsas.

O diagnóstico apontou que as lideranças brasileiras consultadas demonstraram plena confiança na lisura do voto e atestaram a segurança das urnas eletrônicas.

Sobre o combate à desinformação exercido pelo TSE, a entidade fez ressalvas: indicou a falta de um arcabouço jurídico capaz de equilibrar a liberdade de expressão e a moderação de conteúdos de ódio. O texto recomendou que plataformas digitais não sofram responsabilização civil por publicações de terceiros, exceto quando descumprirem ordens judiciais diretas. Entre as sugestões finais, o centro defendeu o aumento de locais de votação acessíveis e o fomento a parcerias universitárias para auditorias independentes.

OEA e União Europeia lideram observadores internacionais nas eleições brasileiras

Apesar da ausência do Carter Center, o TSE confirma a presença de outros grupos internacionais. A Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União Europeia lideram a lista de observadores confirmados. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore) também pretendem enviar comitivas.

A União Africana, a Liga Árabe e o Parlamento do Mercosul (Parlasul) receberam convites do tribunal, mas não formalizaram adesão até o momento.

A Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais (Ifes), outra organização dos Estados Unidos que atuou em 2022, ficou fora da lista de convidados. O TSE avaliou que a dependência excessiva da verba da Usaid inviabilizaria os custos operacionais do grupo neste ano.

TSE busca ampliar observação internacional diante de risco de questionamentos ao pleito

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, incentiva a presença de auditores externos para reforçar a legitimidade das urnas e blindar o resultado de contestações infundadas.

No Executivo, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) projeta eventuais investidas estrangeiras para desacreditar o sistema de votação. O alerta acendeu após reportagem do The Washington Post revelar um plano de auxiliares de Donald Trump para enviar delegados ao Brasil com o objetivo de lançar dúvidas sobre a integridade do pleito. O roteiro previa inclusive agendas com integrantes do TSE, mas o Itamaraty negou os vistos de entrada.