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Paulo Bonavides transformou o medo do dentista em um encontro com afeto: “A criança é muito mais do que um diagnóstico”

Fonte: invoga.com.br | Data: 05/08/2026 20:00:27

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Entre jalecos coloridos, números de mágica e milhões de visualizações nas redes sociais, Paulo Bonavides, o Tio Paulo, mostra como arte, ciência e humanização podem mudar a forma como crianças e famílias vivem a odontologia. Em entrevista exclusiva à INVOGA Saúde, ele fala sobre inclusão, acolhimento e o compromisso de cuidar de pessoas antes mesmo de cuidar dos dentes.

Por muitos anos, o consultório odontológico ocupou um lugar de medo no imaginário infantil. O som do motor, a lembrança da dor e a ansiedade transformaram a ida ao dentista em uma experiência que muitas famílias tentavam adiar ao máximo. Paulo Bonavides decidiu seguir o caminho contrário.

Dentista, professor, ator e criador de conteúdo, ele encontrou na arte uma forma de ressignificar esse encontro. Antes mesmo de viralizar nas redes sociais durante a pandemia, já vestia o nariz de palhaço para atender crianças, unindo o universo do circo à odontologia em um trabalho que nasceu ainda na faculdade e que hoje alcança milhões de pessoas dentro e fora do Brasil.

No consultório, o atendimento vai além da técnica. Há espaço para brincadeiras, acolhimento, escuta e tempo para conhecer cada família. Crianças com autismo, síndrome de Down e diferentes necessidades são recebidas sem rótulos, porque, para Tio Paulo, antes de qualquer diagnóstico existe uma criança que merece respeito, carinho e a oportunidade de viver uma experiência positiva.

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Ao longo desta entrevista, ele reflete sobre como transformou uma profissão historicamente associada ao medo em um ambiente de confiança, fala sobre o impacto da humanização na saúde, a responsabilidade de influenciar profissionais de todo o país e a importância de lembrar que, antes de qualquer profissão ou título, todos somos pessoas cuidando de pessoas.

1 — Você transformou um dos momentos mais temidos da infância em algo que as crianças esperam ansiosas. Como você descobriu que o lúdico poderia ser uma ferramenta tão poderosa dentro do consultório?

Resposta: Eu acho que descobri isso através do que eu sempre fiz a minha vida inteira, que foi através da arte. Eu acho que, quando a gente lida junto com a arte, é muito mágico. Apesar de as coisas serem muito distantes, as minhas duas profissões, tanto a odontologia quanto a arte, o circo, ambas trabalham com um sorriso. Então eu acho que, claro, o dentista nunca vai ser como ir ao shopping, ir ao cinema, ir ao circo ou ir ao teatro, mas, se a gente puder deixar essa experiência menos traumática, menos, entre aspas, “menos pior”, transformando-a em algo mais leve, mais light, mais gostoso, para que o paciente se sinta mais acolhido através do sorriso, da brincadeira, do amor, do colo e do carinho, eu acho que funciona. Eu sempre fiz isso desde a época da faculdade. Na verdade, o Tio Paulo viralizou na pandemia, mas eu sempre fui o Tio Paulo. Tanto é que o meu trabalho de conclusão de curso foi sobre clownterapia, em que eu me vestia de palhaço e unia a arte, muitas vezes, à dor do paciente. Eu sempre fui muito questionado sobre como conseguiria juntar duas profissões tão distintas: uma da alegria e a outra, muitas vezes, relacionada à dor, ao medo e à ansiedade. E, através do meu jeitinho Tio Paulo, eu consegui unir essas duas áreas e, graças a Deus, conquistar o público. Hoje é um sucesso nacional.

2 — Você atende crianças com autismo, síndrome de Down e diferentes necessidades. O que esse contato te ensinou sobre empatia e sobre o que realmente significa cuidar de alguém?

Resposta: Eu acho que o que eu mais aprendi nisso tudo é que a criança não deve receber uma etiqueta, como “síndrome de Down”, “autista” ou qualquer outra deficiência. Eu acho que o que eu mais aprendi foi olhar a criança como uma criança mesmo. Quando a gente coloca uma etiqueta e coloca essa criança dentro de uma gavetinha por causa de alguma condição que ela tem, literalmente estamos excluindo essa criança da sociedade. E, na verdade, a nossa ideia é fazer exatamente o contrário: furar essa bolha e promover a inclusão. Então, quando a gente lida com esses pacientes e entende que, antes de ser uma criança com síndrome de Down, antes de ser um paciente autista, ele é uma criança que merece respeito, carinho, como o ser humano lindo que é, esperto, alto, baixo, inteligente, e que, por um acaso, tem uma deficiência, ou teve uma alteração no cromossomo 21 e tem síndrome de Down, ou, por um acaso, tem algum problema cognitivo, a gente consegue entender que essa criança é muito mais do que uma síndrome ou uma dificuldade. E eu acho que o que eu mais aprendo com elas no dia a dia é a ingenuidade da criança. Quando não está bom, não está bom. Quando não gosta, não gosta. Mas, quando gosta, ama. Quando sente vontade de abraçar, abraça sem rancor. Muitas vezes, na cadeira, vem o medo, a ansiedade, o choro, mas depois ela diz: “Parabéns, você foi maravilhoso”, vem, dá um abraço, um beijo, de uma forma sincera, coisa que, muitas vezes, o adulto não consegue fazer sem esconder uma certa falsidade. A criança, não. A criança é muito natural. Então eles me ensinam todos os dias sobre ser você mesmo, ter naturalidade e acreditar em um Brasil melhor, em um mundo melhor, um país onde as pessoas sejam mais amorosas e tenham mais esperança. Todos os dias eu aprendo e ainda tenho muito a aprender com essas crianças. Eu acho que elas vieram para ensinar todos nós a sermos seres humanos melhores.

3 — O medo do dentista é quase um consenso cultural. Na sua visão, o que precisa mudar na forma como a odontologia se relaciona com os pacientes, especialmente as crianças?

Resposta: Eu acho que, por muitos e muitos anos, a odontologia foi vista como uma profissão tenebrosa. Ela ainda é vista assim, né? As pessoas têm muito medo do dentista porque, antigamente, procuravam o dentista exclusivamente em casos de dor. A prevenção, a aplicação de flúor e a evidenciação de placa bacteriana eram feitas por dentistas nas escolas, inclusive nas escolas públicas. Depois isso foi retirado e hoje é feito nos consultórios, nas UBS e em outros serviços de saúde. Então, hoje, não tem mais aquele dentista que vai até a escola, é muito difícil. As crianças passaram a perceber o dentista apenas como aquele profissional procurado quando elas caem, se machucam ou estão com dor. E, obviamente, quando isso acontece, muitas vezes é preciso usar o fórceps, que é o alicate, ou a alta rotação, que é aquele barulho do motorzinho. Tudo isso acabou sendo associado ao medo e à ansiedade da criança, que já estava sentindo dor e ainda precisava deixar alguém estranho, maior do que ela, mexer ali. Além disso, houve uma influência muito grande da mídia, em que, muitas vezes, o dentista aparecia nos filmes como o vilão, com aqueles alicates enormes e injeções gigantes. Sem contar os próprios pais, que sofreram na infância e acabaram transmitindo esse medo aos filhos ou, muitas vezes, usavam o dentista como ameaça: “Se você não escovar os dentes, vou te levar ao dentista”, como se o dentista fosse algo negativo. E é muito pelo contrário. Se a criança está com dor ou com algum problema, não é culpa do dentista. O dentista está ali para ajudar, devolver a saúde ao dente, devolver a funcionalidade da boca, melhorar a fonética, evitar que a criança sofra bullying na escola e, principalmente, tirar essa dor. Eu acho que a odontologia foi vista dessa forma por muitos anos, mas também acredito que, graças a Deus, estamos vivendo uma geração de dentistas que realmente quer mudar isso, mostrar que o que funcionava no passado, muitas vezes, não funciona mais hoje. A gente precisa olhar muito mais do que apenas o dente da criança. Precisamos enxergar um ser humano com histórias, memórias, traumas e medos. Mas essa mudança também precisa começar pelos pais, porque, muitas vezes, esse medo vem do adulto e é passado para a criança sem nem perceber. Às vezes, a gente está apenas com um espelhinho e o pai já fala: “Ai, meu Deus, está doendo!”, sendo que eu estou só olhando. Então, muitas vezes, percebemos que esse medo vem mais do adulto do que da própria criança. E a criança nada mais é do que um espelho daquilo que ela vê em casa. O maior exemplo e o maior ídolo da criança sempre serão o pai e a mãe. Mais do que a postura do dentista, é importante que os pais, os responsáveis, os avós, mostrem que o dentista está ali como um amigo, alguém que apoia, protege e faz parte da equipe que cuida da saúde da criança. Claro que ainda temos muito a evoluir, mas isso é um processo cultural de muitos anos. Inclusive, essa é uma das minhas missões de vida. Mesmo com a rotina maluca que eu tenho, continuo dando aulas porque, se cem pessoas assistirem e apenas uma sair dali com uma visão diferente da odontologia e com a missão de mudar a vida de uma criança, a minha missão como professor já foi cumprida. Então, mais do que ser dentista, eu quero disseminar essa forma de pensar, essa educação e essa nova odontologia, com equipamentos mais modernos, menos barulho, sistemas de laser, menos sangue e menos aparência de dor. Às vezes, um jaleco colorido, uma luva colorida, pequenos detalhes que antes pareciam bobos fazem toda a diferença. Eu acho que a palavra-chave é confiança: mostrar para a criança que ela pode confiar no profissional e que não precisa carregar todo esse medo.

4 — Você é dentista, professor, ator e influenciador com milhões de seguidores. Como você equilibra todas essas identidades sem perder de vista o que é essencial para você?

Resposta: Eu não vejo o Tio Paulo como várias vertentes, várias setas diferentes seguindo caminhos diferentes. Eu acho que, por mais que as profissões sejam muito diferentes, lá na frente elas acabam se cruzando e tudo vira o mesmo Tio Paulo. Quando estou no consultório, tento levar a energia do palco para o consultório. Quando estou na sala de aula, tento levar a energia do consultório e do palco. E, quando estou no palco, tento levar o amor, o carinho e a humanização do consultório. Então, por mais diferentes que sejam essas profissões, elas se interligam, se entrelaçam e formam um único Tio Paulo. Eu acho que esse foi o grande segredo: tirar a “doutorite”. Eu já começo sendo chamado de tio, e não de doutor. É mostrar que somos iguais. A minha roupa é igual à do papai. Se precisar sentar no chão, eu sento. Se precisar fazer carinho, eu faço. Mas, se também precisar fazer uma advertência, sempre com o auxílio dos pais, a gente faz, porque é para o bem da criança. No fim das contas, tudo acaba virando uma coisa só, e foi assim que eu me tornei o Tio Paulo. É meio incomum um dentista passar o dia no consultório e, à noite, estar se apresentando no palco de um circo, por exemplo. E, quando eu conto isso para a criança, quando ela vê os vídeos e entende que tudo faz parte da mesma história, ela entra na minha onda, na minha energia, na mesma frequência. E aí as coisas dão muito certo.

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5 — Seus conteúdos viralizaram no mundo inteiro. O que te surpreende no impacto que uma consulta humanizada pode gerar nas pessoas que assistem de fora?

Resposta: Eu acho que é uma das perguntas mais difíceis, porque às vezes eu não dou conta que os meus conteúdos vão pro mundo inteiro, né? Semana passada, por exemplo, eu atendi uma pessoa que veio lá da Alemanha pra ser atendida por mim. Atendi uma outra criança que o presente de aniversário foi ser atendida por mim. Ela mora lá em Brasília, então a mãe pegou um avião, veio, foi atendida, pegou o avião e foi embora. Eu já atendi pessoas que, quando eu chamei, na verdade era uma pegadinha da própria família, que a pessoa não era pra passar a criança, era pra realizar o sonho do adulto, que morava lá na Espanha, que veio pro Brasil pra me conhecer. Então isso é muito maluco, mas é muito gratificante ao mesmo tempo de você saber que você pegou uma profissão que por tantos anos foi vista como uma profissão do medo, uma profissão, né, do terror, e transformasse as pessoas em seguidores, mas ao mesmo tempo não só seguidores de números, transformasse as pessoas em fãs do seu trabalho. Hoje os meus seguidores, os meus fãs, claro, eu tenho muito dentista, estudante de odontologia, mas eu tenho muita mãe, eu tenho muita vó, eu tenho muitas pessoas que não têm nada a ver com odontologia que amam o meu trabalho. Mas por quê? Porque enxergam que é um trabalho diferente. É um trabalho que saiu fora da caixinha. É um trabalho que literalmente furou aquela bolha da odontologia vista por muitos anos. É um trabalho que, às vezes, você tá com um dia ruim, você liga a TV, você vê só notícia ruim, e aí quando você entra no meu Instagram, você vê um vídeo de uma criança, aquilo faz uma cobertinha no seu coração, aquece o seu coração. Então acho que é um trabalho que, aos pouquinhos, sem pretensão, né? Porque eu não tive pretensão nenhuma. Não foi um personagem criado. Foi uma coisa que foi literalmente do nada, que eu fui apresentado pro Brasil. Mas um trabalho que eu já faço há muitos anos, né? Só de sala de aula eu tenho 14, quase 15 anos. Então eu acho que quando a gente fura essa bolha, você mostra ali que não tem o dentista, o médico, veterinário, engenheiro, advogado, o dono, a dona de casa, a mãe, a vó, é todo mundo na mesma prateleira, né? Porque antes da profissão, antes de qualquer cargo que a gente assuma, ali é todo mundo ser humano, é todo mundo igual. E se, por exemplo, a minha faxineira do consultório faltar, eu não vou conseguir fazer uma consulta igual, porque vai tá com o lixo transbordando. Então é meio que, costumo dizer que imagina você comprar um quebra-cabeça de mil peças e aí, poxa, deu um errinho na fábrica. Mais de mil peças, a fábrica esqueceu de entregar uma pecinha. Poxa, ela entregou novecentas e noventa e nove peças. Uma pecinha, mas infelizmente aquela uma pecinha não vai formar o meu desenho completo. Aquela uma pecinha vai fazer falta. Eu acho que é assim que dentista ou qualquer profissão precisa entender, né? Que as pessoas, elas dependem uma da outra, que elas estão ali juntos, que elas vão pro mesmo propósito. E o meu propósito eu acho que é mudar a vida. Eu acho que não é restaurar dentes, né? Acho que quando o paciente vem aqui, às vezes eu até levo bronca da minha equipe porque eu demoro pra atender. Eu às vezes acabo atrasando um pouquinho, mas porque eu converso. Eu quero tomar um café, eu quero abraçar, eu quero saber como é que foi o dia, eu quero saber o que essa criança come, eu quero saber como é que tá a vida dessa mãe. Se ela tem penteado o cabelo, se ela passa batom, se ela beija na boca, se ela namora, se ela tá bem. Porque acho que quando a gente tem… a gente tem que tá bem pra cuidar do nosso filho. Não pode simplesmente largar tudo e pensar: “Ai, agora minha vida é só o meu”. Não, a gente claro que tem que botar essa criança em primeiro lugar. Ela, vamos colocar assim, que a criança precisa ser o zero um da minha lista. Tudo bem, mas o zero zero precisa ser essa mãe, pra ela tá bem e ela poder cuidar dessa criança. Então eu dou muito, acho que, conselhos, mas ao mesmo tempo ouvido, escuta, colo. Porque eu acho que o… não digo nem o brasileiro, acho que o ser humano, ele tá muito carente desse carinho, né? Então quando ela vem num dentista que ela pensa que o assunto vai ser lesão de cárie ou dente e, na verdade, o assunto é vida, é pessoa. É humanização, é CPF do que CNPJ, é pessoa vendo pessoa de pessoa, não um cara que é um doutor que vai atender só mais um paciente. Eu quero que aquela consulta seja única pra aquele paciente. Eu acho que a gente tem um resultado extremamente diferente. Pelo menos é o que eu sinto todo dia, é o que minha agenda diz, é o que os meus seguidores dizem. Então eu acho que a gente indo por esse caminho, a gente tá indo cada dia no caminho melhor. É claro que eu quero sempre amanhã ser melhor do que eu fui hoje. Eu acho que a melhora na vida é uma constância. Eu erro muito ainda, eu tenho muito que melhorar, assim como todo ser humano. Mas se a gente puder tentar ir pelo caminho do acerto, eu acho que cada vez a gente consegue formar aí uma leva de seres humanos no futuro, por exemplo, com menos traumas do que a gente tem hoje. Que são adultos que foram crianças que lá no passado talvez foram traumatizadas por algum tipo de atendimento que não se falava em humanização, só no tratamento em si, né? Então acho que muito mais do que o tratamento curativo, muito mais do que a doença, a gente tem que ter a prevenção, a gente tem que ter o colo, a amizade, o carinho e assim vai.

6 — Você também oferece atendimento gratuito. Num mercado tão competitivo, o que te motiva a manter esse compromisso com quem não tem acesso?

Resposta: Bom, vamos lá pra primeira pergunta. Sim, na verdade eu acabo apadrinhando algumas crianças pra serem atendidas aqui no meu consultório, fora todo atendimento que a gente faz no nível da universidade, que os meus alunos acompanham vários e vários pacientes. Então, infelizmente, eu não consigo atender a todos os pedidos, mas alguns eu acabo apadrinhando e trazendo aqui pra que virem meus pacientes. Eu acho que ser dentista e fazer isso que eu faço também é uma missão de vida. Então, eu acabo também oferecendo isso pra uma comunidade que não possa ter acesso ao meu trabalho. Claro que isso ainda é bem pouquinho, mas eu acredito que é um projeto que possa se estender aí pelo Brasil inteiro em breve.

7 — Como está sua própria saúde no meio de uma rotina tão intensa, consultório, redes sociais, espetáculos, academia?

Resposta: Bom, a minha saúde, graças a Deus, anda muito bem. Eu me cuido, eu vou ao médico, eu complemento as vitaminas que às vezes faltam, porque eu acho que eu preciso estar bem comigo mesmo pra que eu possa ter uma consulta legal, divertida, pra que eu possa estender o meu horário. É uma loucura, eu não vou negar pra vocês. Claro que às vezes eu dou uma sabotadinha em algumas coisas. Às vezes eu falto aqui, falto ali, mas eu tenho uma equipe médica muito excepcional que cuida da minha saúde pra que eu possa tá 100% inteiro e pra quando as pessoas também chegam ao meu consultório encontrem aquele Tio Paulo que conhecem nas redes sociais, com muita alegria, com muito humor, com atendimento lúdico, com atendimento tranquilo. Então, depois de muito tempo, eu aprendi que eu preciso me cuidar. Eu não vou negar pra vocês que é um pouco difícil, às vezes até por falta de tempo e de agenda, mas eu tento pelo menos uma vez na semana ali dedicar ao Tio Paulo CPF, vamos dizer assim, e ao Paulo Bonavides como paciente também, porque eu acredito que se eu esteja com a minha saúde em dia, eu reflito isso a toda minha energia pros meus pacientes.

8 — O que você diria para pais que ainda têm dificuldade de levar os filhos ao dentista por causa do medo?

Resposta: Bom, eu diria aos pais que têm dificuldade em levar essas crianças ao consultório odontológico que é algo que vai ser difícil no começo, que vai parecer quase impossível, mas que depois vocês vão entender que é necessário. Eu costumo dizer uma frase que às vezes choca um pouco, mas eu prefiro que às vezes a criança chore um pouquinho do que esse pai chore no futuro por algo ainda pior. Então, eu acho que levar a criança ao consultório também é um ato de amor. A gente tá cuidando dessa criança, tá fazendo com que essa criança se sinta protegida, tá fazendo com que essa criança não se sinta lá na frente um adulto com medo por não ter passado por ser algo novo dessa criança estar com saúde em primeiro lugar. É claro que aqui eu tento fazer com que tudo seja lúdico, seja mágico. É a varinha que faz a cadeira subir, é a criança que brinca, que ganha o presente, que eu faço piada, que eu faço mágica. Mas, no fundo, no fundo, tudo isso é baseado em ciência. É pra trazer a saúde, é pra trazer a prevenção, é pra que essa criança se sinta cada vez mais em casa, é pra fazer com que essa criança se sinta cada vez mais acolhida dentro do consultório.

9 — Se você pudesse deixar uma mensagem para profissionais de saúde que ainda acreditam que técnica é suficiente sem afeto, o que você diria?

Resposta: Bom, e a minha mensagem aos profissionais da saúde é que aqueles que trabalham assim como eu, de uma maneira humanizada, colocando a criança, colocando o ser humano e atendendo não só o paciente, sim a família inteira, que às vezes precisa daquele colo, daquele aconchego, daquele carinho, continuem fazendo esse trabalho incrível porque às vezes você não tem milhões de seguidores, mas você vai impactar no seu bairro, na sua cidade, no seu prédio, na sua família, na família dos seus pacientes. E aqueles que não fazem, que procurem mudar a sua forma de ver um atendimento, e não só com crianças, mas em qualquer área que você atende pessoas. Porque muitas vezes aquilo que funcionava antigamente não vai funcionar nos dias de hoje. Então, assim como tudo na vida evolui, a odontologia também evoluiu e ela vai evoluir cada dia mais. Então estude, vá atrás, faça pós-graduação, faça curso de atualização, faça mestrado, faça doutorado, faça especializações. Leia, leia artigos, visite bibliotecas. Faça com que todos os seus conhecimentos reverberem pra que você tenha cada vez mais uma consulta baseada em evidência científica, mas uma consulta que você mostre pro paciente também o que é vida real, que você sabe as dores que ele sente, que você sabe como é difícil, que você sabe que não é fácil chegar em casa e cortar um hábito que essa criança tá acostumada, que não é fácil passar um fio dental todos os dias. Mas que com muito amor, com muito carinho e principalmente com muita leveza, a gente vai conseguir ter um final feliz nessa história, se os pais estiverem preparados a encarar esse desafio.