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Longe do fim, escândalo do Master abala e até implode candidaturas; veja nomes e implicações

Fonte: otempo.com.br | Data: 06/08/2026 06:07:17

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BRASÍLIA – O escândalo do Banco Master, que veio à tona há mais de um ano e meio, com a tentativa frustrada de aquisição pelo Banco de Brasília (BRB), entrou na pré-campanha eleitoral e deve se estender por toda a eleição de 2026, com investigações em andamento.

As diferentes fases da Operação Compliance Zero mostraram relações de Daniel Vorcaro, o fundador do Master e tido como cabeça dos esquemas de fraudes bilionárias, com diversas figuras dos três Poderes da República. Entre elas, concorrentes a cargos nas eleições deste ano.

Veja também: Como Daniel Vorcaro ficou rico e virou pivô de escândalo

Investigados formalmente pela Polícia Federal (PF), alguns deles são citados em mensagens recuperadas nos telefones de Vorcaro. Outros foram atingidos indiretamente, por meio de aliados próximos envolvidos na apuração. Veja a lista abaixo:

Flávio Bolsonaro

A candidatura do PL à Presidência  da República sofreu desgaste após a divulgação de áudios dele para Vorcaro. Flávio chegou a negar qualquer relação com o ex-banqueiro, mas voltou atrás após reportagens revelarem os conteúdos.

O senador cobrou dinheiro de Vorcaro alegando que seria para a produção de “Dark Horse”, filme que retrata parte da vida do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Flávio ainda esteve com Vorcaro após o fundador do Master ser preso pela primeira vez e solto com tornozeleira eletrônica.

Flávio nega irregularidades e afirma que as tratativas eram privadas e legais. O caso passou a fazer parte do debate eleitoral e ele caiu nas pesquisas de intenções de voto. 

Luiz Inácio Lula da Silva

Candidato à reeleição, o presidente recebeu Vorcaro fora da agenda oficial, em dezembro de 2024, no Palácio do Planalto. O encontro contou com a presença de Gabriel Galípolo, que dias depois assumiria a presidência do Banco Central (BC). 

A seu favor, Lula alega que só foram tratados temas técnicos relacionados ao banco e que, tanto não interferiu a favor do Master, que o banco acabou liquidado pelo BC em novembro de 2025 e a PF abriu investigações contra Vorcaro, levando-o à prisão. 

Mas as apurações da PF chegaram ao senador Jaques Wagner (PT-BA), que era então líder do governo no Senado. Lula diz que isso é fruto da autonomia da PF, mas seus aliados reconhecem o desgaste para o governo e a candidatura do presidente.

Jaques Wagner

O senador pelo PT da Bahia teve a campanha à reeleição profundamente impactada pela abertura de uma investigação da PF durante o período pré-eleitoral. Wagner chegou a ser alvo de uma das etapas da Compliance Zero, o que forçou sua saída da liderança do governo no Senado.

Na semana passada, o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, tornou públicos detalhes da investigação da PF contra o senador por suspeita de receber propina do Master. A PF identificou 74 ligações telefônicas entre Wagner e Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. 

A PF aponta ainda que o senador atuou em defesa de interesses do Master no Congresso e, em troca, recebeu vantagens indevidas, como um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões. Wagner afirmou que vai provar a inocência ao longo das investigações.

ACM Neto

Uma empresa do vice-presidente do União Brasil e candidato ao governo da Bahia recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da gestora de recursos Reag, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão vinculado ao Banco Central. 

Os recursos foram repassados a ACM Neto logo após as eleições de 2022, entre março de 2023 e maio de 2024. Segundo a Receita Federal, a empresa A&M Consultoria Ltda., da qual ele é sócio ao lado de sua mulher, tem como atividade principal prestar serviços “de consultoria em gestão empresarial”.

ACM Neto confirma que recebeu os pagamentos e diz que os valores são referentes a serviços de consultoria. Ele disse que, quando já não exercia qualquer cargo público, constituiu a empresa e, a partir de então, prestou serviços a alguns clientes, dentre eles o Banco Master e a Reag.

Ciro Nogueira 

O senador pelo Piauí, que é presidente nacional do Progressistas, teve a candidatura à reeleição profundamente abalada pelo escândalo do Master. Senador desde 2011, ele foi alvo de uma operação da PF em junho de 2025, após investigações apontarem seu envolvimento com Vorcaro.

O então dono do Master pagava, em média, R$ 300 mil mensais em propina ao senador em troca da aprovação de emendas que favoreceriam o Master, além de bancar viagens internacionais de alto padrão do piauiense à Europa e aos Estados Unidos. 

Ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, Ciro se viu abandonado por Flávio Bolsonaro após as revelações da PF. Até um dos maiores defensores da candidatura do filho do presidente, que o cogitou como seu vice na chapa presidencial, Ciro e seu partido deixaram de apoiá-lo.

Ibaneis Rocha

Até o escândalo do Master, Ibaneis, que havia sido governador do Distrito Federal por dois mandatos seguidos, era candidato ao Senado pelo MDB, com grandes chances de vitória, segundo pesquisas eleitorais. Ele apoiava sua vice, Celina Leão (PP), ao governo local.

Mas, recentemente, muito desgastado pelas revelações das investigações, Ibaneis retirou sua candidatura, disse que deixou a vida pública e rompeu com Celina. Ela assumiu o governo do DF após Ibaneis deixar o cargo para se candidatar, como manda a lei eleitoral.

Ibaneis era um dos maiores defensores da compra do Master pelo BRB, que está praticamente quebrado por causa de transações anteriores com o banco de Vorcaro. Escritório de advocacia de Ibaneis firmou contrato de R$ 38 milhões com a Reag Investimentos, ligada ao Master

Cláudio Castro

Assim como Ibaneis Rocha, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) desistiu da candidatura ao Senado após ser alvo de investigação da PF no caso Master envolvendo aportes do Rioprevidência no banco de Vorcaro.

Castro afirmou que pretende concentrar esforços na própria defesa diante das duas operações de busca e apreensão das quais foi alvo. Uma envolve suspeitas relacionadas à Refinaria de Manguinhos, a Refit. A outra apura a relação dele com Vorcaro, além de aportes do Rioprevidência.

Em março, Castro renunciou ao cargo para se dedicar à candidatura ao Senado. A pré-candidatura dele foi lançada em fevereiro, em uma composição que também incluía Flávio Bolsonaro, considerado o principal nome do partido no estado.

Mário Frias

Secretário da Cultura no governo de Jair Bolsonaro e deputado federal do PL por São Paulo, Frias, que é candidato à reeleição, tem o nome envolvido no escândalo do Master por causa do filme “Dark Horse”. Ele é o produtor executivo da obra.

Em maio de 2026, foi revelado que a produção recebeu repasses milionários – R$ 61 milhões de R$ 134 milhões acordados, o valor mais alto para o orçamento de qualquer produção da história cinematográfica brasileira – diretamente de Vorcaro, a pedido de Flávio Bolsonaro.

Inicialmente, Frias negou qualquer repasse, mas logo recuou e admitiu. O “Intercept Brasil” publicou áudio enviado a Vorcaro em 11 de dezembro de 2024, em que Frias agradece o apoio: “Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente. Vai ser muito importante pro nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?”.