Auren neutraliza 91% das perdas com curtailment e avalia adesão a acordo de ressarcimento
Fonte: canalsolar.com.br | Data: 06/08/2026 17:17:50
Companhia estima receber R$ 300 mi por cortes entre 2023 e 2025, mas adesão ao termo do governo será analisada
Fábio Zanfelice, CEO da Auren Energia. Foto: Washington Possato/Votorantim Energia/Divulgação
Embora os cortes obrigatórios de geração tenham provocado impacto negativo de R$ 98 milhões entre abril e junho, a Auren Energia conseguiu compensar boa parte dessa perda por meio da estratégia de modulação de seu portfólio de ativos renováveis.
Segundo afirmação do CEO da Auren, Fábio Zanfelice, durante conferência de resultados do 2º trimestre realizada na manhã desta quinta-feira, 6, os ganhos obtidos com essa gestão alcançaram R$ 71 milhões, neutralizando cerca de 72% dos efeitos financeiros do curtailment no trimestre.
No acumulado do primeiro semestre, o desempenho foi ainda mais expressivo, apontou, porque os ganhos de modulação somaram R$ 168 milhões, praticamente anulando os R$ 184 milhões de perdas provocadas pelos cortes compulsórios de geração e reduzindo o impacto líquido para apenas R$ 16 milhões.
“Neutralizamos praticamente 72% do impacto negativo do curtailment com a modulação”, destacou o executivo. Segundo ele, o desempenho demonstra, na prática, a resiliência do portfólio da companhia, principalmente pela complementaridade entre os ativos eólicos e fotovoltaicos.
Proposta do governo
Além dos impactos operacionais, Zanfelice dedicou parte relevante da apresentação à regulamentação publicada pelo governo federal para compensar financeiramente os cortes ocorridos entre setembro de 2023 e novembro de 2025.
Segundo o executivo, a Auren estima ter aproximadamente R$ 300 milhões a receber no âmbito do termo de compromisso regulamentado pela Portaria nº 140 do Ministério de Minas e Energia. Apesar disso, a empresa ainda não decidiu se vai aderir ao mecanismo.
“A companhia avalia o documento”, afirmou Zanfelice, lembrando que a manifestação prevista até 10 de agosto representa apenas uma declaração de interesse, sem caráter vinculante. A decisão definitiva dependerá de avaliações posteriores pela administração, pelo conselho de administração e pelos acionistas.
Durante a sessão de perguntas e respostas, o CEO detalhou que a adesão definitiva somente será discutida depois da manifestação inicial de interesse e após maior clareza sobre o cronograma de pagamentos previsto pelo governo.
Portaria é vista como avanço
Na avaliação da companhia, a publicação da Portaria nº 140 representa um passo importante para solucionar parte do problema enfrentado pelos geradores renováveis, mas está longe de encerrar a discussão regulatória.
Zanfelice destacou que o ato normativo contempla o ressarcimento dos cortes relacionados à confiabilidade e à indisponibilidade externa do sistema no período compreendido entre setembro de 2023 e novembro de 2025.
No entanto, observou que permanece em aberto a questão referente ao chamado curtailment energético, tema que, segundo ele, ainda exigirá novas definições regulatórias e legislativas. Para o executivo, trata-se de “um marco importante”, por representar uma sinalização de que o problema começou a ser endereçado pelo poder público.
O CEO acrescentou que a expectativa da empresa é de que todo o processo de cálculo dos valores, validação pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), adesão definitiva dos agentes e início dos pagamentos somente seja concluído ao longo do segundo semestre de 2027, podendo parte das compensações avançar para 2028.
Debate sobre cortes futuros
Questionado por analistas sobre a evolução da regulamentação para os cortes futuros, Zanfelice afirmou que a discussão ainda deverá retornar ao Congresso Nacional.
Segundo ele, a legislação tratou do passivo relacionado aos períodos anteriores e estabeleceu diretrizes para parte das modalidades de ressarcimento, mas a compensação referente ao curtailment energético ainda dependerá de novas definições.
“O curtailment futuro é um tema que nós temos que voltar a dialogar com o Congresso”, afirmou. Na avaliação do executivo, essa discussão deverá ganhar força apenas em 2027, considerando o calendário eleitoral e a renovação da composição do Legislativo.
Ele acrescentou que a companhia defende um tratamento regulatório que alcance todos os agentes responsáveis pelos cortes de geração, preservando condições equilibradas entre os diferentes participantes do setor elétrico.
Estratégia comercial
Além das discussões regulatórias, Zanfelice atribuiu parte da mitigação dos impactos do curtailment às mudanças observadas no comportamento do mercado de energia ao longo do trimestre.
Segundo ele, a queda do custo de recompra de energia para cobrir a exposição decorrente dos cortes, aliada ao novo perfil horário dos preços no mercado de curto prazo, favoreceu os resultados da companhia.
O executivo explicou que o aumento dos cortes ocorre predominantemente durante o período de maior geração solar, justamente quando os preços da energia tendem a ser menores, reduzindo o custo para recompor a posição contratual da empresa.
Na avaliação da administração, essa combinação entre gestão comercial, modulação do portfólio e comportamento dos preços permitiu reduzir significativamente os efeitos financeiros do curtailment sobre os resultados do semestre.
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