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Agro Brasileiro Pode Gerar 314,3 Milhões de Créditos de Carbono até 2035, com Potencial de até R$ 3,5 Bilhões

Fonte: forbes.com.br | Data: 06/08/2026 17:34:42

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O agronegócio brasileiro poderá gerar até 314,3 milhões de créditos de carbono entre 2025 e 2035, com potencial de movimentar até R$ 3,5 bilhões no mercado internacional, caso avance na regulamentação necessária para autorizar essas negociações. A estimativa faz parte do estudo O Agronegócio Brasileiro no Mercado Internacional de Carbono – Oportunidades Econômicas, Elegibilidade e Impactos na NDC, divulgado pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), que aponta o setor como estratégico para a agenda climática e destaca o mercado de carbono como um instrumento para financiar a descarbonização da agropecuária brasileira.

Produzido pela Carbonn Nature, Instituto Equilíbrio e Instituto de Agronegócio (IEAg), o levantamento analisa como a agropecuária brasileira poderá participar do mercado internacional de carbono previsto no Artigo 6 do Acordo de Paris. O estudo conclui que o setor reúne condições para ampliar a oferta de créditos de carbono ao mercado global, combinando redução de emissões, geração de renda e atração de investimentos para tecnologias sustentáveis.

Segundo os pesquisadores, embora a agropecuária responda por 30,5% das emissões nacionais de gases de efeito estufa, ela também concentra elevado potencial para reduzir emissões e ampliar a captura de carbono. Essa característica coloca o setor em posição estratégica tanto para contribuir com as metas climáticas brasileiras quanto para fornecer créditos de carbono ao mercado doméstico e internacional.

Entre as práticas apontadas como mais promissoras estão o manejo aprimorado de terras agrícolas, o tratamento de dejetos animais, a redução do metano entérico e o uso de biochar como fertilizante. Na avaliação dos autores, essas iniciativas podem aliar ganhos ambientais à geração de receitas e à atração de investimentos, acelerando o processo de descarbonização da agropecuária.

Três cenários projetam potencial de crescimento

Wenderson Araujo/Trilux/CNA
Wenderson Araujo/Trilux/CNAPlantadeira do grão em área de plantio direto sobre palhada

O estudo trabalha com três cenários de geração de créditos de carbono entre 2025 e 2035. No cenário conservador, o potencial é de 25,6 milhões de créditos. No intermediário, esse volume alcança 230 milhões. Já no cenário integral, que considera projetos atualmente em desenvolvimento, o potencial chega a 314,3 milhões de créditos de carbono.

A maior parte desse potencial está concentrada em projetos de manejo aprimorado de terras agrícolas, enquanto uma parcela menor está relacionada à recuperação de metano em sistemas de tratamento de dejetos animais, metodologias já reconhecidas para geração de créditos de carbono.

Comercialização depende da regulamentação

Apesar das projeções, o levantamento ressalta que os valores estimados não representam receitas garantidas. A efetiva comercialização dependerá da demanda de compradores internacionais, dos preços praticados no mercado e da autorização do governo brasileiro para que os créditos sejam negociados como Resultados de Mitigação Transferidos Internacionalmente (ITMOs na sigla em inglês).

Na avaliação dos autores, uma estratégia considerada equilibrada seria autorizar a comercialização de volumes com impacto de até 4% sobre a segunda Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) brasileira.

Nesse cenário, seria possível negociar aproximadamente 15,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MtCO₂e), com potencial de gerar até R$ 2,4 bilhões em transações bilaterais ou até R$ 3,5 bilhões por meio do programa CORSIA (sigla para Carbon Offsetting and Reduction Scheme for International Aviation). Trata-se de um programa global criado pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO, na sigla em inglês) para reduzir e compensar o crescimento das emissões de dióxido de carbono (CO₂) em voos internacionais.

Próximo desafio é operacionalizar o mercado

Para os autores, o principal desafio deixou de ser a identificação de oportunidades técnicas. O foco agora passa pela criação das condições necessárias para transformar esse potencial em projetos de carbono em larga escala.

Entre as prioridades estão o reconhecimento das metodologias utilizadas pela agropecuária, a definição dos critérios para autorização dos ITMOs, a indicação de volumes compatíveis com a NDC brasileira e o fortalecimento da estrutura institucional responsável pela emissão das autorizações e pelo reconhecimento dos créditos elegíveis ao CORSIA.

O estudo destaca ainda que a segunda fase do CORSIA, prevista para começar em 2027, tende a ampliar a demanda por créditos de carbono de alta integridade ambiental. Para os pesquisadores, essa janela de oportunidade poderá fortalecer a agricultura de baixa emissão de carbono, ampliar os investimentos no setor e posicionar o Brasil como um dos principais fornecedores mundiais de créditos de carbono oriundos da agropecuária.

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