Por que as companhias aéreas estão alertando sobre baterias de lítio
Fonte: mthoje.com.br | Data: 07/08/2026 09:01:05
A ind�stria da avia��o quer que os passageiros tenham cuidado ao viajar com baterias de l�tio, devido ao risco de inc�ndios a bordo.
Ben Wodecki est� acostumado a viajar pelo mundo e a ver a tripula��o de companhias a�reas trabalhando.
Mas ao voar para Las Vegas em junho, o jornalista de tecnologia viu algo que nunca tinha visto antes, enquanto uma equipe de voo preocupada corria para a parte traseira do avi�o. “Havia um brilho de medo. Eles estavam sombrios. Isso era algo mais do que algu�m doente. Era algo que os afetava.”
- Inc�ndios de baterias em avi�es aumentaram 15% em cinco anos.
- Powerbanks e vapes s�o os maiores riscos de inc�ndio em avi�es.
- Baterias de l�tio podem atingir temperaturas acima de 700�C rapidamente.
- Em janeiro de 2025, um powerbank causou a destrui��o de um avi�o na Coreia do Sul.
- Companhias a�reas recomendam manter dispositivos com voc�, n�o em bagagem despachada.
Quando fuma�a e passageiros angustiados emergiram da parte traseira do avi�o, ficou claro o que tinha acontecido. Um passageiro estava usando uma bateria port�til durante o voo, e ela superaqueceu antes de pegar fogo, com um assento pegando fogo.
A tripula��o colocou o dispositivo em um recipiente com �gua, diz Wodecki. O avi�o ent�o pousou “r�pido e agressivamente” no Aeroporto Internacional Harry Reid, em Las Vegas, onde foi recebido por equipes de inc�ndio na pista.
Foi um fim dram�tico para um voo de rotina e ilustra por que os passageiros est�o ouvindo avisos mais frequentes e insistentes sobre os perigos de trazer dispositivos alimentados por bateria e especificamente baterias de l�tio em voos.
Esses avisos incluem tentar recuperar dispositivos que caem entre os assentos e pedidos para n�o colocar dispositivos de l�tio na bagagem despachada.
De acordo com Jonathan Nicholson, da Autoridade de Avia��o Civil do Reino Unido (CAA), para a ind�stria de companhias a�reas, as baterias de l�tio est�o “se n�o em primeiro lugar, dentro dos tr�s principais riscos h� v�rios anos”.
Um estudo recente nos EUA mostrou que a ind�stria foi afetada por dois incidentes relacionados a baterias de l�tio por semana em todo o mundo, acrescenta. Esses incidentes podem variar desde passageiros que percebem tardiamente que deixaram um dispositivo na bagagem despachada, at� dispositivos fumegando ou pegando fogo em sagu�es de bagagem ou em voos.
Mas os resultados podem ser muito mais extremos. Em janeiro de 2025, um avi�o da Air Busan foi destru�do na pista do Aeroporto de Gimhae, na Coreia do Sul, com investigadores concluindo que um powerbank deixado em um compartimento de bagagem de m�o foi o culpado.
Isso levou a Associa��o Internacional de Transporte A�reo (IATA) a lan�ar uma campanha global para incentivar os passageiros a “Viajar com Intelig�ncia com Baterias de L�tio”.
N�o h� nada sobre voar que torne a tecnologia de l�tio mais perigosa, explica Nicholson. Em vez disso, ele disse: “� muito mais dif�cil lidar com isso a 32.000 p�s em uma cabine de aeronave”.
Nicholson disse que a preval�ncia de incidentes relacionados a l�tio se devia a “mais pessoas, mais voos, mais dispositivos”.
A Administra��o Federal de Avia��o dos EUA diz que a seguran�a da bateria � uma prioridade. Seus dados “continuam mostrando um aumento nos incidentes confirmados”, com 51 incidentes verificados para o ano at� 15 de julho.
Pierre Kubiak, engenheiro principal especializado em tecnologia de baterias no Laborat�rio Nacional de F�sica do Reino Unido, acrescenta que, embora celulares, powerbanks, tablets e laptops sejam os dispositivos port�teis mais �bvios que as pessoas levam em avi�es, smartwatches, �culos inteligentes e vapes s�o cada vez mais comuns.
“O l�tio por si s� n�o queima, � mais todo o material org�nico e pl�stico”, explica. “O ponto � que fica muito, muito quente, muito r�pido. Quero dizer, mais de 700 a 1000 graus super r�pido.”
Os perigos das baterias de l�tio realmente ganharam consci�ncia p�blica ap�s uma s�rie de inc�ndios relacionados a telefones h� cerca de uma d�cada.
Kubiak diz que isso se devia a designs defeituosos, e que os fabricantes j� abordaram as preocupa��es. A Coreia do Sul � l�der neste espa�o, acrescenta.
Mas era dif�cil controlar a prolifera��o de baterias baratas produzidas no Leste Asi�tico, bem como vapes e outros dispositivos alimentados, com controle de qualidade question�vel. “Pre�o � tudo”, diz ele. Al�m disso, acrescenta, os passageiros muitas vezes contribuem para o problema usando cabos inadequados e n�o cuidando dos dispositivos.
Campanha da IATA
Isso deixa as companhias a�reas com pouca op��o sen�o reiterar seus avisos e continuar com m�todos testados e comprovados de garantir que a equipe seja treinada para lidar rapidamente com incidentes quando ocorrerem.
Nicholson, da CAA, diz: “a coisa mais importante � jogar na �gua e esfriar”, embora algumas companhias a�reas usem dispositivos de conten��o especializados. Mas � por isso que � essencial que os dispositivos sejam mantidos na cabine, n�o em compartimentos superiores, e definitivamente n�o no por�o.
Nicholson acrescentou que os clientes parecem aceitar bem os avisos e restri��es. O maior problema � simplesmente que eles muitas vezes n�o sabem quantos dispositivos dependem da tecnologia de bateria de l�tio.
N�o h� alternativas econ�micas para a tecnologia de l�tio no momento, acrescenta Kubiak. As ind�strias de tecnologia e dispositivos pessoais est�o fortemente investidas na tecnologia.
Uma alternativa s�o as baterias de s�dio, mas a tecnologia atualmente custa o dobro para os consumidores em compara��o com dispositivos de l�tio, diz Kubiak. “N�o � apenas uma solu��o t�cnica. � tamb�m uma solu��o social que temos que tomar.”
Ele sugeriu que deveria haver mais foco em prote��o em torno da tecnologia existente. “N�o queremos necessariamente que bancos de bateria sejam proibidos em todos os avi�es.”