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A ABEMI DEFENDE O AVANÇO DA INFRAESTRUTURA PARA TRANSFORMAR O GÁS NATURAL EM VETOR DE COMPETITIVIDADE PARA INDÚSTRIA

Fonte: petronoticias.com.br | Data: 07/08/2026 14:17:16

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O Brasil já possui uma das maiores reservas e capacidade de produção de gás natural do mundo, especialmente após o desenvolvimento do pré-sal. No entanto, o maior desafio do setor deixou de ser a oferta do insumo e passou a ser a criação das condições necessárias para que esse gás chegue efetivamente à indústria, impulsionando investimentos, competitividade e desenvolvimento econômico. Essa é a avaliação da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (ABEMI). Para a entidade, a discussão conduzida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) sobre o acesso de terceiros aos gasodutos e às unidades de processamento representa um passo importante para ampliar a concorrência, aumentar a oferta de gás ao mercado e estimular novos investimentos em toda a cadeia industrial. Marcio Cancellara, vice-presidente da ABEMI, diz que  “O Brasil não enfrenta mais um problema de disponibilidade de gás. O grande desafio está em criar as condições para que esse recurso chegue à indústria de forma competitiva. Sem infraestrutura, previsibilidade regulatória e segurança para investir, continuaremos desperdiçando uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento do país.”

Segundo estudo do Instituto de Energia da PUC-Rio, elaborado no âmbito da Coalizão pela Competitividade do Gás Natural como Matéria-Prima — da qual a ABEMI participou — menos de 40% do gás produzido atualmente chega ao mercado consumidor. Grande parte ainda é reinjetada devido às limitações de processamento, transporte e escoamento. A eliminação desses gargalos poderia disponibilizar cerca de 30 milhões de metros cúbicos adicionais de gás por dia ao mercado nacional, podendo alcançar 53 milhões de metros cúbicos diários em um cenário de maior expansão. Para a ABEMI, esse cenário evidencia que a engenharia industrial será protagonista da próxima etapa de desenvolvimento do setor. “Cada novo gasoduto, unidade de processamento ou planta industrial começa muito antes da obra. São projetos de engenharia, especificações, fabricação de equipamentos, integração de sistemas e construção. É nesse momento que as políticas públicas deixam o papel e se transformam em investimentos reais”, destaca Cancellara.

A entidade ressalta que suas empresas associadas atuam diretamente em todas as etapas de implantação de grandes empreendimentos industriais e que a experiência brasileira demonstra que, sempre que houve um ambiente regulatório estável e previsível, a engenharia respondeu com capacidade técnica e competitividade, contribuindo para a expansão de setores como petróleo e gás, mineração, siderurgia, petroquímica e geração de energia. “O Brasil reúne recursos naturais, conhecimento técnico e uma cadeia de engenharia altamente qualificada. O que precisamos consolidar é um ambiente que ofereça previsibilidade para investimentos de longo prazo. O país não precisa descobrir mais gás; precisa transformá-lo em desenvolvimento industrial”, conclui