“Hitler de saia”: Prefeito do Ceará rebate ofensas de vereadora de Curitiba – D’PontaNews
Fonte: dpontanews.com.br | Data: 07/08/2026 16:04:25
O prefeito do município de Campos Sales, no Ceará, rebateu as ofensas da vereadora Delegada Tathiana Guzella (PL) proferidas contra a vereadora Vanda de Assis (PT), na sessão de quarta-feira (05) da Câmara Municipal de Curitiba. Moésio Loiola (PSB) afirmou que, ao ver o vídeo da sessão, enxergou um “Hitler de saia” na vereadora do PL.
Confira a fala completa do prefeito de Campos Sales, abaixo:
No comunicado, Loiola pontua que nunca viu “tanta discriminação na minha vida”. Para ele, a fala de Tathiana foi carregada de “ódio”. “A nossa solidariedade a uma cearense que saiu daqui para continuar vencendo lá no Paraná”, afirmou Moésio.
“O Paraná é de um povo amigo e fraterno. Agora essa mulher, com certeza, tem raízes com a Alemanha do tempo do Hitler. Nunca vi [uma pessoa] tão maldosa”,
enfatizou o prefeito de Campos Sales.
A vereadora Delegada Tathiana é acusada de cometer xenofobia contra Vanda de Assis, também vereadora de Curitiba. Enquanto debatiam um projeto sobre a criação de um Cadastro Único para pessoas em situação de rua, Tathiana afirmou que a colega deveria “voltar para o Ceará”, por defender propostas e posicionamentos do Partido dos Trabalhadores (PT).
Relembre o caso no D’Ponta News.
Tathiana foi denunciada pelo Ministério Público
O Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio da Promotoria de Justiça de Proteção aos Direitos Humanos de Curitiba, ofereceu denúncia criminal contra Tathiana pela suposta prática de discriminação ou preconceito em razão da procedência nacional. O crime está previsto no artigo 20 da Lei 7.716/1989.
Segundo o Ministério Público, as manifestações teriam sido proferidas com a intenção de ofender e humilhar a vítima, além de menosprezar e discriminar, de forma mais ampla, pessoas de origem cearense, configurando, em tese, discriminação por procedência nacional.
Na denúncia, o MPPR requer, além da responsabilização criminal, a fixação de valor mínimo de indenização à vítima pelos danos causados, inclusive morais, no montante correspondente a 20 salários mínimos, atualmente equivalente a R$ 32.420,00, a ser atualizado pelos índices oficiais.
Também foi requerido o arbitramento de indenização por dano moral coletivo no valor correspondente a 40 salários mínimos, no momento equivalente a R$ 64.840,00, em razão de ofensa a valores fundamentais relacionados à igualdade, à dignidade da pessoa humana e ao combate à discriminação. O MPPR solicita que, se deferido, o valor seja destinado ao Fundo Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e utilizado para financiamento de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial no Paraná.
Câmara de Curitiba se posicionou sobre o caso
A Câmara Municipal de Curitiba informou, por meio de nota encaminhada ao D’Ponta News, que foram protocoladas cinco representações junto à Casa em relação ao discurso da vereadora do PL. Confira o comunicado na íntegra:
“A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) informa que foram protocoladas cinco representações junto à Casa em decorrência da Sessão Plenária desta quarta-feira (5), quando foi discutido, em primeiro turno, o Projeto de Lei Ordinária nº 005.00191.2025, que cria o Cadastro Único para Pessoas em Situação de Rua e estabelece diretrizes para a coleta de dados pessoais e socioeconômicos de indivíduos em situação de vulnerabilidade social. Quatro representações são em face da vereadora Delegada Tathiana Guzella (PL) e uma em face da vereadora Vanda de Assis (PT).
Nos termos do Regimento Interno da Câmara Municipal de Curitiba, as representações serão submetidas à análise de admissibilidade pela Mesa Diretora, etapa destinada exclusivamente à verificação do cumprimento dos requisitos formais para seu processamento, sem qualquer apreciação do mérito. A Mesa Diretora se reunirá na próxima quarta-feira (12) para deliberar sobre essa fase inicial.
Caso estejam atendidos os requisitos procedimentais, as representações serão encaminhadas à Corregedoria, órgão competente para conduzir a instrução dos procedimentos e adotar as providências cabíveis. Em razão de as representações envolverem a corregedora da Casa, vereadora Delegada Tathiana Guzella, eventual instrução dos processos ficará sob a responsabilidade do primeiro-vice-corregedor, vereador Olímpio Araujo Junior (PL), conforme prevê o Regimento Interno.
A Câmara Municipal de Curitiba reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito às normas regimentais, assegurando que todos os procedimentos serão conduzidos com isenção.“