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Torto Arado no cinema? Itamar Vieira Jr. fala sobre possíveis adaptações

Fonte: atarde.com.br | Data: 07/08/2026 20:20:17

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Destaque da programação desta sexta-feira, 7, na Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), o escritor baiano Itamar Vieira Jr. conversou com o portal A TARDE sobre os desdobramentos de sua obra mais celebrada, Torto Arado.

Com espetáculos teatrais esgotados e o público ansioso por novidades, o autor reflete sobre o sucesso astronômico de seu romance e o futuro de suas histórias no audiovisual.

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Questionado se o impacto do livro gera algum tipo de cobrança para repetir o feito com o mesmo calibre em lançamentos futuros, Itamar é categórico ao afirmar que mantém os olhos no horizonte, ancorado na bagagem que adquiriu ao longo do tempo.

“Bom, acho que o caminho que Torto Arado fez é um caminho único, né? Não tem como um escritor antecipar o que vai acontecer com aquilo que foi escrito, depende como vai ecoar entre os leitores, né, como é que eles vão receber, como eles irão ler, e eu acho que o que aconteceu com essa história pertence unicamente a ela”.

Sem se deixar paralisar pela expectativa do mercado, o escritor destaca como a experiência o ajuda a manter o fluxo criativo e a tranquilidade diante de novos projetos:

“Eu já tinha escrito dois livros de contos antes. Depois de escrever Torto Arado, já publiquei outros livros, romances, livro infantil, e eu não me sinto pressionado. Vou falar bem, vou ser bem claro assim: essa pressão nunca passou por mim, por minha cabeça, eu entendo”, diz.

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“O bom de publicar mais tarde é que acho que a gente já faz isso com alguma maturidade. Maturidade de vida mesmo, que eu acho que todo mundo precisa, e eu tinha essa consciência de que o meu trabalho seguiria, independente do que acontecesse com essa história e com todas as outras. Eu nunca fico apegado ao que eu já fiz, eu sempre tô pensando no futuro, pra frente, no que está por fazer. Essa para mim é como eu me guio, é como eu continuo e assim eu vou publicando também”, completa.

Expectativas para as telas

O universo criado por Itamar já ganhou os palcos, mas a transição para o cinema ou para uma série segue um ritmo próprio, que esbarra na realidade da produção nacional. Sobre possíveis adaptações, o autor mantém os pés no chão, embora confirme que as movimentações de bastidores existem.

“Olha, já teve duas adaptações para o teatro, uma no exterior que passou por 17 países da Christiane Jatahy e o musical que já passou por algumas capitais, já tem mais de 80 mil espectadores. Sempre tem convites, não só para Torto Arado, mas para contos, para romances que eu escrevi”.

Ele pondera, no entanto, sobre as diferenças estruturais do setor audiovisual no Brasil e as etapas burocráticas até que uma obra ganhe vida na tela:

“Eu sei que o audiovisual brasileiro depende de recursos, financiamento, não é como o audiovisual, por exemplo, de grandes países, como os Estados Unidos, onde o dinheiro existe para poder tirar do papel, mas sempre surgem convites. Agora eu não sei, não tem nada, assim, eu não recebi nenhum telefonema. Contratos assinados tem, mas não recebi nenhum telefonema dizendo ‘vai sair do papel, vai começar agora’. Eu acho que tudo tem seu tempo”, afirma.

Para ilustrar a paciência necessária com as adaptações literárias, Itamar faz um paralelo com um dos maiores clássicos da literatura latino-americana:

“Eu lembro que Cem Anos de Solidão foi publicado em 1968, acho que todo mundo queria ver aquela história no cinema ou numa série e demorou mais de 50 anos para que isso viesse a acontecer. Eu acho que tudo tem seu tempo”, finaliza.