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Giulia Calbucci usa a ironia para decodificar as forças que moldam o vestir contemporâneo

Fonte: revistamarieclaire.globo.com | Data: 08/08/2026 04:50:20

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Com passagens pela alta moda europeia, a influenciadora usa figurinos elaborados e roteiros ácidos para analisar os fenômenos políticos e econômicos por trás da moda


Anatomia da influência: Giulia Calbucci usa a ironia para decodificar as forças que moldam o vestir contemporâneo
Anatomia da influência: Giulia Calbucci usa a ironia para decodificar as forças que moldam o vestir contemporâneo — Foto: Divulgação

Na pele de uma médica fictícia que faz diagnósticos para os sintomas estéticos da internet, Giulia Calbucci encontrou um método singular para se destacar em meio a feeds inundados por repetições. Em seus quadros, como Anatomia do estilo e Escola preparatória de it girls, transforma a observação de tendências em entretenimento crítico. A inclinação pelo exagero e pela ironia deliberados evoca a definição de camp de Susan Sontag: o gosto pelo artifício, pela teatralidade e pelas coisas que se apresentam entre aspas.

Há um quê de subversão nas forças que a atraem. Com figurinos e cenários elaborados e roteiros ácidos, a criadora de conteúdo carioca assume personas para destrinchar os movimentos sociais que moldam o armário coletivo. “Meu ponto sempre foi tirar a moda do lugar só de consumo. Gosto de olhá-la como movimento cultural, de investigar por que queremos usar tal peça, porque sempre haverá algo na história, na economia ou na política que explique o desejo.”

A abordagem ganhou tração quando suas análises passaram a focar fenômenos macro, como o recession core, decodificando o reflexo das crises econômicas na busca por silhuetas austeras e sem logotipos. “Foi quando passei a falar menos sobre estilo e mais sobre o contexto social que meu conteúdo realmente viralizou.”

O estilo de Giulia Calbucci é marcado por contrastes, que revelam suas múltiplas facetas — Foto: Divulgação
O estilo de Giulia Calbucci é marcado por contrastes, que revelam suas múltiplas facetas — Foto: Divulgação

O repertório tem lastro na trajetória acadêmica. Graduada em design gráfico e de moda, também fez mestrado em gestão de marcas de luxo no Istituto Marangoni, em Londres. “Sentia falta de ver o lado do branding, da administração. Sou criativa, mas também analítica; tenho esse lado mais frio, aquariano”, brinca ela, que à época atuava na área criativa da Macai, da qual é hoje sócia.

A rotina de criar briefings para marcas como Burberry e Bentley dividia espaço com as aulas de sociologia e antropologia da moda, que forneceram a base conceitual para o conteúdo que produz hoje. A vivência internacional incluiu ainda um estágio no departamento de relações públicas da Giorgio Armani: “Eu fazia provas de looks com nomes como Cate Blanchett e Regé-Jean Page. Foi uma experiência digna de O diabo veste Prada.

No retorno ao Brasil, os holofotes digitais não estavam nos seus planos, mas logo veio o primeiro conteúdo de alcance expressivo – o quadro Assinatura de estilo, no TikTok, em que determinava os elementos visuais mais marcantes de personalidades.

Anatomia da influência: Giulia Calbucci usa a ironia para decodificar as forças que moldam o vestir contemporâneo — Foto: Divulgação
Anatomia da influência: Giulia Calbucci usa a ironia para decodificar as forças que moldam o vestir contemporâneo — Foto: Divulgação

Seu repertório ajuda a compreender o interesse pelo artifício, pelo humor e pela construção de personas. Na fotografia de Nadia Lee Cohen, ela encontra a sátira ao consumismo e à cultura de celebridades; no design de Mark Gong, a experimentação de silhuetas e o mix de referências anacrônicas. A essa bagagem pop, somam-se a carga dramática do cinema nacional – como o monólogo de Sônia Braga em Eu te amo (1981) – e o apelo plástico da iconografia de Elvis.

A colisão de opostos também orienta as escolhas de seu guarda-roupa. “Se vou usar uma blusa romântica, combino com uma calça mais masculina ou uma saia edgy.” Um flerte com uma identidade visual mais sombria surge no uso frequente de peças pretas, vinílicas e de couro, arrematadas por salto alto. “O que transforma o estilo em algo interessante é não se prender a um visual único, que pareça 100% saído da vitrine ou da passarela.”

Anatomia da influência: Giulia Calbucci usa a ironia para decodificar as forças que moldam o vestir contemporâneo — Foto: Divulgação
Anatomia da influência: Giulia Calbucci usa a ironia para decodificar as forças que moldam o vestir contemporâneo — Foto: Divulgação

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