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Investigação da queda do avião da Voepass revela versões opostas sobre falhas, reportes e segurança operacional

Fonte: cbncampinas.com.br | Data: 08/08/2026 08:03:47

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Os depoimentos dos principais investigados no caso da Voepass revelaram versões diferentes sobre a cultura de segurança da empresa. Enquanto diretores e gestores afirmaram que nunca houve orientação para esconder panes ou deixar de registrar falhas, pilotos e alguns funcionários relataram situações em que problemas eram deixados para serem reportados apenas em bases com maior estrutura de manutenção.

O ex-presidente executivo Eduardo Magalhães Rodrigues Busch afirmou que não participava das decisões técnicas sobre manutenção ou despacho de voos. Segundo ele, as decisões ficavam sob responsabilidade das áreas especializadas e nunca houve restrição financeira para compra de peças ou realização de reparos.

Já o controlador da empresa, José Luiz Felício Filho, reconheceu que a companhia enfrentava problemas operacionais e de manutenção, especialmente pelo tamanho reduzido da frota e pelas dificuldades enfrentadas após a pandemia. Ainda assim, afirmou que as decisões sobre aeronavegabilidade ficavam a cargo dos setores técnicos e negou qualquer orientação para descumprimento de normas de segurança.

O diretor de operações, Marcel Sarquis Moura, o chefe do Centro de Controle Operacional, Raphael Limongi de Figueiredo, e o gerente do Centro de Controle de Manutenção, Juliano Flores Pacheco, disseram que a empresa dependia dos registros feitos por pilotos e mecânicos e negaram qualquer política de ocultação de falhas. Eles sustentaram que, sem anotação no livro técnico da aeronave, não havia como aplicar restrições ou impedir um voo.

Em sentido contrário, pilotos como Marcelo Mantovani e Paulo Eduardo Pereira dos Santos relataram que existiam situações em que reportes eram deixados para bases maiores, como Ribeirão Preto e Guarulhos, para evitar impactos na malha aérea. O despachante Marcos Hiroyuki Sato também reconheceu que isso acontecia em alguns casos.

O gerente do Centro de Controle Operacional, William Agatz, afirmou que nenhuma informação sobre falha no sistema de degelo chegou oficialmente ao setor antes do acidente. Segundo ele, se a restrição tivesse sido comunicada, a empresa poderia trocar a aeronave ou alterar a rota.

Outro ponto analisado pela Polícia Federal foi um grupo de WhatsApp chamado Segurança Operacional. As mensagens passaram a integrar a investigação porque reuniam integrantes das áreas técnicas da empresa e continham discussões sobre documentos, registros operacionais e medidas adotadas após o acidente.

Os depoimentos também mostraram consenso sobre um aspecto técnico. Pilotos experientes afirmaram que o ATR não deve permanecer em condição de gelo severo, mesmo com o sistema de degelo funcionando. Nesses casos, o procedimento correto seria abandonar imediatamente a área de gelo por meio de descida ou mudança de nível de voo.

Ao final das oitivas, permaneceu a principal dúvida da investigação: a ausência de registros sobre a falha do sistema de degelo foi resultado de erros individuais ou consequência de uma cultura operacional que tolerava o adiamento de reportes para evitar impactos na operação da companhia.