Apex Partners entra com pedido pré-RJ, entenda a crise do grupo
Fonte: pipelinevalor.globo.com | Data: 09/08/2026 11:53:29
O grupo capixaba Apex Partners, que inclui a gestora Apex Gestão de Ativos cujo fundo tem 15% da agência de viagens CVC, entrou com pedido de proteção contra execução de dívidas na Comarca da Capital de Vitória. O juiz deu 30 dias para a empresa apresentar um pedido de recuperação judicial.
A instituição financeira, que tem uma dívida bruta de R$ 986 milhões, pede a suspensão de execução de dívidas e garantias pelo prazo de 60 dias, bem como o impedimento para retenção de caixa, para que possa fazer a diligência contábil-financeira do grupo.
A empresa alega que o pedido visa impedir uma antecipação de vencimentos e execução de garantias, bem como uma corrida desordenada de credores e investidores, que produzam, em poucos dias, a destruição irreversível de seu patrimônio.
Nesta semana, a companhia informou que afastou seus sócios Fernando Antonio Kulnig Cinelli da presidência da sociedade e do conselho de administração e Eduardo Siqueira da diretoria financeira. Esse fato, segundo a empresa, poderia disparar o vencimento antecipado de dívidas. A companhia informou que contratou auditoria externa para revisão do exercício de 2025 e auditoria completa do período de 2026.
Após a notícia, o BTG Pactual rompeu o contrato de distribuição. O banco, que é o administrador do fundo FIDC BRM Carbyne Crédito Estruturado, fechou o portfólio para resgates.
Segundo a Apex, há o pedido de resgate em fundos regulados de cerca de R$ 78,2 milhões entre 12 de agosto e 30 de setembro de 2026, além de recursos em produtos que oferecem cashback que poderiam ser acionados. A Apex também não pagou uma parcela de R$ 7,9 milhões com o grupo Gazin em julho.
Fundado em 2013, o grupo Apex Partners atua na gestão de ativos, distribuição de valores mobiliários, investment banking, real estate, private equity e venture capital, além de prestar consultoria empresarial e corretagem de seguros e estava em processo de constituição de uma DTVM.
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Durante esses anos, o grupo cresceu por meio de aquisições como a gestora Carbyne Investimentos. No ano passado, a Apex comprou a Stark Investment Banking, empresa especializada em assessoria financeira de Santa Catarina, e a boutique Propósito, ambas do Sul, além da Potenza e Redoma, que atuam como multifamily office e assessoria patrimonial com o objetivo de se consolidar como um banco de investimento regional.
O grupo busca com o pedido, impedir a execução de garantias. A Apex tem um saldo de debêntures de R$ 452,1 milhões, emitidas pela Rhino Securitizadora, que têm como garantia ações da própria BRM Apex Investimentos e da Apех Partners. O grupo alega que há vencimentos e obrigações de pagamento das debêntures nas próximas semanas, sem caixa disponível para pagar.
O grupo ainda mantém R$ 309,8 milhões distribuídos a clientes com possibilidade de resgate por cashback, que poderiam ser acionados. Esses produtos incluem fundos como BRM Carbyne Voyage FIA, Carbyne Mercados Privados Feeder, Apex Cresc. Mercados Regionais Feeder, Apex Malls FII, Carbyne Crédito Privado e Debênture NewSun WTE que oferecem remuneração de até 125% do CDI líquido.
O grupo pede a extensão de proteção contra execução contra os sócios pois possui R$ 201,7 milhões de crédito bancário com aval dos sócios junto ao Sicoob, BTG e Daycoval.
Embora a diligência ainda esteja em curso, a Apex já identificou uma deterioração dos ativos em carteira. Da posição nominal de R$ 261,5 milhões no fim de junho, apenas R$ 190,1 milhões seriam recuperáveis em desinvestimento.
O juiz determinou que ela apresente, em 20 dias, o laudo das reais condições de funcionamento.