Risco de derrota, falta de alianças e acordos políticos afastam das urnas ministros, ex-governadores e ex-presidentes do Senado; veja os nomes
Fonte: oglobo.globo.com | Data: 10/08/2026 11:12:04
Dificuldades para se reeleger, acordos que privilegiam outros nomes do mesmo campo político e estratégias dos partidos para ampliar alianças contra adversários afastaram das urnas este ano políticos com longos mandatos e que tiveram projeção nacional.
O deputado Aécio Neves (PSDB-MG), que passou 40 anos em mandatos na Câmara, Senado e governo de Minas Gerais, do senador Paulo Paim (PT-RS), que também exerce mandatos há quatro décadas, e do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que está há 20 anos no Congresso, são alguns dos exemplos.
Aécio foi um nome competitivo na eleição presidencial de 2014, vencida pela ex-presidente Dilma Rousseff, mas depois foi alvo de investigações na Justiça após ser citado pelo empresário Joesley Batista, da JBS, como destinatário de pagamentos de propina. O tucano foi absolvido, mas, por conta do desgaste, desistiu de tentar renovar o mandato de senador em 2018 e disputou uma cadeira na Câmara, cargo a que também concorreu em 2022.
O deputado do PSDB, que é presidente nacional do partido, chegou a cogitar concorrer ao Senado neste ano, mas turbulências no cenário em Minas Gerais e o esvaziamento do PSDB provocaram uma mudança de rota.
– O PSDB tem que estar preparado para conversar com outras forças políticas de centro para construir um projeto desde agora para 2030. Optei por liderar isso dentro do PSDB. Não é fundamental eu estar no Senado ou na Câmara. Vou me dedicar integralmente a esse projeto, mas não estou afastando a possibilidade de no futuro voltar a disputar eleições – declarou Aécio.
O deputado Paulinho da Força, que exerce mandatos ininterruptos na Câmara desde 2007, também vai ser uma ausência no Congresso a partir do ano que vem. Ele chegou a se apresentar como pré-candidato ao Senado, mas desistiu de concorrer ao cargo e também de renovar o mandato de deputado.
Um dos fundadores da Força Sindical, Paulinho fundou o partido Solidariedade em 2013 e preside a legenda desde então. Ele diz que, apesar de se afastar do Congresso, vai seguir na política ao continuar no comando do partido.
Em 2022, Paulinho não chegou a reunir os votos necessários para se eleger como titular para a Câmara e ficou na suplência. No final de 2023, ele assumiu definitivamente a cadeira no Congresso porque o ex-deputado Marcelo Lima havia trocado o Solidariedade pelo Podemos sem justa causa e perdeu o mandato.
– Eu fiquei 20 anos no Congresso, quase um terço da minha vida passei lá dentro. Não é muito fácil essa vida, toda semana ir para Brasília. Você abandona a família, não vê os filhos crescerem. De certa maneira estava cansado do Congresso também e vou me dedicar à presidência do partido — disse Paulinho.
Também houve recuo de políticos fora do mandato que ensaiavam tentar voltar ao Congresso. O ex-senador e ex-governador Álvaro Dias (MDB-PR) chegou a ser lançado na convenção do seu partido como candidato, mas desistiu de disputar o cargo após não conseguir um acordo para integrar a chapa do grupo do governador Ratinho Júnior (PSD).
— Compreendi que não existem, dentro do grupo político liderado pelo governador, as condições necessárias para construir essa unidade que eu almejei em torno do meu nome — disse Dias ao anunciar a decisão.
Entre mandatos de vereador, deputado estadual, deputado federal, governador e senador, Álvaro Dias exerceu 53 anos de cargos eletivos até perder a tentativa de reeleição em 2022, pleito vencido por Sergio Moro (PL), nome que Dias estimulou a entrar na política. Os dois romperam naquela eleição.
Por sua vez, o senador petista Paulo Paim já havia anunciado que não disputaria a reeleição e confirmou a decisão neste ano. Quando anunciou a aposentadoria da política, o senador disse que “pretende passar o bastão”.
Neste ano, o PT lançou o deputado e ex-ministro Paulo Pimenta para disputar o Senado no Rio Grande do Sul.
Outras desistências passaram por acordos políticos e pedidos para favorecer o grupo do qual fazem parte. Exemplos disso são os dos ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), Alexandre Padilha (Saúde), José Guimarães (Relações Institucionais) e Luiz Marinho (Trabalho).
Boulos, do PSOL, e Padilha e Marinho, do PT, decidiram não disputar a reeleição como deputados para continuar na Esplanada dos Ministérios e fortalecer o projeto nacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O mesmo aconteceu com Guimarães, que tentava se candidatar ao Senado, em uma disputa que estava congestionada na esquerda no Ceará, mas desistiu do pleito após ser chamado por Lula para comandar a pasta.
No Ceará, há também o exemplo do deputado Eunício Oliveira (MDB-CE), que tentava ser candidato ao Senado. O emedebista já presidiu o Senado em 2017 e 2018, mas disputou a Câmara em 2022 após não ter sido reeleito senador. Sem espaço na chapa do governador Elmano de Freitas (PT), Eunício indicou o filho Rodrigo Oliveira para ser suplente de Luizianne Lins (Rede), uma das candidaturas ao Senado do grupo petista.
Na convenção do MDB do Ceará, realizada na semana passada, Eunício disse que desistiu de disputar por problemas de saúde:
– O problema é que fui surpreendido com a anemia profunda e, após o tratamento, você perde a imunidade. Para não criar problemas para a nossa coligação, eu disse que o importante é a gente ganhar as eleições.
Outro ex-presidente do Senado que vai ficar fora de mandato político é Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Ele chegou a ser convidado pelo presidente Lula para ser candidato a governador de Minas Gerais, mas decidiu não entrar na disputa.
Eleito em 2018 com uma base mais voltada para a direita e assumindo o comando do Senado em 2021 com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, Pacheco se aproximou de Lula e do PT em 2023 e se viu alvo de uma campanha negativa contra ele articulada por bolsonaristas.
Os governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), e do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), também decidiram não disputar as eleições. Ambos eram cotados para disputar a Presidência da República, mas o PSD escolheu o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado para ser candidato.
Diante do cenário congestionado em seus estados, com diversos nomes ligados a Lula e ao bolsonarismo disputando o Senado, Leite e Ratinho optaram por seguir no mandato de governadores e também não tentaram ir ao Congresso.