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Master é alvo de investigação sobre aplicações do Iprev

Fonte: cenariomt.com.br | Data: 10/08/2026 16:53:57

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A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizaram nesta segunda-feira (10) uma operação para aprofundar as investigações sobre possíveis irregularidades na aplicação de recursos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em operações financeiras do Banco Master. O caso envolve recursos indicados em R$ 97 milhões.

O Banco Master, pertencente ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025 por determinação do Banco Central (BC). Na ocasião, o órgão informou que a instituição havia descumprido normas do Sistema Financeiro Nacional e enfrentava uma grave crise de liquidez.

Ao todo, oito mandados de busca e apreensão, autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos em municípios de Alagoas e São Paulo.

Quem é investigado

Entre os alvos da operação estão João Felipe Alves Borges, atual secretário de Fazenda de Maceió e integrante do Conselho de Administração do Iprev no período investigado; Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do instituto; Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev; Renan Foglia Calamia, dirigente da empresa de consultoria Crédito & Mercado; Marília Alexandre de Lima Alves, integrante da Secretaria Municipal da Fazenda; e Marcelo Brasileiro Santos, membro do Comitê de Investimentos do Iprev.

A decisão judicial permitiu a apreensão de computadores, discos rígidos, pendrives, telefones pessoais ou corporativos, documentos, agendas, anotações, contratos, comprovantes financeiros e outros materiais que possam contribuir para a investigação. As diligências ocorreram em endereços residenciais e comerciais relacionados aos investigados, além das sedes do Iprev e da Crédito & Mercado de Valores Mobiliários LTDA.

Consultoria é citada nas apurações

Segundo a PF, a Crédito & Mercado foi contratada pelo Iprev e teria participado de etapas relacionadas ao credenciamento, à elaboração e validação de análises e à documentação das operações realizadas com o Master. Para os investigadores, essa atuação pode representar uma possível terceirização indevida de competência administrativa do instituto de previdência.

Além das buscas, o ministro André Mendonça determinou a indisponibilidade de bens móveis e imóveis e de valores pertencentes aos seis investigados, até o limite global de R$ 97 mil.

A PF apura suspeitas de possível gestão fraudulenta relacionadas a duas aplicações de recursos do Iprev em letras financeiras emitidas pelo Master. Conforme consta no material da investigação, em dezembro de 2023 o instituto aplicou R$ 97 mil e, em maio de 2024, realizou uma nova aplicação de R$ 17 mil.

As autoridades procuram esclarecer como ocorreram as etapas de credenciamento, cotação, avaliação de risco, governança e tomada de decisão que antecederam os investimentos.

Na decisão que autorizou as diligências, André Mendonça registrou que a PF apontou indícios de possível direcionamento dos investimentos e de exposição considerada desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de maior risco e menor liquidez.

Segundo o despacho, as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) teriam apresentado justificativas genéricas e padronizadas. A investigação também questiona a existência de estudos comparativos, análise adequada do risco de crédito, avaliação de liquidez, exame da cláusula de subordinação e justificativa específica para a escolha do Banco Master.

Até a publicação do conteúdo original, a reportagem não havia conseguido contato com a Prefeitura de Maceió nem com os investigados. O espaço permanece aberto para manifestações dos envolvidos.

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