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Silveira vê maioria do PSD com Lula no 2º turno

Fonte: brasil247.com | Data: 10/08/2026 17:06:09

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247 – A maior parte do PSD tende a apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caso a disputa presidencial chegue ao segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A avaliação é do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), que também relacionou a continuidade do atual governo à preservação da estabilidade institucional no país.

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, nesta segunda-feira (10), Silveira afirmou não poder falar oficialmente em nome de uma legenda do tamanho do PSD, mas disse identificar entre seus integrantes um sentimento majoritariamente favorável a Lula em uma eventual disputa contra Flávio Bolsonaro.

“Não posso falar por um partido tão grande quanto esse, mas posso falar sobre o sentimento da maioria do partido. Eu posso te afirmar que a maior parte sabe da importância da continuidade do presidente Lula. Com todo, todo respeito à candidatura do governador Caiado, que tem sua história, mas o partido, no caso de segundo turno entre Flávio e Lula, pensará no Brasil”, declarou.

O PSD disputa a Presidência com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, enquanto o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, integra a chapa como candidato a vice. A candidatura, porém, ainda não conseguiu se consolidar nas pesquisas como uma alternativa à polarização entre o campo liderado por Lula e o bolsonarismo.

Silveira citou como exemplos da proximidade de integrantes do PSD com o presidente os candidatos Eduardo Paes, no Rio de Janeiro; Raquel Lyra, em Pernambuco; e Fábio Mitidieri, em Sergipe. Segundo o ministro, os três apoiam Lula já no primeiro turno.

Silveira relaciona Lula à estabilidade institucional

Ao avaliar uma eventual disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, o ministro colocou a preservação das instituições no centro de sua argumentação.

Silveira considera que uma nova vitória do petista representaria um fator de estabilidade para o Brasil em meio a um cenário internacional conturbado. Sem mencionar nominalmente Flávio Bolsonaro nesse trecho da entrevista, advertiu para as consequências que uma situação de instabilidade institucional poderia provocar.

“É uma grande preocupação que as instituições sejam preservadas, porque a gente discordar de uma pessoa, de duas ou de três, é uma coisa. A gente destruir as instituições, no cenário internacional [atual], nós vamos nos perder em uma bancarrota econômica e social”, afirmou.

O ministro também ressaltou a experiência política de Lula e disse confiar na decisão do eleitorado brasileiro diante desse cenário.

“O presidente Lula é alguém extremamente experimentado. […] Eu acredito na lucidez do povo brasileiro e que ninguém em sã consciência vai querer instabilidade institucional nesse País”, acrescentou.

Ministro diz que EUA já interferem indiretamente

Silveira também foi questionado sobre uma eventual interferência do governo de Donald Trump nas eleições brasileiras. Para o ministro, os Estados Unidos já exercem influência indireta sobre o cenário nacional.

Ao explicar sua avaliação, mencionou tarifas e declarações do secretário de Estado nortedos EUA, Marco Rubio. Segundo Silveira, os Estados Unidos “já está interferindo”, mas descartou a possibilidade de uma interferência direta.

“Com as taxas, com a verbalização do secretário de Estado [Marco Rubio]. Mas assim, interferência direta não acredito. O Brasil é uma democracia tanto quanto os Estados Unidos”, declarou.

Minas entra na estratégia eleitoral de Lula

Mineiro, Silveira coordenou a campanha de Lula no estado em 2022 e voltará a atuar em favor do presidente na disputa deste ano.

O ministro minimizou as dificuldades enfrentadas pelo grupo de Lula para estruturar um palanque eleitoral em Minas Gerais. O posto foi recusado inicialmente pelo senador Rodrigo Pacheco (PSB) e, depois, pela ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT). Lula lançou, então, o deputado federal Patrus Ananias (PT) como candidato.

Silveira aposta em um bom desempenho de Patrus, mas considera que uma eventual dificuldade da candidatura estadual não necessariamente prejudicará Lula.

Na avaliação do ministro, o eleitor mineiro não “verticaliza” o voto, ou seja, não escolhe necessariamente seu candidato à Presidência com base na preferência para o governo estadual.

O comportamento encontra precedentes na história eleitoral recente de Minas Gerais. Nas duas primeiras eleições presidenciais vencidas por Lula, o petista saiu vitorioso no estado ao mesmo tempo em que Aécio Neves (PSDB), então adversário político do PT, conquistou o governo mineiro.

O fenômeno voltou a ocorrer em 2010, quando Dilma Rousseff (PT) venceu a disputa presidencial em Minas e Antonio Anastasia, então no PSDB, foi eleito governador.

Em 2022, o eleitorado mineiro reelegeu Romeu Zema (Novo) para o governo estadual e, simultaneamente, deu a Lula a maioria dos votos na eleição presidencial.

Silveira ironiza Zema

Ao final da entrevista, Silveira direcionou uma crítica a Romeu Zema, adversário de Lula na disputa pelo Palácio do Planalto.

O ministro mencionou uma publicação do político nas redes sociais e ironizou uma possível mudança para São Paulo.

“Outro dia eu vi na rede social ele juntando as coisas dele pra se mudar para São Paulo. Belo Horizonte agradece”, afirmou Alexandre Silveira.

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