Presidente da Voepass nega ter conhecimento de omissões sobre falhas técnicas antes de acidente – Fatos Online
Fonte: fatosonline.com.br | Data: 10/08/2026 19:53:19

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
O presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, afirmou que não sabia que problemas relacionados ao registro de falhas técnicas continuavam ocorrendo na companhia antes da queda do voo 2283, em agosto de 2024. A declaração consta de nota divulgada nesta segunda-feira (10) por seus advogados, em sua primeira manifestação pública desde o indiciamento pela Polícia Federal. O acidente ocorreu em Vinhedo (SP) e deixou 62 mortos. Ao todo, 16 pessoas ligadas à empresa foram indiciadas na investigação.
Segundo a defesa, Felício Filho integrava o conselho da Voepass na época da tragédia e não participava diretamente da gestão operacional desde 2017. Após o acidente, ele teria reassumido o comando cotidiano da companhia e promovido mudanças em procedimentos e estruturas internas, além de ampliar o diálogo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Os advogados afirmam que o executivo determinou medidas para garantir o cumprimento dos protocolos de segurança. A defesa sustenta que ele não sabia da continuidade de condutas contrárias às orientações.
A versão apresentada pelos advogados, porém, diverge de conclusões registradas pela Polícia Federal. Segundo o relatório da investigação, Felício admitiu em depoimento ter sido informado por diretores da Anac sobre uma prática de não registrar determinadas falhas no livro de bordo. O documento também aponta que ele sabia que um sistema automatizado destinado a monitorar dados de voo e identificar recorrências de problemas no sistema antigelo ainda não havia sido implantado. A PF afirma ainda que o executivo reconheceu que a aeronave não deveria ter sido despachada para a rota em questão.
A investigação aponta que o acidente teria sido provocado por uma sequência de falhas operacionais e de manutenção, e não por um episódio isolado. Conforme o relatório, o ATR 72-500 foi enviado para uma região com previsão de formação de gelo, embora não fosse certificado para operar nessas condições e apresentasse problemas conhecidos no sistema de degelo. A PF também identificou relatos de orientação para que panes fossem registradas apenas após o retorno das aeronaves à base em Ribeirão Preto (SP), indicando uma possível cultura de omissão de falhas e priorização da disponibilidade da frota.
