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BNDES aprova R$ 54 milhões para modernização da Agrovale no Vale do São Francisco

Fonte: folhape.com.br | Data: 11/08/2026 13:19:52

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou dois financiamentos que somam R$ 53,99 milhões para a Agro Indústrias do Vale do São Francisco S.A. (Agrovale). Os recursos, provenientes do Programa Fundo Clima, serão destinados à modernização dos sistemas de irrigação e de geração de energia da unidade industrial da empresa, localizada em Juazeiro, na Bahia.

As operações foram estruturadas pelo Bradesco, agente financeiro credenciado do BNDES, com apoio da Gerência Nordeste do banco. Os investimentos têm como objetivo reduzir perdas de água, aumentar a eficiência no uso dos recursos hídricos e ampliar o aproveitamento do bagaço de cana-de-açúcar como fonte renovável de energia.

Uma das operações, no valor de R$ 39,27 milhões, será destinada à substituição do sistema de irrigação por gravidade por um modelo localizado por gotejamento em aproximadamente 490 hectares de cana-de-açúcar. A mudança deve permitir maior controle da aplicação da água, redução das perdas hídricas e maior precisão na fertirrigação, sem aumento da área atualmente irrigada.

Com a modernização, a expectativa é alcançar eficiência operacional de aproximadamente 95% e reduzir as perdas de água para menos de 5%. O projeto também prevê a instalação de estação de bombeamento, sistemas de filtragem, tubulações, válvulas de controle, automação hidráulica e emissores gotejadores, além de adequações na infraestrutura elétrica e hidráulica.

A segunda operação, de R$ 14,72 milhões, será aplicada na modernização do sistema de geração térmica a biomassa da unidade industrial. Os recursos serão utilizados na atualização da caldeira e dos sistemas de combustão, automação, instrumentação, monitoramento e controle.

A medida busca elevar a eficiência energética da planta e ampliar o aproveitamento do bagaço de cana utilizado como combustível renovável. O Fundo Clima do BNDES contempla, entre suas linhas de apoio, projetos de modernização de sistemas de irrigação que reduzam o consumo de água e soluções para conversão de biomassa em produtos energéticos.

Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, os investimentos estão alinhados às iniciativas de adaptação às mudanças climáticas e de redução dos impactos ambientais.

“O financiamento da modernização de sistemas de irrigação e do aproveitamento energético da biomassa está em linha com o objetivo do Fundo Clima de apoiar a adaptação às mudanças climáticas, promovendo maior eficiência produtiva e incentivando tecnologias de menor impacto ambiental”, afirmou Mercadante.

A superintendente Administrativa Financeira da Agrovale, Juliana Alves, destacou que a modernização integra a estratégia de sustentabilidade da empresa, especialmente diante das características do semiárido.

“A sustentabilidade faz parte da estratégia e da rotina da Agrovale. Produzir no semiárido exige utilizar a água, a energia e os demais recursos naturais com cada vez mais eficiência e responsabilidade”, afirmou.

Segundo Juliana, os recursos permitirão incorporar novas tecnologias aos sistemas de irrigação e geração de energia, com impacto na eficiência operacional da unidade.

“O apoio do BNDES, por meio do Fundo Clima, e a estruturação realizada pelo Bradesco viabilizam investimentos para a modernização da irrigação e o aumento da eficiência energética da nossa indústria”, acrescentou.

Pelo Bradesco, a diretora de Global Trade & Finance, Marina Gravina, afirmou que o financiamento demonstra o papel do crédito na modernização de empresas e na adoção de práticas mais sustentáveis.

“Esta operação reforça o papel do crédito como instrumento para apoiar investimentos que combinam ganhos de eficiência operacional e sustentabilidade”, declarou.

A Agrovale atua há mais de cinco décadas no Vale do São Francisco, região marcada pela produção agrícola irrigada no semiárido. A empresa produz açúcar, etanol e bioeletricidade e mantém investimentos voltados à eficiência no uso da água e ao aproveitamento do bagaço de cana como fonte renovável de energia. A companhia informa que possui cerca de 3 mil empregos diretos.

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