Em BH e no Brasil, 61% dos usuários reprovam o transporte público; espera e lotação lideram queixas
Fonte: otempo.com.br | Data: 11/08/2026 14:42:01
São Paulo (SP) — Ouvindo passageiros de Belo Horizonte e de outras 245 cidades pelo país, o Índice Geral de Satisfação do Transporte (IGST) apontou que mais de 60% dos usuários do transporte público coletivo no Brasil avaliam o serviço de forma negativa. Os dados, levantados pela Prompt Consultoria em parceria com o aplicativo Cittamobi, foram apresentados nesta terça-feira (11/8), em São Paulo, durante o Seminário da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) 2026. Segundo o estudo, o tempo de espera nas paradas e a lotação dos veículos lideram as reclamações da população.
A pesquisa mapeou a percepção dos passageiros a partir de 10.092 respostas coletadas em 27 estados. A nota média atribuída ao sistema de transporte público no país foi de 42,6 em uma escala de 0 a 100. Das 14 dimensões avaliadas no estudo, apenas três obtiveram avaliação positiva superior a 50%: a condução dos motoristas (69,8%), a acessibilidade (51,1%) e a limpeza interna dos veículos (50,6%).
Em contrapartida, os itens com piores índices de aprovação foram a lotação dos veículos (28,8%), o tempo de espera nos pontos e estações (28%), a pontualidade dos itinerários (34,1%) e a conservação das paradas (36,8%).
Ao serem questionados sobre as prioridades para a melhoria do sistema (com opção de até cinco escolhas), 66,5% dos entrevistados indicaram a pontualidade como fator principal, enquanto 47,5% apontaram a necessidade de reduzir o tempo de espera por meio da ampliação da frota em circulação.
Perfil do usuário e tempo de deslocamento
O estudo traça um perfil predominantemente dependente do transporte público: 98,4% dos respondentes afirmam utilizar o serviço na cidade onde residem, e 58,6% dependem exclusivamente do ônibus, sem integração com outros modais. Além disso, 77,8% dos entrevistados declararam viajar diariamente ou de cinco a seis dias por semana, caracterizando o uso do serviço como uma necessidade rotineira.
Em relação à faixa etária, a maior concentração de respostas deu-se entre usuários de 41 a 65 anos, com destaque para a faixa de 51 a 54 anos, que representou 32,6% do total. As mulheres compõem 52,5% da amostra, enquanto os homens somam 47,5%.
O levantamento indicou ainda que a insatisfação é proporcional à frequência de uso e à duração dos trajetos: passageiros diários e aqueles que levam mais de duas horas no deslocamento apresentaram os maiores níveis de crítica ao sistema.
Quanto aos tempos de viagem, 37,7% dos entrevistados informaram gastar entre 30 minutos e uma hora por trecho, enquanto mais de um terço dos passageiros passa mais de uma hora dentro dos veículos por deslocamento.
Em cidades com mais de 2 milhões de habitantes, a média do tempo de viagem atinge 58 minutos. Por outro lado, o acesso inicial ao transporte é rápido para a maioria: 45,7% chegam ao ponto em até cinco minutos, e 80,7% gastam até dez minutos no percurso a pé.
Concorrência com aplicativos de mobilidade
A insatisfação com a regularidade e o conforto do transporte coletivo tem impulsionado a migração de passageiros para serviços de transporte individual por aplicativo. Os principais atributos valorizados nas plataformas individuais foram a pontualidade e o cumprimento de horários (37,8%), a praticidade e agilidade (26,2%) e a clareza nas informações oferecidas (19,1%).
Analisando os resultados durante a apresentação no evento da NTU, o consultor da Prompt Consultoria, Diogo Bezerra, destacou que a imprevisibilidade e os longos períodos de espera são os fatores determinantes para a perda de passageiros no sistema coletivo.
“O usuário busca a pontualidade, a redução do tempo de espera e do tempo de deslocamento. São justamente esses indicadores que motivam a busca pelo transporte individual. Se não conseguirmos melhorar esses pontos, principalmente em relação ao tempo de deslocamento e de espera, a migração continuará”, avaliou Diogo Bezerra.
O especialista ressaltou ainda a importância de tratar o transporte coletivo como prioridade estrutural e de garantir o acesso facilitado a informações em tempo real — recurso atualmente utilizado por 51% dos passageiros ouvidos.
“O setor precisa olhar para o transporte de massa com qualidade de uma forma geral, pois ele é o meio de deslocamento da maioria da população. Para ter um retorno e melhorar a percepção do usuário, é preciso atender a esses pontos de gargalo. Além da infraestrutura, a clareza da informação ajuda muito a garantir que a pessoa tenha a certeza de que vai se deslocar no horário certo”, concluiu o consultor.
Resumo dos principais dados da pesquisa
- Abrangência: 10.092 respostas | 246 cidades | 27 estados
- Índice Geral de Satisfação (IGST): 42,6 de 100 pontos
- Satisfação geral: 38,7% positiva | 61,3% negativa
- Pontos mais bem avaliados: condução dos motoristas (69,8%), acessibilidade (51,1%), limpeza interna (50,6%)
- Pontos mais críticos: lotação (28,8%), tempo de espera (28,0%), pontualidade (34,1%)
- Prioridades dos passageiros: pontualidade (66,5%) e rapidez no tempo de espera / mais veículos (47,5%)