Inflação ao produtor (PPI) nos EUA fica estável e mercado vê alta de juros só em dezembro – Monitor do Mercado
Fonte: monitordomercado.com.br | Data: 13/08/2026 13:38:44
O índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos ficou estável em julho na comparação com o mês anterior, sinalizando que a inflação na etapa anterior ao consumidor perdeu força, mas ainda apresenta pressão em alguns segmentos. O resultado veio abaixo das expectativas do mercado, que previa alta de 0,1% no mês.
Segundo dados divulgados pelo Departamento do Trabalho dos EUA nesta quinta-feira (13), na leitura anual, o PPI avançou 4,7% em julho, após alta de 5,5% em junho. A variação ficou abaixo da projeção dos analistas consultados pela FactSet, que esperavam aumento de 4,9% em 12 meses.
Os dados estáveis influenciaram a expectativa do mercado sobre uma possível alta nos juros no país. A maior probabilidade, que havia sido alterada para outubro após a divulgação do CPI ontem (12), agora foi alterada para dezembro (68,4% de chances).
Já o núcleo do PPI, que exclui componentes mais voláteis, como determinados preços sujeitos a oscilações maiores, aumentou 0,2% em julho ante junho, enquanto em 12 meses a alta foi de 4,2%.
O resultado de julho ocorre depois de perdas inesperadas de empregos no mês e de indicadores moderados de inflação ao consumidor. Nesse contexto, o comportamento dos preços ao produtor reforça os argumentos para que o Federal Reserve (Fed) mantenha os juros na reunião de política monetária marcada para 15 e 16 de setembro. No mês passado, o Banco Central americano manteve a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75%.
Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a leitura é positiva para os mercados, considerando que um dado acima do esperado aumentaria as preocupações com a persistência da inflação e poderia reforçar a expectativa de uma política monetária mais restritiva por parte do Fed.
Como isso não ocorreu, explica o especialista, o indicador reduz a pressão sobre os juros e contribui para um ambiente mais favorável aos ativos de risco.
Gasolina ajuda a conter inflação ao produtor nos EUA
A retração dos preços dos bens foi determinada principalmente pela energia. Segundo o Departamento do Trabalho, os preços do segmento caíram 3,1% no mês.
A gasolina teve papel central nesse movimento. Os preços do combustível diminuíram 5,7% em julho e responderam por mais da metade da queda registrada no índice de bens, de acordo com o órgão americano. Também houve recuos nos preços do diesel, do combustível de aviação e de alguns produtos industriais.
Paralelamente, os alimentos também registraram redução no índice, de 0,9%. Na direção contrária, veículos e equipamentos ficaram 0,3% mais caros.
Serviços mantêm pressão sobre a inflação
Enquanto os bens ficaram mais baratos, os serviços registraram alta de 0,2% em julho, após crescimento de 0,5% em junho.
Entre os principais fatores de pressão esteve a gestão de portfólio, cujos preços subiram 6,5%. O levantamento também apontou aumentos nas margens de varejo de produtos de saúde, beleza, veículos e alimentos.
O comportamento dos serviços ganha relevância porque mostra que a desaceleração do índice cheio não foi acompanhada por uma queda generalizada dos preços em toda a economia.
Com base no resultado de julho, Alves avalia que o principal ponto de atenção continua sendo a inflação de serviços, que segue pressionada e representa um desafio maior para a política monetária, já que esse segmento tende a responder de forma mais lenta às altas de juros.
Alta do petróleo ainda pode aparecer nos próximos dados
Outro ponto de atenção no relatório é o período de coleta das informações. A maior parte dos dados utilizados no cálculo do PPI é levantada no início do mês. Com isso, os aumentos acentuados dos preços do petróleo registrados no fim de julho provavelmente não foram capturados integralmente pelo indicador divulgado nesta quinta-feira.
Esse fator pode influenciar as próximas leituras dos preços ao produtor, caso a alta da commodity seja incorporada aos custos das empresas.