Um elevador sem cabos pode mudar a forma como arranha-céus serão construídos nas próximas décadas – Monitor do Merc
Fonte: monitordomercado.com.br | Data: 13/08/2026 13:38:45
O elevador sem cabos troca cabos de aço por propulsão eletromagnética e pode mover várias cabinas em circuitos verticais e horizontais. A proposta libera parte do núcleo dos arranha-céus, mas ainda permanece em testes e demonstração.
Como um elevador sem cabos consegue movimentar a cabina?
Um motor linear funciona como um motor elétrico aberto e estendido ao longo do percurso. Em vez de girar um eixo que movimenta cabos, campos magnéticos sequenciais aplicam força diretamente à cabina, enquanto trilhos e sistemas de guia controlam sua posição.
O conceito está em estágio de protótipo funcional e demonstração. A TK Elevator testa o sistema MULTI em sua torre de Rottweil, na Alemanha. As fontes públicas consultadas ainda não apresentam operação comercial consolidada em arranha-céus ocupados.

Como os motores lineares permitem movimentos em duas direções?
Bobinas instaladas ao longo da via criam um campo magnético móvel. Ímãs e componentes montados na cabina interagem com esse campo, produzindo força sem um cabo de tração. O controle eletrônico regula aceleração, frenagem, distância entre veículos e passagem por diferentes trechos.
Nas mudanças de direção, uma seção móvel ou mecanismo de transferência alinha a cabina com outra parte da via. Isso permite formar circuitos semelhantes aos de um metrô interno. O sistema não flutua livremente, pois guias mecânicas mantêm alinhamento e estabilidade durante o percurso.
Quais desafios impedem a instalação imediata em arranha-céus?
Retirar os cabos não elimina os desafios de segurança. Várias cabinas compartilhando uma rede exigem localização precisa, controle redundante e separação segura. Falhas de energia, evacuação, frenagem e manutenção precisam ser resolvidas em trajetos mais complexos que um poço vertical convencional.
A vantagem arquitetônica depende de reduzir o número de poços sem criar equipamentos maiores, corredores de transferência ou áreas técnicas adicionais. O núcleo também precisa absorver forças, tolerâncias e vibrações. Os principais obstáculos ainda incluem:
- Certificação de uma rede com várias cabinas independentes circulando pelo mesmo conjunto de vias.
- Frenagem segura e retenção da cabina durante falhas elétricas ou interrupções do controle.
- Evacuação de passageiros em trechos verticais, horizontais ou afastados de um pavimento.
- Alimentação elétrica, comunicação e climatização de cabinas sem conexões flexíveis permanentes.
- Manutenção de motores, guias e mecanismos de transferência distribuídos por todo o edifício.
O que os testes atuais mostram sobre capacidade e maturidade?
O sistema foi demonstrado em escala funcional dentro da torre de Rottweil, onde três poços de aproximadamente 100 metros foram destinados ao desenvolvimento. Várias cabinas podem circular vertical e horizontalmente, mas resultados numa instalação de testes não equivalem a décadas de operação num edifício ocupado.
A página técnica do MULTI apresenta motores lineares, múltiplas cabinas e menor área destinada ao transporte vertical. Para comparar essa proposta com elevadores convencionais, é necessário observar:
- Número de passageiros transportados por hora em relação à área total ocupada pelos poços.
- Tempo médio de espera, quantidade de paradas e distância percorrida por cada cabina.
- Energia consumida pelos motores lineares, transferências, controles e sistemas auxiliares.
- Disponibilidade do sistema diante de falhas e manutenção de uma parte da rede.
- Custo de construção, certificação e operação durante toda a vida útil do edifício.

Como essa tecnologia poderia mudar o desenho dos arranha-céus?
Em edifícios muito altos, elevadores convencionais exigem zonas, transferências e conjuntos de poços para atender muitos pavimentos. Um sistema multicabina poderia aumentar a frequência dentro de uma área menor, abrindo espaço para plantas menos dependentes de um núcleo vertical contínuo.
Essa mudança não torna qualquer formato arquitetônico automaticamente viável. Estrutura, incêndio, evacuação, energia, manutenção e circulação de pessoas continuam impondo limites. O impacto mais realista nas próximas décadas depende de certificação, custo competitivo e desempenho comprovado em edifícios ocupados.