“A paixão que tenho pelos cavalos me fez escolher cursar Medicina Veterinária”
Fonte: grupoahora.net.br | Data: 14/08/2026 08:08:50
Como surgiu a paixão por cavalos?
Minha paixão pelos cavalos começou ainda criança com o meu avô, que sempre teve cavalos e esteve inserido no mundo dos rodeios e das cavalgadas. Eu gostava muito de acompanhá-lo e ajudá-lo nas tarefas do campo. Nos momentos livres, “incomodava” para que ele pegasse a égua e a encilhasse para eu poder andar. Com o tempo, fui aprendendo não só como colocar um buçal e encilhar um cavalo, mas também a entender o que eles nos passavam, a perceber o que estavam sentindo e o que cada movimento e reação deles significava.
Você escolheu fazer medicina veterinária para trabalhar com cavalos?
Sim, foi justamente essa paixão que tenho por eles que me fez escolher cursar Medicina Veterinária. Desde o início do curso, direcionei toda a minha formação para o trabalho com a espécie equina, fazendo todos os meus estágios com eles, assim como cursos, palestras e congressos da área.
O que te encanta nos cavalos?
O que me encanta nos cavalos é a pureza, a sensibilidade que eles têm quanto às nossas emoções e a individualidade de cada animal. Adoro como cada um tem suas características únicas, sua personalidade e seus medos, e como nós devemos aprender a lidar com isso. Eu pude desenvolver muito essa sensibilidade em virtude da minha égua: quando meu avô a adquiriu, ela logo demonstrou uma personalidade muito forte, mas também muitos traumas. Ela foi meu maior exemplo para aprender a lidar com cada reação que eles apresentam, sabendo diferenciar quando estão com medo e quando estão tranquilos.
Como começou a sua trajetória profissional?
Ingressei no curso de Medicina Veterinária na Universidade Federal de Santa Maria assim que terminei o ensino médio e, já no segundo semestre, comecei a estagiar no setor de equinos do hospital veterinário da instituição. Foi quando tive meu primeiro contato real com a clínica de equinos e onde tive a certeza de que, mesmo com a rotina exaustiva, era ali que eu queria estar. Ao longo dos cinco anos de faculdade, realizei estágios em diversos lugares, sempre com foco na espécie equina, acompanhando a rotina de cavalos de esporte do Exército Brasileiro e a criação de grandes corredores do turfe nacional.
Como surgiu a oportunidade de ir para Argentina?
Em virtude dos estágios que realizei durante a graduação, pude conhecer o Haras Santa Maria de Araras e toda a equipe por trás do maior criatório de cavalos da raça Puro Sangue de Corrida do Brasil. Pude demonstrar a minha dedicação para com os cavalos, o que abriu as portas para que eu fosse trabalhar com eles na unidade da Argentina.
Como é o seu trabalho aí na Argentina?
Meu trabalho aqui é garantir o bem-estar e o cuidado com os cavalos. Fazemos o acompanhamento dos partos para estarmos próximos em casos que necessitem de intervenção e para garantir que o potrinho recém-nascido esteja saudável, ingira a quantidade adequada de colostro e no tempo correto, zelando também pelo conforto e bem-estar da égua. Além disso, cuidamos do manejo reprodutivo das éguas e dos garanhões, garantindo os potrinhos da próxima temporada, e o manejo básico dos animais do haras, como controle parasitário, vacinação e eventuais feridas e animais que necessitem de atenção clínica.
Quais são seus planos para um futuro próximo?
No momento, meus planos são terminar a temporada de reprodução e nascimentos aqui no haras e ingressar na pós-graduação em Clínica e Cirurgia de Equinos, buscando me manter estudando e adquirindo mais experiência para poder proporcionar sempre o melhor atendimento aos meus futuros pacientes.
Você tem uma égua chamada Figueira (foto). O que ela representa pra você?
Ela é muito especial para mim, pode- se dizer que tem grande influência na minha escolha em trabalhar com os cavalos. Já tenho ela há 13 anos e o nome foi uma escolha do meu avô, ela possuía uma massa ulcerada na região do peito e segundo ele chamar o cavalo por Figueira seria uma tradição que ajudaria a reduzir e curar aquela afecção. A ferida acabou curando com o tempo e o nome ficou.