Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Família cobra Enel por jovem que morreu ao pisar em fio em rua de São Paulo

Fonte: www1.folha.uol.com.br | Data: 14/08/2026 10:14:10

🔗 Ler matéria original

Três anos se passaram desde que o motoboy e promotor de vendas Vinícius Rosa do Nascimento, na época com 25 anos, morreu ao pisar num fio solto em uma rua de São Paulo e tomar um choque de 13 mil volts. A defesa da família briga contra a Enel na Justiça pelo incidente.

O caso ocorreu em novembro de 2023, na esteira de um forte temporal que atingiu a capital e a região metropolitana de São Paulo e deixou um rastro de destruição. Ao todo, 2,1 milhões de clientes ficaram sem energia naquela ocasião. Árvores caíram, fios se romperam e quatro pessoas morreram.

A Enel disse que não vai comentar o caso, mas defendeu em juízo não ter responsabilidade sobre o episódio porque o fio, segundo ela, se rompeu por uma linha de pipa com cerol.

Vinícius foi eletrocutado enquanto voltava para casa com a namorada, Beatriz, que ainda se lembra dos detalhes daquele dia. “Foi horrível”, disse à Folha. Ambos moravam juntos, tinham planos para se mudar, se casar e ter filhos.

O casal estava em uma moto e não viu o fio atravessado sobre a rua José Catarino dos Santos, no bairro Guacuri, região próxima a Diadema. Vizinhos chegaram a gritar para que o casal parasse. Vinícius freou a moto e pisou no cabo assim que colocou o pé no chão. Caiu imediatamente.

Duas enfermeiras que estavam no local tentaram reanimá-lo. A namorada, que também sofreu uma descarga elétrica e conseguiu se soltar, chegou a acionar o resgate. Mas a ambulância demorou a chegar.

Sem resposta, os próprios moradores levaram Vinícius ao hospital. Ele foi colocado na caçamba de uma picape e encaminhado a Diadema. Já não havia mais tempo. Segundo testemunhas, o fio estava no local havia horas sem que a Enel, ciente do problema, tomasse providências.

Representada pelos advogados Júlio Braz e Tamires Silva Ferreira, a família processou a concessionária e ganhou em todas as instâncias. Segundo a Justiça, “nenhuma providência foi tomada pela concessionária com relação ao necessário isolamento do fio ou do local de forma a evitar o evento danoso”.

O caso já transitou em julgado —a Enel não pode mais recorrer—, mas os valores a serem pagos ainda são discutidos no Poder Judiciário.

A Enel depositou R$ 348 mil em juízo, mas a defesa da família diz que a quantia é maior porque a concessionária não repassou os valores dentro do prazo determinado inicialmente, razão pela qual deve sofrer multa de 10% sobre o valor devido.

Irmã de Vinícius, Kelly do Nascimento diz que o caso foi um baque para a família. “Hoje eu faço terapia; meu irmão já fez e minha mãe, também”, afirma.

A morte do irmão, segundo ela, “era completamente evitável”. “Se tivesse uma manutenção ali, isso não aconteceria.”

Não é a primeira vez que a Enel sofre uma condenação por problemas relacionados à fiação.

A concessionária acumula reveses na Justiça em ações que apontam prejuízos causados a empresas e moradores ante os sucessivos apagões que desde 2023 atingem a área atendida pela empresa.

As falhas na prestação do serviço colocaram em xeque a concessão em São Paulo. Na última terça (11), a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) rejeitou recurso da Enel para barrar o processo na agência reguladora que pode culminar no rompimento do contrato da empresa.

A palavra final sobre a perda da concessão cabe ao Ministério de Minas e Energia, cujo titular, o ministro Alexandre Silveira, já cobrou publicamente o andamento do processo na agência.