El Niño pode atingir nível histórico e pressionar energia no Brasil – TrendsCE
Fonte: trendsce.com.br | Data: 14/08/2026 10:40:08
El Niño tem 95% de chance de atingir nível muito forte em 2026, com impactos sobre chuvas, energia, temperaturas e infraestrutura no Brasil. (Foto: Envato Elements)
O El Niño tem 95% de chance de atingir um nível muito forte em 2026, segundo projeção divulgada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) na última quinta-feira (13). Além disso, a entidade estima em 69% a probabilidade de o fenômeno alcançar uma intensidade histórica entre outubro e dezembro.
Diante desse cenário, o Brasil pode enfrentar impactos sobre infraestrutura, geração de energia e demanda elétrica. A combinação entre o fortalecimento do fenômeno e as altas temperaturas registradas no planeta aumenta o risco de eventos meteorológicos extremos.
“O El Niño está se fortalecendo em um contexto de temperaturas recordes no planeta, tanto no ar quanto nos oceanos. Essa combinação aumenta a atenção para a ocorrência de eventos meteorológicos extremos e para seus possíveis impactos sobre a infraestrutura”, analisa Alexandre Nascimento, sócio-diretor e meteorologista da Nottus.
Chuvas devem mudar entre as regiões
A previsão da Nottus aponta para chuvas acima da média no Sul durante o inverno. Com isso, a geração hidrelétrica pode ser favorecida na região.
Por outro lado, o Nordeste e o Tocantins podem registrar precipitações abaixo da média. Já no Sudeste e no Centro-Oeste, a tendência é de maior irregularidade nas chuvas.
Na primavera, algumas áreas do Sudeste e do Centro-Oeste ainda podem receber volumes acima da média. No entanto, a previsão indica possibilidade de redução das precipitações durante o verão.
Esse comportamento regional também pode afetar o sistema elétrico. Enquanto algumas áreas terão condições favoráveis para a geração hidrelétrica, outras poderão enfrentar condições menos favoráveis para os reservatórios.
Calor pode elevar demanda por energia
Os períodos de calor no Centro-Norte podem favorecer a geração solar e eólica. Ao mesmo tempo, temperaturas acima da média histórica tendem a aumentar o consumo de eletricidade.
Com a intensificação do El Niño, a expectativa é de calor significativo em grande parte do país. Assim, a demanda por energia pode crescer justamente nos horários de maior consumo, pressionando a infraestrutura do setor elétrico.
Além disso, a irregularidade das chuvas pode provocar eventos extremos. Entre os riscos estão vendavais, chuvas intensas, enchentes e transbordamentos de rios, principalmente no Centro-Sul.
As regiões metropolitanas do Sul estão entre as áreas que exigem maior atenção. Segundo Nascimento, o cenário pode gerar impactos sobre a infraestrutura e a mobilidade urbana.
Sistema elétrico terá desafios simultâneos
Para o meteorologista, a intensificação do fenômeno exige maior preparação e monitoramento. Isso ocorre porque diferentes partes do sistema elétrico podem sofrer impactos ao mesmo tempo.
“Temos dois movimentos acontecendo. Em determinadas regiões, a chuva extrema pode afetar a infraestrutura e a mobilidade das cidades. Em outras, o calor persistente aumenta o consumo de energia. Para o setor elétrico, tal conjuntura exige planejamento porque geração, transmissão, distribuição e demanda passam a ser afetadas simultaneamente por um mesmo fenômeno climático”, afirmou o meteorologista.
Nesse contexto, o planejamento precisa considerar tanto os efeitos sobre a oferta de energia quanto o comportamento do consumo. Além disso, os operadores terão de acompanhar possíveis impactos sobre linhas de transmissão, redes de distribuição e estruturas urbanas.
Efeitos sobre 2027 ainda são incertos
As projeções para 2027 ainda apresentam maior grau de incerteza. Segundo a Nottus, existe possibilidade de déficit de chuva no Norte e no Nordeste.
Caso esse cenário se confirme, os reservatórios dessas regiões poderão enfrentar condições menos favoráveis. Por isso, o comportamento das chuvas nos próximos meses será relevante para avaliar os impactos do El Niño sobre a segurança energética.
O fenômeno, portanto, pode produzir efeitos diferentes entre as regiões brasileiras. Enquanto o Sul tende a receber mais chuva e pode ampliar a geração hidrelétrica, outras áreas podem enfrentar calor intenso, menor precipitação e maior pressão sobre o consumo de energia.
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