O Festival Uaimií transforma música, patrimônio, gastronomia e produção local em uma experiência turística comple
Fonte: correiobraziliense.com.br | Data: 14/08/2026 10:30:46
Para que um território seja conhecido, desejado e efetivamente visitado, é preciso criar razões concretas para que as pessoas se desloquem até ele. Nesse processo, a cultura ocupa um lugar estratégico, já falamos bastante sobre isso por aqui.
Festivais, shows, cortejos, festas populares, encontros gastronômicos, feiras de artesanato e outras manifestações culturais funcionam como indutores de fluxo turístico, além de oferecerem entretenimento.
Esses eventos despertam a curiosidade, ampliam a visibilidade do território e apresentam ao visitante elementos que compõem a identidade do lugar. Já disse também, mas repito para ajudar a consolidar, se bem planejada, a produção cultural deixa de ser apenas uma atividade pontual e se transforma em insumo para o desenvolvimento do turismo.
O público chega motivado pela programação artística, e de sobra, conhece o patrimônio, experimenta a gastronomia, compra produtos locais, utiliza serviços, visita atrativos e estabelece vínculos com a comunidade. O evento termina, mas a experiência pode permanecer na memória e certamente, estimular novas visitas.
Eventos ajudam a revelar os territórios
Muitos destinos possuem riquezas naturais, históricas e culturais, mas ainda enfrentam dificuldades para se posicionar no mercado turístico. Em alguns casos, faltam instrumentos capazes de organizar esses atributos e apresentá-los de maneira atraente ao público.
Os eventos culturais podem cumprir essa função ao construir uma narrativa sobre o lugar. O cenário onde acontece um espetáculo, os produtos comercializados, os artistas convidados, as manifestações tradicionais e a participação dos moradores contribuem para revelar a personalidade do território.
Uma apresentação musical realizada em uma praça histórica, por exemplo, não promove somente os artistas que estão no palco. Ele valoriza a arquitetura, ocupa positivamente o espaço público e convida o visitante a observar o patrimônio sob uma perspectiva diferente.
Da mesma forma, uma feira de produtores não oferece apenas alimentos, bebidas ou peças artesanais, mas aproxima o turista dos saberes, dos modos de produção e das histórias das pessoas que vivem naquela região. A cultura, portanto, não deve ser entendida como um complemento do turismo, mas como parte essencial da experiência que o destino oferece.
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Produção cultural também movimenta a economia
A realização de um festival desencadeia uma extensa cadeia de atividades. Quando parte significativa dessas demandas é atendida por profissionais e empreendedores do próprio território, os recursos investidos circulam localmente e alcançam diferentes setores da economia.
O público também contribui para essa movimentação. Visitantes consomem em bares e restaurantes, abastecem seus veículos, compram produtos artesanais, procuram hospedagem e podem permanecer na região por mais tempo para conhecer outros atrativos.
Essa capacidade de mobilizar fornecedores, produtores, artistas, comerciantes e prestadores de serviços demonstra que a cultura também é uma atividade econômica. Além de seu valor simbólico e social, ela gera trabalho, renda, visibilidade e oportunidades. Para os destinos turísticos, os eventos ainda podem ajudar a enfrentar a sazonalidade, criando motivos para a visitação em períodos que normalmente apresentam menor movimento.
Acuruí recebe o encerramento do Festival Uaimií
Um exemplo dessa integração entre cultura e turismo poderá ser acompanhado no próximo sábado, 15 de agosto, quando o Centro Histórico de Acuruí, distrito de Itabirito, receberá o encerramento do Festival Uaimií 2026.
A partir das 11 horas, as ruas do distrito serão ocupadas por uma programação gratuita que reunirá música, cortejo artístico, gastronomia regional, artesanato, cervejas artesanais, feira de produtores, espaço infantil e ações de acessibilidade.
O evento terá como principal atração a Inconfidentes Jazz Orquestra, primeira big band da região dos Inconfidentes, que receberá como convidada especial a cantora Fernanda Takai, uma das vozes mais reconhecidas da música brasileira e integrante da banda Pato Fu.
O espetáculo será realizado em frente à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição. O conjunto arquitetônico de Acuruí se transformará, assim, em um grande palco a céu aberto, promovendo o encontro entre música, memória, patrimônio e paisagem. O Cenário Histórico passará a fazer parte do espetáculo e da experiência vivida pelo público.
Diversidade musical ocupa as ruas do distrito
A programação começará com a Banda Matahari, que levará ao palco uma combinação de rock, folk e blues em formato eletroacústico. Ao longo do dia, o DJ Pátrida apresentará uma curadoria que percorre a música brasileira, os grooves, o rap, o funk e diferentes vertentes da produção independente.
Diretamente de Brasília, o grupo Choro Cerrado celebrará o choro e a música instrumental brasileira, aproximando tradição e contemporaneidade. Na sequência, o Candonguêro, de Ouro Preto, apresentará um repertório construído em torno da música popular brasileira e das tradições carnavalescas. Com duas décadas de trajetória, o grupo reúne samba, frevo, poesia, performance e composições autorais.
O Norte de Minas será representado por Surubim e os Pocomã. Um quarteto, que desenvolve o conceito de Barro Beat Música Popular Barranqueira, unindo folias de reis, batuques, forró, catopês e referências do Vale do Rio São Francisco a elementos do jazz, do funk e da música contemporânea.
Antes do espetáculo de encerramento, o Bloco Urucum conduzirá um cortejo pelas ruas de Acuruí. Percussão, axé, maracatu e música popular brasileira convidarão moradores e visitantes a acompanhar o desfile até o palco principal. Essa diversidade artística amplia o alcance do festival e apresenta diferentes expressões da produção cultural brasileira, conectando artistas, comunidade e território.
Muito além das cachoeiras
A Rota Jaguara é conhecida por suas cachoeiras, montanhas e paisagens naturais. O festival, entretanto, ajuda a mostrar que a região e o distrito de Acuruí, possuem uma oferta turística muito mais ampla, formada também pelo patrimônio histórico, pela gastronomia, pela produção artesanal, pelas cervejas locais, pelas tradições religiosas e pela hospitalidade de seus moradores.
Segundo Normando Siqueira, idealizador e coordenador do Festival Uaimií, o projeto foi criado para fortalecer o turismo cultural na Rota Turística Jaguara, especialmente nos períodos de menor fluxo de visitantes.
O Festival nasceu para mostrar que a região possui muito mais do que belas cachoeiras. Aqui temos um patrimônio histórico preservado, uma rica gastronomia, empreendedores locais, artistas de excelência e uma natureza exuberante. Nosso objetivo é movimentar a economia, incentivar o turismo e valorizar a identidade cultural desse território, aproximando moradores e visitantes por meio da arte, destaca.
A proposta reforça uma questão fundamental para os destinos de natureza, embora as paisagens sejam importantes, a experiência turística se torna mais completa quando incorpora a cultura e o modo de vida das comunidades. É essa combinação que diferencia um lugar de outro e transforma uma simples visita em uma experiência carregada de significado.
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Feira aproxima visitantes da produção local
Além das atrações musicais, o público poderá conhecer a feira da Rota Turística Jaguara, formada por produtores e empreendedores da região.
Queijos artesanais de búfala, doces, cachaças, quitandas, artesanato e outros produtos típicos estarão disponíveis ao longo da programação. A praça gastronômica reunirá pratos da culinária mineira e diferentes estilos de cervejas artesanais produzidas no território.
A presença desses empreendimentos é importante porque amplia os efeitos econômicos do evento e oferece aos visitantes a possibilidade de conhecer a região por meio de seus sabores, técnicas, tradições e formas de produção.
Cada produto carrega uma história e ajuda a construir a identidade da Rota Jaguara. Quando encontra espaço dentro da programação cultural, essa produção ganha visibilidade, conquista novos consumidores e fortalece sua ligação com o turismo.
O festival torna-se, dessa maneira, uma vitrine para os pequenos negócios e um espaço de conexão entre artistas, produtores, moradores e visitantes.
Acessibilidade amplia o direito à cultura
A democratização do acesso também integra a proposta do Festival Uaimií. Durante a programação, haverá intérprete de Libras, monitoria especializada para pessoas com deficiência, material em Braille e espaço infantil gratuito. Estas medidas permitem que pessoas de diferentes idades e perfis participem das atividades com maior autonomia, segurança e conforto.
Promover a acessibilidade significa reconhecer que a cultura e o turismo devem estar abertos a todos. Não se trata apenas de cumprir exigências formais, mas de ampliar o direito à convivência, ao lazer, à arte e à ocupação dos espaços públicos.
Um nome ligado à identidade ambiental
O nome Uaimií significa nascente do Rio das Velhas, em tupi-guarani. A escolha estabelece uma ligação direta com o território e reforça a importância da preservação ambiental e dos recursos hídricos que formam uma das principais bacias hidrográficas de Minas Gerais.
Essa dimensão ambiental também contribui para a narrativa do festival. Cultura, natureza e patrimônio não aparecem como elementos isolados, mas como partes de uma mesma identidade territorial.
Ao associar o evento ao Rio das Velhas, o Festival Uaimií estimula o público a reconhecer o valor simbólico e ambiental da região, fortalecendo uma visão de turismo comprometida com a conservação e com o desenvolvimento sustentável.
Festival Uaimií amplia a visibilidade da Rota Jaguara
Acuruí integra a Rota Turística Jaguara, roteiro de experiências que percorre territórios de Itabirito, Ouro Preto, Rio Acima e Santa Bárbara. A rota reúne cachoeiras, trilhas, caminhos históricos, comunidades, patrimônios religiosos, cervejarias artesanais, pousadas, restaurantes, produtores rurais e manifestações culturais na região da Serra do Gandarela.
Ao receber um evento dessa dimensão, Acuruí também funciona como porta de entrada para todo o roteiro. O visitante atraído pelo festival pode ser incentivado a conhecer outros atrativos, empreendimentos e comunidades, ampliando sua permanência e sua circulação pelo território.
Esse é um dos principais resultados da integração entre cultura e turismo, o evento concentra a atenção do público em determinado momento, mas sua comunicação pode apresentar uma oferta regional muito mais abrangente. Em vez de promover apenas um palco ou uma localidade, o festival ajuda a posicionar todo o destino.
Parcerias viabilizam a produção do Festival Uaimií
Idealizado pela Uaimií Produções, em coprodução com a Holofote Cultural, o Festival Uaimií conta com patrocínio master do Grupo Avante, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, patrocínio da Prefeitura de Itabirito, apoio da Associação de Moradores de Acuruí e realização do Ministério da Cultura.
Essa articulação demonstra a importância das parcerias para viabilizar projetos culturais de maior alcance. Poder público, iniciativa privada, produtores e organizações comunitárias possuem responsabilidades diferentes, mas complementares, na construção do evento.
O Grupo Avante, que atua nos setores de mineração e logística em Minas Gerais, mantém iniciativas relacionadas ao desenvolvimento territorial, à capacitação de organizações sociais, à educação ambiental e ao apoio a projetos culturais e esportivos nos municípios onde está presente.
Em 2023, o grupo criou o Programa Avante de Sustentabilidade, alinhado aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.
O investimento em projetos incentivados permite que as empresas contribuam para a realização de iniciativas culturais estruturadas, ao mesmo tempo que fortalecem sua relação com os territórios e ajudam a ampliar o acesso da população à arte e à cultura.
A cultura abre caminhos para o turismo
O Festival Uaimií demonstra que promover um destino turístico é também estimular sua capacidade de produzir cultura, valorizar seus artistas, envolver seus empreendedores e apresentar sua identidade ao público.
Eventos bem planejados não devem funcionar como acontecimentos isolados. Eles podem integrar uma estratégia permanente de posicionamento territorial, geração de fluxo turístico e fortalecimento da economia criativa.
Quando a programação artística dialoga com o patrimônio, a gastronomia, a natureza e a produção comunitária, o visitante encontra além do espetáculo, um território vivo, capaz de contar sua própria história e oferecer experiências que não poderiam ser reproduzidas em outro lugar.
No dia 15 de agosto, sábado, o público chegará a Acuruí atraído pela música, entretanto, poderá voltar para casa levando também lembranças das ruas históricas, dos sabores, das paisagens, dos produtos e das pessoas que formam a Rota Jaguara.
É assim que a cultura promove destinos, criando encontros, despertando afetos e oferecendo novos motivos para viajar e retornar. Eu estarei por lá e você, vem também? Até a próxima.
Como participar do Festival Uaimií
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