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Boeing fez testes com 787 equipado com entrada de ar do motor encurtada

Fonte: airway.com.br | Data: 14/08/2026 13:38:23

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A Boeing concluiu uma série de testes em voo com um 787-9 Dreamliner equipado com uma entrada de ar do motor mais curta, tecnologia que pode reduzir o peso e o arrasto aerodinâmico de futuras naceles de motores a jato.

A campanha ocorreu na instalação de testes da Boeing em Glasgow, Montana, e foi finalizada no fim de julho. Segundo a Aviation Week, a empresa agora analisa os dados coletados durante os voos.

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A aeronave utilizada era um 787-9 com motor Trent 1000 destinado à Lufthansa, e foi empregada na mais recente campanha ecoDemonstrator Explorer da Boeing. O avião decolou de Columbia, Carolina do Sul, para Montana em 16 de julho e retornou em 2 de agosto.

Dados de rastreamento de voos indicam que o Dreamliner acumulou cerca de 52 horas de voo em 12 voos, incluindo o translado inicial para Montana. A Boeing não revelou o número exato nem a natureza dos testes realizados.

A empresa informou à publicação que a campanha foi concluída antes do previsto e gerou os dados necessários para avaliação e desenvolvimento adicional das tecnologias em estudo.

Um dos principais experimentos envolveu o que a Boeing chama de Next Generation Inlet, desenvolvido em parceria com a Rolls-Royce no âmbito do programa CLEEN (Continuous Lower Energy, Emissions and Noise) da FAA.

Motor RR Trent 1000 do Boeing 787
Motor RR Trent 1000 do Boeing 787

Controle de ruído

Uma entrada de ar mais curta pode reduzir o peso e o arrasto da nacele, fator cada vez mais relevante para motores a jato de alto índice de derivação e fans de grande diâmetro. Existe, porém, uma compensação: ao reduzir o comprimento da entrada, diminui-se também a superfície interna disponível para tratamento acústico, o que pode dificultar o controle do ruído do fan.

Por isso, a Boeing equipou a entrada modificada com um novo tratamento acústico. O objetivo imediato era verificar se o design mais curto poderia proporcionar uma melhoria de até 0,5% na eficiência de combustível sem aumentar o ruído do 787.

O conceito vem sendo desenvolvido há cerca de uma década. A Rolls-Royce iniciou o projeto e a análise de uma entrada curta para o Trent 1000 em 2016. Os testes em solo ocorreram em 2018 no NASA John C. Stennis Space Center, no Mississippi.

Posteriormente, a Rolls-Royce instalou o conceito em seu Boeing 747-200 de testes para avaliações aerodinâmicas em voo no fim de 2022. A campanha de 2026 transferiu a tecnologia para um 787 e incorporou o tratamento acústico da Boeing ao experimento.

Versões futuras podem gerar ganhos maiores. A Boeing estima que uma entrada curta combinada a uma nacele mais compacta pode, no futuro, reduzir o consumo de combustível em até 2% e o ruído em até 1,5 dB. Essas metas também constam na documentação da FAA para o programa CLEEN.

Boeing 747 da Rolls-Royce (Rolls-Royce)
Boeing 747 da Rolls-Royce (Rolls-Royce)

Abordagens distintas para o ruído aeroportuário

A campanha com o 787 não se limitou a modificações na instalação do motor. A Boeing também testou o que chama de “operações inteligentes”, um conjunto de procedimentos otimizados de aproximação e decolagem para reduzir tanto o consumo de combustível quanto o ruído em aeroportos.

Segundo a revista, a Boeing acredita que esses procedimentos podem diminuir o ruído em mais 3 a 5 dB. A empresa ainda não divulgou os resultados dos voos realizados em Montana.

A campanha mais recente foi a 13ª conduzida no âmbito do programa ecoDemonstrator desde o lançamento da iniciativa em 2012. O fabricante utiliza aeronaves de produção e de testes dedicadas para avaliar tecnologias antes de decidir se elas serão aplicadas em futuros programas comerciais.

Nos últimos anos, a Boeing introduziu o formato mais enxuto “ecoDemonstrator Explorer” para campanhas voltadas a um número menor de tecnologias específicas. A Lufthansa participou do programa de 2026 fornecendo o 787-9 utilizado nos testes.