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Governo fará varredura na Cemig após escândalo envolvendo Master e políticos

Fonte: otempo.com.br | Data: 14/08/2026 19:34:25

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O Governo de Minas determinou uma varredura na Cemig após a estatal ser envolvida em investigações da Polícia Federal que apuram relações empresariais entre empresas ligadas ao grupo do Banco Master e o Senador Ciro Nogueira (PP-PI). A medida inclui auditorias interna e externa independente sobre contratos firmados sob a gestão de Rubens Soalheiro, ex-diretor comercial da Cemig SIM, indicado do PP dentro da estatal e suspeito de favorecer a atuação do grupo.

A investigação da PF mira, entre outras empresas, a Green Investimentos, que mantém negócios no setor de energia renovável e teve relações comerciais com a Cemig SIM. A empresa é ligada a Felipe Vorcaro, primo e operador financeiro de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o próprio Ciro Nogueira.

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De acordo com a Polícia Federal, ações da empresa teriam sido negociadas com o senador por um valor bem abaixo do preço de mercado, o que, de acordo com as investigações, teria sido uma forma de repasse ilegal de valores ao senador em troca de apoio a projetos de interesse do banco Master no Congresso.

Em nota, o governo afirmou que as auditorias foram determinadas para apurar os contratos e verificar eventual prejuízo à companhia.

“O Governo de Minas, por meio da Cemig, informa que, seguindo as melhores práticas de governança e de compliance, estão em andamento auditorias interna e externa independente sobre os contratos objeto dos questionamentos, em paralelo às investigações conduzidas pelas autoridades competentes.”

O governo também confirmou que orientou o desligamento do diretor Rubens Soalheiro, citado nas investigações. “O Governo de Minas orientou a adoção das providências necessárias, incluindo o desligamento do diretor citado nas investigações, de forma a assegurar a independência e a isenção dos procedimentos de apuração”, informou.

Apesar da promessa de rigor na apuração de possíveis irregularidades, o governo e a Cemig evitaram determinar um prazo para a conclusão das auditorias nos contratos da Cemig SIM.

Contratos foram encerrados

Além da demissão de Soalheiro, a Cemig informou que os contratos com as empresas mencionadas no caso foram encerrados em maio.

“As auditorias também irão verificar a existência de eventual prejuízo à companhia e subsidiar a adoção das medidas cabíveis a partir de suas conclusões.”

A Green Investimentos é um dos principais pontos da investigação. Segundo a PF, ações da empresa teriam sido utilizadas em uma negociação envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), apontado pelos investigadores como aliado do grupo de Vorcaro.

De acordo com a investigação, uma participação avaliada em cerca de R$ 13 milhões teria sido adquirida por aproximadamente R$ 1 milhão por uma empresa ligada ao irmão do senador. A diferença, segundo a PF, teria servido como forma de retribuição por supostos favores prestados ao grupo de Vorcaro.

A suspeita levantada pelas investigações é que o PP, partido de Ciro Nogueira, tenha criado uma espécie de “feudo” dentro da diretoria comercial da Cemig SIM que facilitava a celebração de contratos entre a estatal e empresas utilizadas pelo grupo para fazer lavagem de dinheiro. 

Os dois últimos comandantes da diretoria teriam sido indicados pelo grupo político do ex-secretário de Governo, Marcelo Aro, que é um dos principais líderes políticos do PP em Minas Gerais e mantém relações políticas com Ciro Nogueira. 

A diretoria comercial da Cemig SIM foi comandada por Iran Barbosa e, posteriormente, por Rubens Soalheiro. Rubens Soalheiro foi demitido da função no início de agosto e desde então a área está tendo os contratos avaliados pelo governo e pela companhia, por causa das suspeitas apontadas na investigação da Polícia Federal.

Ciro Nogueira foi investigado pela PF na Operação Compliance Zero, que investiga negócios relacionados ao Banco Master.

Segundo informações levantadas no caso, cerca de 60 sociedades de usinas fotovoltaicas relacionadas ao grupo dependem de autorizações da Cemig para atuar no mercado. Estimativas citadas nas investigações apontam que Vorcaro e familiares teriam cerca de 160 MWp em ativos de geração solar, avaliados em aproximadamente R$ 1,2 bilhão.

As auditorias determinadas pelo governo deverão verificar se houve irregularidades ou prejuízos à Cemig e, a partir das conclusões, poderão embasar novas medidas contra os envolvidos.