Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Falsos médicos: Bahia registra 38 denúncias de exercício ilegal da Medicina em 2026; veja os casos mais comuns

Fonte: infosaj.com.br | Data: 17/08/2026 01:26:34

🔗 Ler matéria original

Em 2026, o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) recebeu 38 denúncias de exercício ilegal da Medicina. Os dados correspondem a todo o período do ano até esta sexta-feira (14) e já são maiores do que todo o ano de 2025.

Os números foram obtidos com exclusividade pelo CORREIO e são registrados na entidade por meio do Departamento de Defesa das Prerrogativas Médicas (Depmed). Entre 2022 e 2026, até o momento, 227 denúncias chegaram ao Cremeb. O maior quantitativo foi em 2023, quando houve 74 registros.

A Bahia é o quarto estado com maior número de casos de exercício ilegal de Medicina no país, segundo dados organizados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Em todo o Brasil, as Polícias Civis dos estados contabilizaram 3.377 registros do crime entre 2012 e 2023. Desse total, quase um terço – 937 – estava no Rio de Janeiro.

Em seguida, vêm os estados de São Paulo (528), Minas Gerais (337) e Paraná (314). Logo após a Bahia, que conta com 246 casos no quarto lugar, está o Ceará, com 245 ocorrências.

O tema ficou em evidência nos últimos dias após a ‘Operação Canudo’ ter sido deflagrada pela Polícia Federal tanto na Bahia quanto em Minas Gerais, na última quarta-feira (12). De acordo com a corporação, o objetivo era combater a venda de diplomas falsos e a falsificação de documentos para acesso a faculdades de Medicina. Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, bem como deferidos judicialmente dois mandados de prisão preventiva e um de prisão temporária em desfavor dos investigados.

Uma médica que atuava na Bahia está entre os suspeitos de participar de um grupo que falsificava e vendia diplomas falsos de Medicina. Aline Candice Carlos Magalhães, que atendia no município de Luís Eduardo Magalhães. A defesa dela não foi localizada pela reportagem, mas o espaço segue aberto para manifestação.

Estética

De acordo com o diretor do Departamento de Defesa das Prerrogativas do Médico, o conselheiro do Cremeb José Abelardo de Meneses, as denúncias de exercício ilegal da Medicina que mais chegam à entidade estão relacionadas a profissionais de outras áreas que realizam atos privativos de médicos, a exemplo de diagnóstico e procedimentos invasivos, principalmente com finalidade estética.

“Também recebemos denúncias envolvendo pessoas que se apresentam como médicos sem possuir registro profissional. Cada situação é analisada individualmente pelo conselho, que adota as providências cabíveis de acordo com as características de cada caso, inclusive com o ajuizamento de ações quando necessário”, explica, ao CORREIO.

Desde 2022, o Cremeb obteve 14 sentenças favoráveis em ações relacionadas ao exercício ilegal da Medicina. O conselheiro lembra que o Cremeb é o órgão supervisor da ética profissional no estado e tem, entre suas atribuições, zelar pelo perfeito desempenho ético da Medicina e pelo exercício legal da profissão. Meneses considera que um dos principais desafios da entidade é fazer com que as situações de possível exercício ilegal da Medicina cheguem ao conhecimento do Conselho.

“Por isso, é fundamental a participação da população e dos próprios médicos, por meio da denúncia. Casos de pessoas que se passam por médicos, assim como situações em que outros profissionais realizam atos privativos da Medicina, devem ser comunicados ao Conselho para que possam ser adotadas as providências cabíveis, inclusive o encaminhamento às autoridades competentes quando houver indícios de crime”, reforça.

A orientação do Cremeb aos pacientes é que, antes de se consultar, verifiquem se o profissional é, de fato, médico e se está regularmente inscrito no Conselho Regional de Medicina do estado onde atua. “Essa consulta é gratuita e pode ser feita pelo portal do Cremeb, por meio da ferramenta de busca de médicos. É possível conferir o nome, a fotografia, a situação do registro profissional e as especialidades cadastradas, além de outras informações disponibilizadas pelo profissional”, indica.

Em caso de dúvida ou suspeita de exercício ilegal da Medicina, a pessoa deve procurar o Cremeb e fazer a denúncia por meio do e-mail [email protected].

Operação

Segundo a assessoria da PF, as investigações começaram a partir de uma apreensão, em 2023, de um diploma falso apresentado perante o Conselho Regional de Medicina no estado do Rio Grande do Sul e que teria sido supostamente fornecido por um dos investigados.

Ao longo da apuração, a polícia identificou elementos que indicaram a existência de um esquema para a falsificação e para a venda de diplomas, de históricos escolares e de outros documentos acadêmicos, utilizados para viabilizar o ingresso ou a transferência para cursos de Medicina e, posteriormente, a obtenção de registro profissional junto aos Conselhos Regionais de Medicina.

A PF teria identificado a circulação de valores entre investigados e pessoas suspeitas de terem adquirido documentos falsos, bem como que o esquema possuía ramificações em outros estados e que pelo menos 45 nomes de pessoas já inscritas como médicos em Conselhos Regionais de Medicina teriam pago ao grupo para suposta obtenção de documentos falsos para viabilização do registro.

O principal investigado já havia sido alvo de investigação da Polícia Federal em 2016, quando foi identificada uma organização criminosa envolvida em fraude.

Ao CORREIO, o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) confirmou que recebeu na sexta-feira (14), uma denúncia contra a médica Aline Candice Carlos Magalhães relacionado ao caso citado.

“Ressaltamos que, em razão das disposições previstas no Código de Processo Ético-Profissional, todos os processos que tramitam nesta autarquia federal ocorrem sob sigilo processual, em respeito ao amplo direito de defesa e ao contraditório. Por fim, esclarecemos que eventuais sanções públicas transitadas em julgado serão devidamente disponibilizadas para conhecimento da sociedade”, diz a entidade médica.

No site do CFM, Aline Candide Carlos Magalhães tem dois registros – um CRM ativo na Bahia e um CRM transferido de São Paulo. De acordo com o registro na entidade, disponível no portal, ela se formou em 2022 na Universidade Brasil, não tem especialidade cadastrada e teve a primeira inscrição em março de 2022, em São Paulo. Já em maio daquele ano, ela se inscreveu no conselho na Bahia. Correio da Bahia