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Leblon tem o metro quadrado mais caro do Brasil; veja quanto custa

Fonte: n4news.com.br | Data: 17/08/2026 13:53:04

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O Leblon mantém o posto de bairro com o metro quadrado residencial mais caro do Brasil, com preço médio de R$ 25.777, segundo dados do Índice FipeZAP. Ipanema aparece logo atrás, com R$ 25.373 por metro quadrado e valorização de 11% em 12 meses.

A Lagoa também figura entre os dez bairros mais valorizados do país, com preço médio de R$ 17.437 por metro quadrado, reforçando a concentração de alguns dos imóveis mais caros do mercado brasileiro na Zona Sul do Rio.

O desempenho chama atenção diante do cenário de juros elevados. Com a Selic em 14% ao ano, o financiamento imobiliário fica mais caro e tende a reduzir a capacidade de compra de parte dos consumidores. Nos bairros de alto padrão da Zona Sul, entretanto, os preços continuam sustentados.

Por que Leblon e Ipanema continuam tão caros?

Uma das explicações está na própria característica desses bairros: há pouco espaço disponível para novos empreendimentos, enquanto imóveis em endereços considerados privilegiados continuam sendo procurados por compradores de alta renda.

Para Luccas Isnard, CEO e fundador da Vizu Imobiliária e especialista no mercado imobiliário de alto padrão, essa escassez ajuda a proteger os preços mesmo durante períodos menos favoráveis para o setor.

“A Zona Sul do Rio vive uma equação simples: não existe terreno novo para construir em bairros como Leblon e Ipanema, e a demanda por esse tipo de localização só aumenta. Isso faz esses endereços terem maior capacidade de resistência aos ciclos de juros, porque quem compra ali não está comprando apenas um imóvel, está comprando escassez”, afirma.

A dinâmica também diferencia esses bairros de outras regiões onde existe maior possibilidade de expansão imobiliária. Com poucas unidades novas chegando ao mercado, imóveis bem localizados passam a disputar uma demanda concentrada.

Alto padrão avança em outras regiões do Rio

Enquanto a oferta permanece limitada em bairros consolidados da Zona Sul, novos empreendimentos de alto padrão avançam em outras partes da cidade.

Em 2024, o Rio registrou crescimento de 40,69% nos lançamentos imobiliários de alto padrão, tornando-se o segundo maior mercado brasileiro nesse segmento. Parte dessa expansão ocorreu em regiões com maior disponibilidade de terrenos, especialmente na Barra da Tijuca.

Para Isnard, a diferença entre oferta e procura na Zona Sul pode continuar pressionando os preços.

“Enquanto não houver novo estoque relevante em bairros consolidados, o efeito natural é a valorização contínua. Quem está de olho em investimento de longo prazo entende que localização como essa não perde valor, mesmo em um cenário de juros altos”, diz.

Juros têm impacto diferente no mercado de luxo

A Selic elevada não deixa de afetar o setor imobiliário, mas seu impacto tende a variar conforme o perfil do comprador. No segmento de luxo, a dependência do financiamento pode ser diferente daquela observada no mercado residencial de massa.

Nesse cenário, características difíceis de reproduzir, como localização, proximidade da praia, infraestrutura e disponibilidade limitada de imóveis, ganham peso na formação dos preços.

“O cenário mostra uma característica particular do mercado imobiliário de alto padrão carioca: em bairros consolidados como Leblon e Ipanema, o preço não é determinado apenas pelo custo do crédito, mas também pela combinação entre localização, escassez e demanda qualificada. Isso ajuda a explicar por que essas regiões continuam registrando valores por metro quadrado superiores aos de bairros nobres de outras capitais, mesmo diante de um ambiente de juros restritivos”, finaliza Isnard.