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O crescimento dos data centers e a necessidade de novos arranjos no setor elétrico | eixos

Fonte: eixos.com.br | Data: 17/08/2026 18:08:05

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A expansão dos data centers deixou de ser um tema restrito à infraestrutura digital e passou a integrar, de forma cada vez mais direta, a agenda do setor elétrico.

O crescimento da inteligência artificial, da computação em nuvem, da digitalização da economia e da eletrificação de diferentes atividades econômicas amplia a demanda por capacidade de processamento e armazenamento de dados, criando novas pressões sobre a infraestrutura energética. 

No caso dos data centers, o impacto sobre o setor elétrico não decorre apenas do acréscimo de consumo. Trata-se de uma nova classe de carga, caracterizada por elevada potência, operação contínua, forte exigência de confiabilidade e, muitas vezes, concentração geográfica.

Esses elementos exigem soluções regulatórias e contratuais capazes de compatibilizar a expansão da economia digital com a segurança e a eficiência do sistema elétrico. 

O desafio central, portanto, não está apenas em assegurar energia disponível. A implantação de data centers em larga escala demanda mecanismos capazes de acomodar cargas de grande porte, contínuas e intensivas em confiabilidade, com reflexos sobre planejamento da expansão, acesso à rede, modelos de contratação de energia e coordenação entre os diversos agentes envolvidos. 

Nesse contexto, a evolução do marco regulatório passa a desempenhar papel relevante para viabilizar a expansão da infraestrutura digital no país.

A reforma do setor elétrico, consubstanciada na lei nº 15.269/2025, reforça a tendência de ampliação do mercado livre e pode favorecer estruturas contratuais de longo prazo entre grandes consumidores e geradores, inclusive em projetos associados a fontes renováveis.

Em paralelo, iniciativas legislativas mais diretamente voltadas à infraestrutura digital, como o PL nº 3.018/2024 (marco regulatório dos data centers) e o PL nº 278/2026 (Redata), indicam uma preocupação crescente com temas relacionados à regulação dos data centers, à eficiência energética, à sustentabilidade e aos incentivos para atração de investimentos. 

Além da contratação de energia, a conexão à rede e o planejamento da expansão surgem como temas centrais. A localização dos data centers pode exigir reforços relevantes nos sistemas de transmissão e distribuição, além de maior previsibilidade quanto aos prazos, custos e condições de acesso.

A depender da escala dos projetos, a coordenação entre agentes privados, operadores, reguladores e planejadores setoriais será determinante para evitar gargalos e garantir a adequada alocação de riscos. 

Nesse contexto, a resposta regulatória não deve se limitar à expansão da geração de energia. Será necessário aprimorar mecanismos de planejamento da transmissão, viabilizar soluções compartilhadas de conexão, permitir a antecipação de reforços de rede quando houver compromissos firmes de investimento e avaliar de que forma essas novas cargas também podem contribuir para a operação eficiente do sistema elétrico.

O objetivo deve ser garantir que a expansão da economia digital ocorra de forma coordenada com a evolução da infraestrutura energética. 

A capacidade de responder adequadamente a esses desafios poderá representar um importante diferencial competitivo para o Brasil. Com uma matriz predominantemente renovável, disponibilidade de recursos energéticos e crescente interesse de investidores globais, o país reúne condições para se consolidar como um dos principais destinos para novos empreendimentos de infraestrutura digital.

Para tanto, será fundamental assegurar previsibilidade regulatória, planejamento adequado e condições eficientes de acesso à rede. 

Este artigo expressa exclusivamente a posição dos autores e não necessariamente da instituição para a qual trabalham ou estão vinculados.


Bruna de Barros Correia é sócia da área de Energia do BMA Advogados.

Carlos Frederico Lucchetti Bingemer é sócio da área de Energia do BMA Advogados.