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Os pedidos de recuperação judicial de gigantes do varejo, como Casas Bahia e Lojas Marabraz, evidenciam o impacto severo dos juros elevados e de uma política de gastos públicos considerada insustentável. Segundo o editorial, o setor de eletrodomésticos e móveis é o mais afetado pela restrição de crédito e pela inflação, fatores que, somados à concorrência das plataformas digitais chinesas, asfixiam as redes de lojas físicas. Projeções baseadas em indicadores de emprego e renda do IBGE sugerem que, sem um ajuste fiscal expressivo, a desaceleração econômica terá custos ainda maiores em 2027.

Paralelamente, o jornal propõe a abertura de um debate público racional sobre a legalização da eutanásia no Brasil. Uma pesquisa do Datafolha aponta que a maioria da população ainda é contrária à morte assistida, resistência que possui forte matriz religiosa. O texto destaca que a formação da opinião pública sobre o tema é influenciada pela composição demográfica do país; dados do IBGE indicam que 57% dos brasileiros são católicos, grupo no qual a aceitação moral da intervenção médica em pacientes terminais é de 41%, superior aos 34% registrados entre os evangélicos.

O editorial conclui que tanto na economia quanto em questões de liberdades individuais, o país enfrenta desafios que exigem racionalidade e responsabilidade. Enquanto o varejo sofre com o desequilíbrio das contas públicas, o debate sobre temas sociais complexos, como a eutanásia, esbarra em dogmas que dificultam a implementação de políticas públicas baseadas na autonomia individual e na laicidade do Estado.