Zagueiro Ruan Tressoldi processa São Paulo e pede R$ 13,7 mi – SpaceMoney
Fonte: spacemoney.com.br | Data: 18/08/2026 13:35:04

O zagueiro Ruan Tressoldi, hoje no Atlético-MG, acionou o São Paulo na Justiça do Trabalho e cobra R$ 13.729.407,25 por suposta negligência médica durante o período em que esteve emprestado ao clube. O caso tramita na 4ª Vara do Trabalho de São Paulo e reúne pedidos que somam indenizações, ressarcimento de despesas e parcelas de direitos de imagem atrasadas.
O que o jogador cobra
Na petição, o atleta pede o reconhecimento do caso como acidente de trabalho, uma indenização substitutiva do seguro obrigatório na casa de R$ 6 milhões e danos morais de R$ 4,5 milhões. Também há pedido de ressarcimento de gastos médicos, hospitalares e de fisioterapia, além do pagamento de R$ 540 mil referentes a três parcelas de imagem em atraso: abril, maio e junho de 2025.
Segundo a acusação, Ruan desembolsou cerca de R$ 26,4 mil em despesas médicas e hospitalares e mais R$ 2,1 mil em fisioterapia. O zagueiro afirma ainda que perdeu uma oportunidade de contratação por outro clube no período, teve a imagem desvalorizada no mercado e sofreu danos à carreira, à saúde e à reputação.
A lesão no Choque-Rei
O problema no joelho direito começou em 11 de maio de 2025, quando o São Paulo enfrentava o Palmeiras na Arena Crefisa Barueri pelo Campeonato Brasileiro. Ruan diz que comunicou o problema ao departamento médico do clube, mas seguiu sendo escalado normalmente.
No relato à Justiça, o jogador afirma que foi relacionado para o jogo contra o Libertad três dias depois, sem passar por exames. Uma ressonância magnética de 15 de maio apontou lesão no menisco, edema e tendinopatia no tendão patelar. Mesmo assim, ele diz que foi escalado contra o Náutico em 20 de maio.
Os advogados de Ruan sustentam que o São Paulo demorou a fazer exames mais detalhados e aplicou infiltrações para que o jogador pudesse atuar. A defesa também afirma que o tratamento com PRP (plasma rico em plaquetas), classificado como “experimental” pelo Conselho Federal de Medicina, foi conduzido sem consentimento adequado.
Na petição, a defesa ressalta que a ressonância de 15 de maio revelou lesões que não existiam no exame admissional feito pelo São Paulo em agosto de 2024. Para a acusação, isso demonstra o nexo entre a atividade profissional e a lesão. O clube ainda é acusado de não emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), de não disponibilizar o seguro previsto na legislação esportiva, de adiar procedimentos e de não custear integralmente a cirurgia do atleta.
A versão do São Paulo
O São Paulo rejeitou a tese de acidente de trabalho na defesa apresentada à Justiça. O clube afirma que Ruan já apresentava alterações e problemas nos joelhos quando foi contratado, apontados nos exames admissionais, e que a lesão no joelho direito teria origem degenerativa, e não um evento traumático ocorrido em partida.
O Tricolor diz que ofereceu acompanhamento médico contínuo, exames, fisioterapia, tratamento com PRP e consultas com especialistas, e nega negligência ou omissão médica. Sobre a cirurgia, o clube sustenta que o procedimento só foi recomendado depois da tentativa de tratamento conservador.
O São Paulo afirma ainda que tentou manter o atleta no Brasil para a operação, mas o Sassuolo, detentor dos direitos de Ruan, não autorizou a extensão do empréstimo nas condições propostas. A cirurgia acabou ocorrendo após o fim do vínculo, em Porto Alegre, por escolha do próprio jogador.
Em relação ao seguro obrigatório, o clube garante que a apólice foi contratada com cobertura superior a R$ 3,3 milhões, mas que Ruan nunca acionou a seguradora. O São Paulo também ressalta que o zagueiro recebeu salários normalmente durante o tratamento, seguiu a carreira e que parte dos valores cobrados teria como base apenas orçamentos, sem comprovação de pagamento.
Por fim, o clube nega abandono, ato ilícito, perda de oportunidade profissional e dano moral. Para os são-paulinos, Ruan se recuperou rapidamente da cirurgia, foi aprovado nos exames médicos ao ser contratado pelo Atlético-MG e voltou a atuar em alto rendimento, o que refutaria a tese de prejuízo permanente à carreira. O zagueiro, que operou o joelho depois de deixar o São Paulo, é atualmente titular no Galo.