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Da floresta para o tanque: plantas amazônicas são testadas para produzir diesel verde

Fonte: bncamazonas.com.br | Data: 18/08/2026 13:38:48

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Açaí, buriti, bacaba e outras plantas conhecidas da floresta amazônica estão sendo levadas dos frutos e sementes para dentro dos laboratórios.

O objetivo é descobrir se os óleos dessas espécies podem servir de matéria-prima para produzir diesel verde. O combustível renovável pode, no futuro, substituir derivados fósseis em diferentes atividades.

Ao todo, 15 oleaginosas da Amazônia estão sob análise. Além de açaí e buriti, a pesquisa inclui espécies como patauá, pupunha, piquiá, mari-mari e caiaué.

O projeto reúne Eneva, Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Essenz Soluções e Instituto Senai de Inovação. O investimento previsto é de R$ 11,9 milhões.

A iniciativa faz parte do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Nesta terça-feira (18), pesquisadores, especialistas e representantes do setor público apresentaram o andamento do trabalho durante um workshop realizado em Manaus.

Por trás dos testes existe uma pergunta que ultrapassa as fronteiras amazonenses: como transformar recursos da biodiversidade em alternativas energéticas para uma região ainda dependente do diesel?

Atualmente, o Brasil possui cerca de 200 localidades atendidas por Sistemas Isolados, que funcionam fora do Sistema Interligado Nacional (SIN). A maior parte fica na região Norte.

Nesse cenário, um combustível produzido a partir de matérias-primas locais poderia abrir uma nova possibilidade para embarcações, geração de eletricidade e atividades logísticas.

O coordenador de Relações Institucionais da Eneva na região Norte, Márcio Lira, ressalta, porém, que essa possibilidade ainda está sendo investigada.

“Estamos falando de pesquisa e desenvolvimento. A gente não está falando ainda de uma solução comercial pronta”, afirmou.

Segundo Lira, os testes precisam mostrar quais espécies apresentam melhor desempenho e onde uma futura cadeia produtiva teria condições de se desenvolver.

“A transição energética da Amazônia precisa ser pensada a partir da e para a Amazônia”, disse.

Coordenador de Relações Institucionais da Eneva na região Norte, Márcio Lira | Foto: BNC Amazonas

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Como a floresta pode virar diesel

A pesquisa busca produzir o chamado HVO, sigla em inglês para óleo vegetal hidrotratado. No Brasil, ele integra a categoria conhecida como diesel verde.

O processo começa com a extração e caracterização dos óleos das plantas. Os pesquisadores analisam suas propriedades antes de avançar para a etapa de transformação em combustível.

Depois, o óleo passa por um processo que utiliza hidrogênio. O resultado é um combustível renovável formado por hidrocarbonetos de composição semelhante à do diesel fóssil.

A gerente técnica do projeto Diesel Verde, Mariana Ferreira, acompanha a frente responsável por avaliar as matérias-primas e a rota tecnológica necessária para chegar ao HVO.

Caso a viabilidade seja comprovada, o combustível poderá ter aplicações em embarcações fluviais, transporte pesado e geração de energia em sistemas isolados.

A pesquisa também abre outra discussão: o valor econômico que pode permanecer na própria Amazônia.

Uma eventual cadeia produtiva exigiria matéria-prima, processamento, tecnologia, pesquisa e mão de obra. Assim, recursos da floresta poderiam ganhar novas aplicações sem limitar seu valor à comercialização tradicional dos frutos.

Para o Amazonas, essa perspectiva ganha peso diante de uma meta já estabelecida pelo estado.

A Política Estadual de Transição Energética prevê reduzir em pelo menos 50% o consumo de diesel nos sistemas isolados até 2030. A estratégia contempla fontes renováveis, bioenergia e gás natural.

O movimento também acompanha uma mudança nacional. A Lei do Combustível do Futuro criou o Programa Nacional de Diesel Verde para incentivar pesquisa, produção e uso do combustível na matriz energética brasileira.

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Hidrogênio entra no mapa

O mesmo projeto abriu outra frente de pesquisa. Durante o workshop, também foi apresentado o Mapa do Hidrogênio de Baixo Carbono do Amazonas.

Sócio-diretor da Essenz Soluções e responsável pelo estudo, Guilherme Dantas apresentou rotas possíveis para produção e utilização desse combustível dentro das características econômicas e geográficas do estado.

O levantamento aponta oportunidades que vão de empilhadeiras industriais à geração de eletricidade em localidades isoladas. Também avalia aplicações nos transportes e na indústria.

A conexão com o Diesel Verde é direta. O hidrogênio participa justamente do processo de hidrotratamento utilizado para transformar óleos em HVO.

O mapa chega em um momento de avanço da regulamentação nacional. Em 12 de agosto, o governo federal regulamentou o marco legal do hidrogênio de baixa emissão de carbono.

Para o secretário-executivo de Energia e Gás do Amazonas (Semig), Marco Antônio de Oliveira Villela, essas alternativas podem participar do desenvolvimento econômico regional e, por isso, são muito bem-vindas.

“Este é o futuro. Nós iremos usar energia limpa e sustentável daqui para desenvolver ainda mais o estado”, afirmou.

Foto: BNC Amazonas