Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Moradores velam vítimas de acidente que matou 23 pessoas no Paraná

Fonte: www1.folha.uol.com.br | Data: 20/08/2026 15:39:37

🔗 Ler matéria original

A cidade de Imbituva, no centro-sul do Paraná, amanheceu de luto nesta quinta-feira (20). Dos 23 mortos no acidente da BR-373, 22 eram moradores do município, que tem cerca de 30 mil habitantes. “Ainda não caiu a ficha. Todo mundo se conhece. Ou você perdeu um parente ou um amigo ou conhece os familiares”, diz Jessica Taradenko, consultora de vendas, ao sair do ginásio municipal, onde acontece o velório de sete pessoas.

Os corpos começaram a ser liberados pela Polícia Científica a partir do final da tarde desta quarta. “Difícil trabalhar e seguir a rotina normal. Geralmente a gente só vê notícia assim lá longe”, diz ela.

No ginásio, o velório acontece sob forte comoção, e nem todos conseguem falar sobre a tragédia. Os relatos de parentes que concordam em dar uma entrevista são de choque. Ambulâncias na região do velório atendem quem não consegue ficar de pé.

O motorista do micro-ônibus, Erik Cezar Wiertel, é descrito como alguém “excelente para todo mundo”. Segundo seu enteado, de 16 anos, ele era um bom pai, padrasto e marido. Deixa três filhos, de 15, de 7 e de 3 anos.

Rafael Furmann, 30, zootecnista, era amigo do Erik e afirma que foi “um choque muito forte”.

“O Erik era uma pessoa maravilhosa, humilde, sempre se preocupava com todo mundo, eu andava com ele a cavalo, íamos nas festas, nos rodeios. Ele merece um lugarzinho lá em cima”, diz.

O zootecnista já tinha utilizado o transporte da prefeitura para ir a um hospital em Campo Largo, na região de Curitiba. O trajeto é rotineiro, diz.

“O Paraná todo busca Curitiba. Porque os maiores hospitais, de especialidade, estão na capital. Esses profissionais não vêm para o interior. As pessoas são transportadas 24 h para a capital e região. Não temos hospitais aqui”, disse o prefeito Bertoldo Rover (PSD).

Uma das vítimas do acidente, a diarista Liane Bienert, 56, usava o transporte para acompanhamento de rotina depois de ter tido um câncer. “Ela estava muito feliz de ter vencido este câncer, há um ano mais ou menos”, conta o irmão dela Clécio Bienert, 53, operador de máquina.

“Minha irmã era uma mulher muito doce, muito alegre. Só Deus sabe como é que vai ser daqui para frente”, diz. Liane tinha seis filhos.

Outra vítima do acidente, Adenilson Chaves dos Santos, 37, faria apenas um exame em um hospital em Curitiba e, por isso, disse que não precisava da tia para acompanhá-lo. “Ele morava com a minha mãe, ele era o apoio da minha mãe, que é a tia dele. Ele estava indo fazer um exame e minha mãe se ofereceu para ir de acompanhante, mas ele falou que não precisava ir”, conta o motorista Daniel Chaves Padilha, 33, primo da vítima.

“Era um rapaz que trabalhava e ajudava as pessoas, fazia fretes para conhecidos na cidade. Não atrapalhava a vida de ninguém. A cidade inteira gostava dele, uma pessoa boa”, conta. “Ele falava muito de casar. Ele queria arrumar uma namorada. Vivia me perguntando se eu conhecia alguém.”

Daniel diz que o primo publicou um vídeo minutos antes do acidente, por volta das 3h30 da madrugada de quarta. “Ele sentou na frente e postou um vídeo gravando a estrada, às 3h12”, conta.

“Eu moro em Curitiba e, quando vi o acidente, vim para cá acolher minha mãe. Estavam todos desesperados”, diz.

O acidente entre o micro-ônibus da prefeitura e um caminhão na BR-373, na madrugada de quarta, matou 23 pessoas e deixou cinco feridos. A maioria das vítimas morava em Imbituva e estava no micro-ônibus da prefeitura que rotineiramente leva pacientes e seus acompanhantes para consultas ou cirurgias em hospitais da região metropolitana de Curitiba.

Segundo a Polícia Civil, que instaurou um inquérito para apurar as causas do acidente, o caminhão invadiu a faixa contrária e bateu de frente com o veículo da prefeitura. As vítimas são 13 mulheres, 8 homens e duas crianças. Entre os homens está o motorista do caminhão, que trabalhava para uma empresa do Rio Grande do Sul. Os cinco sobreviventes estão sendo atendidos em hospitais de Ponta Grossa, que fica a cerca de 60 quilômetros de Imbituva.