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Após avanço em 2018 e 2022, candidaturas ligadas à segurança pública caem 45% no RS; veja as profissões mais comuns

Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Data: 21/08/2026 04:04:19

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O volume de candidaturas de pessoas ligadas à segurança pública caiu no Rio Grande do Sul em 2026. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número de candidatos que declararam atuar na área caiu 45,3% no Estado, de 64 para 35, em comparação com 2022.

O levantamento considera ocupações como policial militar, policial civil, militar reformado, membro das Forças Armadas, bombeiro militar e vigilante.

O movimento interrompe o crescimento observado entre 2018 e 2022, quando o volume de profissionais da área passou de 50 para 64, uma alta de 28%.

Embora o número total de candidaturas tenha caído, a proporção de nomes ligados à segurança é menor este ano. Em 2022, representavam 4,47% do total. Em 2026, o índice é de 3,34%.

A redução foi puxada principalmente por militares reformados e policiais militares. Já bombeiros militares e vigilantes foram na direção contrária. O partido com mais candidatos nesse grupo é o Republicanos (veja abaixo).

Como as profissões são autodeclaradas, o levantamento pode não incluir candidatos que atuam na área mas informaram outra ocupação, como mandato eletivo ou outro cargo público.

Fragmentação da direita está entre os fatores, diz analista

De acordo com o cientista político e professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), José Carlos Martines Belieiro Junior, as candidaturas ligadas à segurança estão mais associadas ao campo da direita e ganharam força com a ascensão do bolsonarismo, o que ajuda a explicar a alta registrada a partir de 2018. 

Segundo ele, o fenômeno à época foi favorecido pelo discurso favorável ao endurecimento das políticas de segurança e do fortalecimento das forças de Estado.

Há uma diferença na visão da segurança pública entre esquerda e direita. A direita acredita em estratégias um pouco mais repressivas, de reforçar o Estado e as leis e, por isso, consegue mobilizar delegados, pessoas que atuaram na segurança e que têm uma visão sobre esse tema.

Cientista político e professor da UFSM.

Já em 2026, a ausência de Bolsonaro na disputa presidencial e a fragmentação da direita em diversas candidaturas mudaram esse cenário, avalia Belieiro. 

No país, redução chegou a 34,9%

O movimento observado no Rio Grande do Sul também aparece no cenário nacional, com queda de 34,9% nas candidaturas ligadas à segurança na comparação com 2022 — acima da redução geral das candidaturas no país, de 29,9%.

  • 2018: 1.376 candidaturas
  • 2022: 1.611 candidaturas
  • 2026: 1.049 candidaturas

Na avaliação do historiador e mestre em Ciência Política Rodrigo Perla Martins, também pesam nesta redução episódios posteriores à derrota de Bolsonaro em 2022, como os acampamentos em quartéis e os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 em Brasília, que afetaram a imagem das Forças Armadas.

A redução das candidaturas, porém, não significa necessariamente que a segurança pública tenha perdido espaço como pauta eleitoral, observam os especialistas.

Além da mudança no cenário político da direita, há também movimentos institucionais que buscam restringir a participação de militares da ativa na política eleitoral. É o caso da proposta de emenda à Constituição (PEC) 42/2023, que determina a transferência para a reserva de integrantes das Forças Armadas que registrarem candidatura a cargos eletivos. 

A medida, aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, vale para Exército, Marinha e Aeronáutica e não se aplica a policiais militares e bombeiros dos Estados.

“São pautas que estão chegando mais no eleitor médio”

Enquanto a segurança pública encolheu em presença entre as candidaturas, outras áreas avançaram proporcionalmente: 

  • O número de candidatos que declarou profissões ligadas à área da educação, por exemplo, passou de 52 para 57 (alta de 9,6%). Entre os destaques está a categoria professor de Ensino Médio, que passou de 15 para 21 candidatos.
  • Na saúde, houve uma pequena redução em números absolutos, mas a proporção em relação ao total de candidatos aumentou de 4,5% para 5,9%. A categoria Enfermeiro passou de seis para 15 candidatos.
  • Na categoria de estudantes, bolsistas e estagiários, o número passou de 19 para 22 candidatos, alta de 15,8%. A participação no total subiu de 1,3% para 2,1%. 

Para Rodrigo Perla Martins, o avanço desses grupos pode estar relacionado a mudanças nas preocupações do eleitorado.

São pautas que estão chegando mais no eleitor médio, porque sabem que o custo de vida está alto. No caso da saúde, por exemplo, um plano de saúde está caríssimo, e aí volta a discussão da necessidade de um SUS com mais qualidade no atendimento.

RODRIGO PERLA MARTINS

Historiador e mestre em Ciência Política.

No ranking das ocupações mais comuns entre os candidatos no Estado, empresário, advogado, vereador e deputado continuam entre os primeiros colocados. Mas há mudanças: servidores públicos estaduais e jornalistas, por exemplo, deixaram a lista. 

Já entre as ocupações que entraram no ranking, estão a de comerciante e a de professor de Ensino Médio.

2022

  1. Empresário — 161
  2. Advogado — 128
  3. Vereador — 104
  4. Aposentado (exceto servidor público) — 52
  5. Deputado — 52
  6. Administrador — 50
  7. Servidor público municipal — 49
  8. Servidor público estadual — 41
  9. Jornalista e redator — 28
  10. Policial militar — 25

2026

  1. Empresário — 108
  2. Advogado — 97
  3. Vereador — 88
  4. Deputado — 48
  5. Aposentado (exceto servidor público) — 33
  6. Servidor público municipal — 25
  7. Administrador — 24
  8. Comerciante — 22
  9. Estudante, bolsista, estagiário e assemelhados — 22
  10. Professor de Ensino Médio — 21

Também aparecem entre as ocupações declaradas, embora com pouca frequência, atividades como astrônomo, garçom, jardineiro, pescador e porteiro de edifício.