Crise no setor eólico: Aeris pede prazo de 60 dias para negociar dívidas
Fonte: exame.com | Data: 21/08/2026 09:29:51
A Aeris Energy iniciou uma nova rodada de negociações com credores para tentar reestruturar suas dívidas, em meio à crise que assola o setor eólico há anos. A fabricante de pás eólicas protocolou um pedido no Centro de Mediação da Associação dos Advogados de São Paulo (CMAASP).
A empresa pede a suspensão, por até 60 dias, de execuções e de medidas para forçar o cumprimento de obrigações relacionadas aos créditos. O objetivo é criar um ambiente mais estável para as negociações, que podem envolver mudanças nos prazos e nas condições originalmente contratadas para as dívidas.
Segundo fato relevante assinado pelo CEO e diretor de relações com investidores, Alexandre Negrão, a ação tramita em segredo de justiça. O pedido tem como fundamento a Lei de Recuperação Judicial e Falências, que permite buscar proteção judicial antes de apresentar formalmente um pedido de recuperação judicial (RJ).
A Aeris afirmou que a medida é temporária e que suas operações seguem normalmente, sem impacto para clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros de negócios. A repactuação busca adequar sua estrutura de capital à “geração de caixa e às perspectivas de médio e longo prazo.”
Crise no setor eólico pesa sobre a companhia
A dificuldade financeira ocorre em meio a uma crise para a indústria eólica brasileira. A expansão de novos parques segue limitada por gargalos na infraestrutura de transmissão e pelos níveis elevados de “curtailment“, cortes na geração de energia que reduzem a atratividade de novos projetos no país.
O impacto também aparece no mercado acionário. As ações (AERI3) acumulam perdas de 31,69% em 2026 e de 98,64% nos últimos cinco anos, enquanto o valor de mercado da Aeris está atualmente em R$ 136,4 milhões, abaixo dos níveis registrados antes do agravamento da crise no setor eólico.
A companhia afirmou que continuará informando acionistas e o mercado sobre novos desdobramentos relacionados às negociações com os credores.