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PF pede à Ancine dados sobre Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro

Fonte: brasil247.com | Data: 21/08/2026 18:32:28

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247 – A Polícia Federal (PF) deu prazo de 10 dias para a Agência Nacional do Cinema (Ancine) fornecer dados sobre o longa-metragem “Dark Horse”, que retrata a trajetória política do ex-mandatário Jair Bolsonaro. A Ancine analisa o registro da produção, que tem previsão de chegar aos cinemas depois das eleições e depende de autorização da agência para ser exibida no Brasil. As informações são da coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo.

Entre as informações solicitadas pela PF estão os nomes de pessoas físicas e jurídicas relacionadas ao filme, além de produtores, coprodutores, distribuidoras, representantes legais e outros participantes registrados no banco de dados da Ancine. Segundo a corporação, os dados são de interesse de uma investigação em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça.

PF investiga produção e financiamento

No ofício, assinado na terça-feira (18), a PF também solicitou informações sobre o registro de “Dark Horse”, incluindo “comunicação de produção, certificação ou qualquer outro procedimento administrativo relacionado à obra cinematográfica”.

A corporação pediu ainda que a Ancine informe se o longa recebeu incentivos fiscais, recursos públicos federais ou “quaisquer benefícios vinculados às políticas públicas de financiamento do setor”.

O filme passou a ser associado à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência após mensagens do senador cobrando dinheiro do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar a produção.

Uma das linhas de investigação da PF é verificar se os recursos repassados por Vorcaro foram utilizados para custear despesas do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) durante seu autoexílio nos Estados Unidos.

Após reportagens do Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro reconheceu ter captado R$ 61 milhões de Vorcaro. Os pagamentos foram feitos por meio de uma empresa ligada ao empresário para um fundo administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro.

Segundo a reportagem, não houve explicação para a necessidade de intermediar os recursos por meio do fundo, o que levantou a suspeita de que o dinheiro pudesse estar sendo usado para financiar o autoexílio de Eduardo Bolsonaro.

Ancine autuou produtora por filmagem

Em 28 de julho, a Ancine abriu um processo administrativo e autuou a Go Up Entertainment por irregularidades na gravação de “Dark Horse”. O auto de infração, emitido pela Superintendência de Fiscalização e Combate à Pirataria, aponta como conduta irregular a produção no Brasil do longa estrangeiro sem comunicação prévia à agência.

As regras da Ancine determinam que filmagens de produções internacionais no Brasil sejam realizadas sob responsabilidade de uma empresa registrada na agência. Também são exigidos documentos como cópia do contrato, plano de filmagem e passaporte de cada profissional estrangeiro contratado.

Os procedimentos não foram realizados pela produtora no caso de “Dark Horse”. Com a autuação, a empresa fica sujeita a uma multa que pode variar de R$ 2 mil a R$ 100 mil.

Empresa responsável nunca lançou filme

A produção também levanta questionamentos relacionados à empresa responsável pelo longa. A Go Up Entertainment pertence à jornalista Karina Ferreira da Gama, que nunca lançou um filme no Brasil ou no exterior.

Karina teria ingressado no projeto por meio do deputado federal Mário Frias (PL-SP), responsável pelo roteiro de “Dark Horse”.

A jornalista também preside o Instituto Conhecer Brasil, que entrou na mira do STF por causa do repasse de R$ 2 milhões em emendas enviadas pelo deputado para a produção de filmes. O instituto está registrado na Ancine desde 2020, mas também não lançou nenhum filme no Brasil ou no exterior.

Pedido de registro foi feito em junho

Em 22 de junho, a Europa Filmes solicitou à Ancine o “registro de obra estrangeira” para lançar “Dark Horse” nos cinemas brasileiros. A distribuidora planeja uma estreia de grande porte, com o filme previsto para ser exibido em pelo menos 650 salas e com cópias dubladas distribuídas pelo país.

O trailer indica que o longa foi filmado no Brasil, tem diálogos em inglês e conta com elenco predominantemente estrangeiro. O ator estadunidense Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro.

O personagem de Flávio Bolsonaro ocupa pouco espaço na produção, enquanto Michelle Bolsonaro teria participação mais relevante na trama.

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