Governo Trump rejeitou receber missão da Receita Federal e indicou data após a eleição
Fonte: estadao.com.br | Data: 21/08/2026 20:53:25
BRASÍLIA – O governo Donald Trump rejeitou receber nos Estados Unidos uma missão da Receita Federal do Brasil (RFB), que pretendia levar funcionários ao país em junho passado. A recusa foi transmitida ao governo Luiz Inácio Lula da Silva sob o argumento oficial de que haveria um choque de agendas.
A viagem ocorreria com técnicos do órgão, especificamente uma equipe de fiscalização, que pretendia ir aos Estados Unidos para interagir com seus homólogos do Internal Revenue Service (IRS), sediado em Washington, uma forma de integração com vistas ao combate a fraudes e crimes de forma conjunta.

Ainda não há previsão de realização da viagem da Receita aos EUA, adiada a pedido do governo americano
Foto: Receita Federal/Reprodução
Diplomatas que acompanham a relação entre os governos, no entanto, relataram que outro recado foi transmitido nos bastidores: a equipe de fiscalização não receberia vistos do Departamento de Estado para não gerar “notícia positiva” ao governo brasileiro.
Oficialmente, os vistos da equipe de fiscalização nem sequer chegaram a ser pedidos, segundo a Receita Federal, portanto a recusa não se concretizou. Seriam mais de 10 integrantes.
Nas conversas para organizar a viagem, o órgão sugeriu a data em junho e recebeu como resposta do governo americano a informação não teria disponibilidade para receber uma missão naquele mês, porque havia uma série de visitas ténicas programadas. O IRS indicou que poderia receber a equipe brasileira somente em novembro.
Por enquanto, a missão aos EUA permanece em suspenso e não foi confirmada. Isso se deve em parte a trocas no governo brasileiro. Chefe da equipe, a subsecretária de Fiscalização, Andréia Costa Chaves, foi nomeada para assumir o escritório da Receita Federal em Pequim, China. Ela está em fase de transição do cargo.
Para integrantes do governo, a recusa é mais um episódio da crise diplomática no contexto das eleições e mostra que não houve recusa de vistos e bloqueio a missões temporárias apenas do lado brasileiro.
Em março, Lula mandou o Itamaraty revogar o visto a Darren Beattie, funcionário do Departamento de Estado que pretendia visitar na cadeia o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em julho, o Itamaraty rejeitou visto a dois diplomatas americanos que viriam ao País para discutir o sistema eleitoral e a situação local sobre liberdades de expressão e religiosa. Para o governo brasileiro, eles queriam minar a confiança nas urnas eletrônicas.
O governo Lula também reclama que vistos de autoridades do Executivo e do Judiciário, como os ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Alexandre de Moraes (Supremo Tribunal Federal), cancelados no ano passado, seguem sem solução.
A tentativa de viagem da Receita se insere na aproximação buscada pelo governo brasileiro, após a visita do presidente Lula a Donald Trump, em maio, na Casa Branca.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou em abril uma parceria, envolvendo a Receita, com a agência de fronteiras dos EUA (U.S. Customs and Border Protection) para rastreamento em tempo real de cargas e compartilhamento de informações de inteligência, a fim de combater o tráfico de armas e drogas.
Um dos focos do lado brasileiro é ampliar a cooperação entre órgãos federais para conter fluxos financeiros do crime organizado, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e tráfico de armas.