Turbulência de 1,78 G em voo da Azul deixou 4 feridos – SpaceMoney
Fonte: spacemoney.com.br | Data: 22/08/2026 03:35:00

Relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgado na sexta-feira (21) detalhou que uma turbulência severa de 1,78 G em um voo internacional da Azul, ocorrida em novembro de 2022, arremessou quatro passageiros que não usavam cinto de segurança. Uma passageira da poltrona 25D sofreu fratura no punho e em vértebra lombar, enquanto outros três ocupantes tiveram lesões leves.
O incidente aconteceu em 28 de novembro de 2022, durante a fase de cruzeiro do Airbus A330, que fazia a rota entre Campinas (SP) e Orlando, nos Estados Unidos. Segundo o relatório, a aeronave sobrevoava a região amazônica, a cerca de 11 quilômetros de altitude, quando encontrou uma área de instabilidade climática severa. A bordo estavam 14 tripulantes, e nenhum deles ficou ferido.
O que aconteceu no voo
De acordo com a investigação, os pilotos identificaram formações de tempestade no radar meteorológico e desviaram a rota até 10 milhas para a direita, em manobra coordenada com o controle de tráfego aéreo a cerca de 215 milhas náuticas de Manaus. Ao retornar à rota, a tripulação acionou o aviso luminoso de “apertem os cintos” e pediu pelos alto-falantes que todos voltassem aos assentos.
Quarenta segundos depois, a aeronave entrou bruscamente na área de turbulência severa. O gravador registrou picos de +1,78 G e -0,35 G, com fortes variações de vento e correntes verticais. A turbulência durou 55 segundos, mas o momento mais intenso concentrou-se em cerca de seis segundos.
Com os movimentos bruscos de subida e descida, o piloto automático desligou sozinho, como medida de proteção do sistema, e o comandante assumiu o controle manual da aeronave. O equipamento foi religado 45 segundos depois, quando o voo voltou à normalidade.
Passageiros feridos
Os quatro passageiros feridos estavam sem cinto de segurança e foram arremessados dos assentos. A ocupante da poltrona 25D foi projetada para cima, bateu o braço na poltrona e caiu no corredor. Em Orlando, exames confirmaram fratura no punho direito e em uma vértebra da coluna lombar. Um médico ortopedista que viajava no mesmo voo prestou os primeiros atendimentos ainda durante a viagem.
Os outros três passageiros tiveram lesões leves: contusão na região do abdômen, contusão na cabeça e outra contusão na cabeça, conforme os assentos 35C, 26G e 28D. Todos os ocupantes que estavam sentados e com cinto afivelado saíram ilesos.
Investigação do Cenipa
O Cenipa concluiu que não houve falha mecânica nem erro dos pilotos. Testes realizados após a ocorrência mostraram que os equipamentos da aeronave, incluindo o radar meteorológico, funcionavam normalmente. O relatório apontou as condições meteorológicas adversas como fator contribuinte e destacou limitações do radar, que não detecta turbulência diretamente, mas indica áreas de chuva e granizo. No topo das tempestades, onde há cristais de gelo, a reflexão é fraca e a área de risco pode não aparecer na tela.
Na Amazônia, segundo a investigação, é comum que células de tempestade fiquem embutidas em camadas extensas de nuvem, o que dificulta a visualização. Foi o que ocorreu no voo: a turbulência severa apareceu ao lado de um eco de intensidade apenas moderada no radar.
Recomendações sobre o uso do cinto
O relatório recomendou à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que reforçe campanhas e avisos de bordo sobre a importância de manter o cinto de segurança afivelado sempre que o passageiro estiver sentado, independentemente das condições meteorológicas ou do aviso luminoso. As recomendações incluem ainda a revisão dos procedimentos de anúncio em períodos de instabilidade para alcançar passageiros que estejam usando fones de ouvido ou dormindo.
Dados citados pelo Cenipa, a partir do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos, mostram que o uso do cinto é fator crítico para prevenir lesões graves. Em 111 acidentes relacionados a turbulência analisados, 123 ocupantes ficaram gravemente feridos, e apenas um deles usava cinto no momento do evento. Entre os comissários de bordo que sofreram lesões, 83,5% não estavam com o cinto afivelado.